quinta-feira, abril 19, 2007

Ardil

Pelos atalhos perdidos
entre palavras mentirosas
e sinceros sentidos,
brilham nossas vidas cruzadas
(paralelo paraíso!),
céu em noite de festa:
o fogo
e o artifício...

sábado, abril 14, 2007

Still

Ainda quero
o beijo e a pausa,
na ponta da língua
o gosto da palavra
e o silêncio da vontade...
Ainda quero
a mão e a carne,
na ponta do dedo
o mel do desejo
e o sal da saudade...
Ainda quero
o impossível e o fato,
o amor no improvável quarto,
o sempre, apesar do limite,
o tudo, apesar de tudo,
ou o pouco que a vida permite...

terça-feira, abril 10, 2007

Cetim

Adormeço
entre os cheiros
que você deixou
no lençol vermelho,
vulgar e sublime,
desfeito...
Só desperto, acesa,
sob a luz falsa no teto
e sob seu peso,
verdadeiro...

domingo, abril 01, 2007

Por (h)ora

Por enquanto
basta o encontro
de fugidias horas,
o abençoado agora,
que faz o interminável antes
desimportante...

sexta-feira, março 16, 2007

Fértil

Espere dentro,
eterno tema,
enquanto tremo
e, quente, gero
cada verso
do poema...

Sève

Do cabelo
ao tornozelo,
pelo meio das costas,
pelo meio do meio,
toque meu segredo...
Dos seios aos joelhos,
na pele exposta
sem receio,
roce a língua silenciosa
e deixe que o desejo exale
o cheiro suave da seiva...

quinta-feira, março 08, 2007

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

Multimídia

Tatuada no papel
a poesia cicatriza
azul-céu
e se traduz
no colorido abraço,
na carícia do traço
do seu pincel...

domingo, fevereiro 18, 2007

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

Pernoite

No arco do abraço
encaixo o corpo
e espero o sono,
mas me contorço
se a sua barba
marca meu pescoço
e desperta o sonho...

quarta-feira, janeiro 31, 2007

Galeria

Óbvios,
apesar de todos os disfarces,
expostos
como quadros
emoldurados,
iluminados
e falsos,
passivos alvos
de todos os olhares,
permanecemos arte...

quinta-feira, janeiro 25, 2007

Dominatrix

Sob meu corpo,
permaneça...
Afaste minhas rendas
negras,
e beba o mel do meu desejo...
Seja minha indefesa
presa,
e que eu seja
sua única certeza...
Olhos vendados
pelos meus dedos
e no peito a mordida,
antes do beijo...
Dentro de mim transborde
sua correnteza e eu guardo,
íntima represa,
as águas claras
do nosso segredo...

domingo, janeiro 21, 2007

Amor

Entre a Lua
e o Lobo
o uivo
soa.

Sanguina*

Quando seu peso amassa meu cortorno
e, dentro, seu desejo jorra, morno,
misturo o suor do nosso gozo
e me confundo, rubra,
ao seu esboço...

*Para L., por tudo.

sexta-feira, janeiro 19, 2007

Body Art*

Seus dedos aram meus pêlos,
molham as pontas,
germinam sonhos,
colhem latejos
da pele morna...
Moreno braço
faz cerca firme
à minha volta
e o anjo,
levemente,
se move...

* Para C.

sábado, janeiro 13, 2007

Passatempo

Como resposta ao enigma
da nossa mútua vontade
apenas a respiração
partida
entre as palavras
cruzadas...

quinta-feira, janeiro 04, 2007

Conjunção

Inesperado cupido,
teu mítico sagitário
(ambíguo signo)
mergulha a seta
ascendente da paixão
na nascente do veneno
do meu obsceno
escorpião...

quinta-feira, dezembro 28, 2006

Tatoo

Deixe-me sem mistério,
vestida de sentimento,
exposta pele,
desenhada de sol,
de arte e de tempo...
Deixe-me molhada
e seca de vontade,
paradoxo suspirante,
namorada,
amante...
More nos meus espaços,
vagos,
demarque fronteiras novas,
pinte, invente,
meu proibido mago...
O meu prazer é fácil
quando sinto seus lábios
e sua língua sem palavras
apagando o que é passado,
escrevendo sua história
na mais íntima das minhas memórias...

sexta-feira, dezembro 22, 2006

Ampliação

Avessa aos instantâneos,
ao excesso da imagem digital,
sinto seu mergulho nos meus líquidos
e a mágica da química
no escuro dos nossos sentidos
mostra o contraste de cada sinal...
A rubra atmosfera,
o tempo certo da espera
prova o que somos
tal qual foto no varal...
Quero o preto e o branco,
objetiva,
mas na longa exposição
seu foco vibra
e eu me revelo
femininamente colorida...

quinta-feira, dezembro 07, 2006

Merlot

Predestinados, nos encontramos...
Sem hora marcada,
sem sonhos.
Apenas a realidade da nudez,
o arrepio sem frio,
o leito,
a margem
e o rio...
Desavisados, nos entregamos,
íntimos estranhos.
Marcas por toda parte,
sedes desesperadas
e duas inexplicáveis taças
intactas...