Mensagens codificadas
camuflam nosso caso...
Trocados os dados,
apagamos os rastros
dos telefonemas rápidos...
Penumbra nos dias ensolarados,
pequenos disfarces,
mas a luz acesa nos quartos
numerados...
Para que nunca nos encontrem
por mais que procurem
vestígios ou fatos,
sem notar que sua senha brilha
num verso bonito
e seu nome rima com meus atos
falhos...
"Yo sé que estoy ligado a ti/ más fuerte que la hiedra/ porque tus ojos de mis sueños/ no pueden separarse jamás." Agustín Lara
quinta-feira, novembro 30, 2006
segunda-feira, novembro 27, 2006
quinta-feira, novembro 23, 2006
Estigma
O amor que me marca,
concebido com todas as máculas,
desenha na pele cada passo da paixão:
a umidade do beijo,
que apaga todo o passado,
a pressão dos dedos,
que tatua a futura saudade,
a mordida,
a permitida invasão...
Então me ajoelho
sem oração,
nego as vontades
sem convicção
e me revelo fraca,
como as amantes são.
Cometo, todos os dias,
o pecado nada original,
sem medo do castigo...
E espero todas as horas
que me salve, sem mais demora,
o seu interno batismo...
concebido com todas as máculas,
desenha na pele cada passo da paixão:
a umidade do beijo,
que apaga todo o passado,
a pressão dos dedos,
que tatua a futura saudade,
a mordida,
a permitida invasão...
Então me ajoelho
sem oração,
nego as vontades
sem convicção
e me revelo fraca,
como as amantes são.
Cometo, todos os dias,
o pecado nada original,
sem medo do castigo...
E espero todas as horas
que me salve, sem mais demora,
o seu interno batismo...
quarta-feira, novembro 08, 2006
Carbônico
Quando o amor fica taquicárdico
e evapora toda a sanidade,
inspiramos o ar da partida iminente,
fumaça fria na pele que arde...
Expira a validade dos nossos álibis
e sufocamos até a próxima tarde...
e evapora toda a sanidade,
inspiramos o ar da partida iminente,
fumaça fria na pele que arde...
Expira a validade dos nossos álibis
e sufocamos até a próxima tarde...
segunda-feira, novembro 06, 2006
Sweet Home
Quando sou o teto e você, o piso,
da casa viva que construímos,
palafita incerta onde o amor mora
e que o prazer visita,
só o móbile dos cabelos
minha nudez enfeita...
O sistino seio, pintado com seus beijos,
eterniza o efêmero na sua retina...
Então você encontra
as janelas mais íntimas,
abre as cortinas
e nos ilumina...
da casa viva que construímos,
palafita incerta onde o amor mora
e que o prazer visita,
só o móbile dos cabelos
minha nudez enfeita...
O sistino seio, pintado com seus beijos,
eterniza o efêmero na sua retina...
Então você encontra
as janelas mais íntimas,
abre as cortinas
e nos ilumina...
segunda-feira, outubro 09, 2006
Crayon
Não venha pronto.
Venha esboço,
planta,
plano.
Venha idéia,
tijolo,
sonho.
Espaço em branco
que eu completo,
onde eu desenho,
leio e assino...
Venha a lápis,
venha menino,
(re)nasça onde eu vivo,
rascunho da minha espera,
homem definitivo.
Venha esboço,
planta,
plano.
Venha idéia,
tijolo,
sonho.
Espaço em branco
que eu completo,
onde eu desenho,
leio e assino...
Venha a lápis,
venha menino,
(re)nasça onde eu vivo,
rascunho da minha espera,
homem definitivo.
terça-feira, outubro 03, 2006
Pole Position
Hoje eu tiro primeiro
a camisa com seu cheiro
enquanto beijo seu peito...
Hoje eu abro primeiro
o botão, o zíper, a boca,
sentindo até onde cabe,
até onde posso,
até quando ouso...
Hoje eu gozo primeiro
ao ver como um filme perfeito
sua nudez e o meu vestido
(descaradamente erguido)
colorindo a tela do espelho...
a camisa com seu cheiro
enquanto beijo seu peito...
Hoje eu abro primeiro
o botão, o zíper, a boca,
sentindo até onde cabe,
até onde posso,
até quando ouso...
Hoje eu gozo primeiro
ao ver como um filme perfeito
sua nudez e o meu vestido
(descaradamente erguido)
colorindo a tela do espelho...
sexta-feira, setembro 15, 2006
Incenso
Mais uma madrugada
vazia de palavras,
plena de sentido,
outros sentidos plenamente saciados,
corpos em laço, adormecidos...
Desenhos de fumaça,
indianos signos,
guiam nossos sonhos de pecado
para um futuro paraíso...
Um movimento, um som, um desejo proibido
matam o sono para salvar a vida
e arde nos meus olhos um novo pedido...
Sua resposta vem num sorriso puro,
enquanto a brasa perfumada e rubra
queima lentamente no escuro...
vazia de palavras,
plena de sentido,
outros sentidos plenamente saciados,
corpos em laço, adormecidos...
Desenhos de fumaça,
indianos signos,
guiam nossos sonhos de pecado
para um futuro paraíso...
Um movimento, um som, um desejo proibido
matam o sono para salvar a vida
e arde nos meus olhos um novo pedido...
Sua resposta vem num sorriso puro,
enquanto a brasa perfumada e rubra
queima lentamente no escuro...
segunda-feira, setembro 11, 2006
Audaz
Para quem já teve medo.
Quanto mais clara é minha palavra
e mais expostos brilham meus perigos,
mais a sua boca, em trilha incerta,
hesita, vai e volta, acaba comigo...
Se o seu amor junta as mil partes
em que o prazer me quebra,
o meu amor rompe as mil grades
com que você se cerca...
Vencido, você rasga os mapas,
vencida, eu arrisco o amigo:
em qualquer sentido
estaremos perdidos...
E se desfaz no beijo proibido
tudo o que era, antes, impossível...
Quanto mais clara é minha palavra
e mais expostos brilham meus perigos,
mais a sua boca, em trilha incerta,
hesita, vai e volta, acaba comigo...
Se o seu amor junta as mil partes
em que o prazer me quebra,
o meu amor rompe as mil grades
com que você se cerca...
Vencido, você rasga os mapas,
vencida, eu arrisco o amigo:
em qualquer sentido
estaremos perdidos...
E se desfaz no beijo proibido
tudo o que era, antes, impossível...
sexta-feira, setembro 01, 2006
Razões
Sim, eu me viro,
dobro o corpo e espalho a alma
quando você sorri o desejo, mas não fala,
faz a palavra desnecessária...
Sim, eu me abro
em braços, pernas, boca...
Quero cada gota do seu silêncio
latejado e morno...
Sim, para qualquer pedido.
Sua, para qualquer loucura.
Porque me agrada ser a segunda,
dona absoluta de coisa nenhuma,
outra, porém única.
Porque eu gosto do seu olhar perdido
quando eu venço, por vida súbita,
o jogo antigo em que você reluta,
mas me procura pedindo abrigo...
dobro o corpo e espalho a alma
quando você sorri o desejo, mas não fala,
faz a palavra desnecessária...
Sim, eu me abro
em braços, pernas, boca...
Quero cada gota do seu silêncio
latejado e morno...
Sim, para qualquer pedido.
Sua, para qualquer loucura.
Porque me agrada ser a segunda,
dona absoluta de coisa nenhuma,
outra, porém única.
Porque eu gosto do seu olhar perdido
quando eu venço, por vida súbita,
o jogo antigo em que você reluta,
mas me procura pedindo abrigo...
segunda-feira, agosto 28, 2006
Siesta
Antes, venha.
A espera faminta foi suficiente
para molhar por dentro
o caminho do seu movimento...
Nem palavra, nem beijo:
o penetrar apenas,
esse deslizar interno
que vem, vem, vem
sabendo que machuca mais
quando faz que sai...
Depois, permaneça.
Acomode seu peso às minhas costas,
enquanto nossas pernas se roçam...
Sinta meu suspiro no seu peito
e, se por acaso vibrar inteiro,
aceite o convite que faço
para um lento recomeço...
A espera faminta foi suficiente
para molhar por dentro
o caminho do seu movimento...
Nem palavra, nem beijo:
o penetrar apenas,
esse deslizar interno
que vem, vem, vem
sabendo que machuca mais
quando faz que sai...
Depois, permaneça.
Acomode seu peso às minhas costas,
enquanto nossas pernas se roçam...
Sinta meu suspiro no seu peito
e, se por acaso vibrar inteiro,
aceite o convite que faço
para um lento recomeço...
terça-feira, agosto 22, 2006
Manhã
Esfrego, na sua barba de um dia,
um 'eu te amo' dolorido,
na pele, beijos e pedidos,
lábios perdidos nas teias
das veias e dos pêlos,
onde deixo palavras soltas,
frases sem sentido
e meu desejo explícito...
Mas a resposta esperada
só lava o meu sorriso
quando minha boca,
vazia de palavras,
silencia...
um 'eu te amo' dolorido,
na pele, beijos e pedidos,
lábios perdidos nas teias
das veias e dos pêlos,
onde deixo palavras soltas,
frases sem sentido
e meu desejo explícito...
Mas a resposta esperada
só lava o meu sorriso
quando minha boca,
vazia de palavras,
silencia...
sexta-feira, agosto 11, 2006
Festim
Estou farta do vazio das suas palavras...
Bêbada da sede nunca saciada,
seca de úmidas vontades...
Em mim não cabe mais tanto nada,
mas espero ansiosa a hora não marcada...
Você promete ficar já indo embora,
enquanto meu corpo faz de conta que dorme,
vestindo apenas a sua falta,
alimentando o sonho com as sobras
desse interminável banquete de migalhas...
Bêbada da sede nunca saciada,
seca de úmidas vontades...
Em mim não cabe mais tanto nada,
mas espero ansiosa a hora não marcada...
Você promete ficar já indo embora,
enquanto meu corpo faz de conta que dorme,
vestindo apenas a sua falta,
alimentando o sonho com as sobras
desse interminável banquete de migalhas...
sexta-feira, agosto 04, 2006
Prelúdio
Na sua boca beijo meu nome
e o som se faz interno aceno,
o irresistível obceno do amor
e seus movimentos...
Você vem...
Eu vou...
Trêmulo pêndulo...
Fico fora de mim
quando você me chama
de dentro...
e o som se faz interno aceno,
o irresistível obceno do amor
e seus movimentos...
Você vem...
Eu vou...
Trêmulo pêndulo...
Fico fora de mim
quando você me chama
de dentro...
sábado, julho 29, 2006
Desencontro
Troco o pano pela pele
e o calor arrepia o pêlo,
no lugar do perfume, o cheiro,
cabelos de um certo vermelho...
No espelho me despenteio,
deixo expostas olheiras,
a boca, antes do beijo,
a fome, antes do amor...
Só me dou por satisfeita
quando não me reconheço
ao ver a mulher que sou...
Quase sempre
quase pronta
para o nosso
quase encontro...
e o calor arrepia o pêlo,
no lugar do perfume, o cheiro,
cabelos de um certo vermelho...
No espelho me despenteio,
deixo expostas olheiras,
a boca, antes do beijo,
a fome, antes do amor...
Só me dou por satisfeita
quando não me reconheço
ao ver a mulher que sou...
Quase sempre
quase pronta
para o nosso
quase encontro...
segunda-feira, julho 17, 2006
Diplomacia
Cada vez que nossos corpos se encontram,
diferentes na forma,
no tom e na textura,
o desejo é semelhante,
idêntica a procura...
Somos estrangeiros um no outro,
exilados por escolha na mesma fantasia
onde o antigo prazer se faz desconhecido...
Na primeira vértebra, sinto sua boca
e na última vibra o arrepio do perigo,
mas, se conquistada eu me rendo ao invasor,
refugiado, você me pede asilo
e eu dou...
diferentes na forma,
no tom e na textura,
o desejo é semelhante,
idêntica a procura...
Somos estrangeiros um no outro,
exilados por escolha na mesma fantasia
onde o antigo prazer se faz desconhecido...
Na primeira vértebra, sinto sua boca
e na última vibra o arrepio do perigo,
mas, se conquistada eu me rendo ao invasor,
refugiado, você me pede asilo
e eu dou...
segunda-feira, julho 03, 2006
Fast
Minha mão de unhas curtas
no seu peito exato
sente o coração por dentro,
disparado...
Pulsação igual à outra
entre meus dedos,
sob meus beijos,
dentro da boca...
E se minha fome nos surpreende,
acelero o movimento,
você se rende
e eu me alimento...
no seu peito exato
sente o coração por dentro,
disparado...
Pulsação igual à outra
entre meus dedos,
sob meus beijos,
dentro da boca...
E se minha fome nos surpreende,
acelero o movimento,
você se rende
e eu me alimento...
quinta-feira, junho 22, 2006
Faquir
Prometo que será o último encontro
e juro ser irrevogável a despedida,
mas quebro a minha jura
sob o peso do seu corpo
e durmo, cansada e satisfeita,
sobre os cacos das promessas partidas...
e juro ser irrevogável a despedida,
mas quebro a minha jura
sob o peso do seu corpo
e durmo, cansada e satisfeita,
sobre os cacos das promessas partidas...
quarta-feira, junho 21, 2006
Saloon
Expostas as cartas,
cabelos e costas
na mesa...
Em leque,
o deck,
os cachos,
os blefes em cheque...
Sem ases, sem mangas,
as asas dos braços abertas,
abertas as pernas bambas...
Desorientada dama
deseja revanche:
embaralhe de novo nossos vícios
para um outro jogo, desde o início...
cabelos e costas
na mesa...
Em leque,
o deck,
os cachos,
os blefes em cheque...
Sem ases, sem mangas,
as asas dos braços abertas,
abertas as pernas bambas...
Desorientada dama
deseja revanche:
embaralhe de novo nossos vícios
para um outro jogo, desde o início...
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