Não sinto culpa
nessa noite,
silenciosa testemunha
da umidade que brilha
quando gozo
à sua revelia...
Espero sua vinda,
inocente como as palavras
- que embora sejam poderosas armas -
não sabem que são parte
da poesia...
"Yo sé que estoy ligado a ti/ más fuerte que la hiedra/ porque tus ojos de mis sueños/ no pueden separarse jamás." Agustín Lara
sexta-feira, novembro 14, 2008
segunda-feira, novembro 10, 2008
Anticiência
Antes que você
me coma,
deixe que eu
cometa
pecados e sonhos
na migração dos beijos
para o sul,
muito além do seu peito...
Depois me leve
- sob a lenta luz
perfumada das velas -
a outras esferas
e à íntima descoberta:
no universo
da nossa cama,
o mundo
é plano...
me coma,
deixe que eu
cometa
pecados e sonhos
na migração dos beijos
para o sul,
muito além do seu peito...
Depois me leve
- sob a lenta luz
perfumada das velas -
a outras esferas
e à íntima descoberta:
no universo
da nossa cama,
o mundo
é plano...
sábado, novembro 01, 2008
Inside And Out
Discreta,
levo comigo,
úmido e escondido,
seu cheiro
- líquido segredo -
mas me entrega,
óbvio como todos os códigos,
o desejo escrito a barba
que arde,
vermelho,
na pele clara
do meu seio...
levo comigo,
úmido e escondido,
seu cheiro
- líquido segredo -
mas me entrega,
óbvio como todos os códigos,
o desejo escrito a barba
que arde,
vermelho,
na pele clara
do meu seio...
sexta-feira, outubro 24, 2008
Troca
Sem o lençol
que o desejo afasta,
me vejo nua
e pouco casta...
Exposta,
a pele sua
sob a sua
e eu me faço
trêmulo tema
do seu traço,
que se mostra
- sem retoque -
a cada passo
do poema...
que o desejo afasta,
me vejo nua
e pouco casta...
Exposta,
a pele sua
sob a sua
e eu me faço
trêmulo tema
do seu traço,
que se mostra
- sem retoque -
a cada passo
do poema...
quinta-feira, outubro 09, 2008
FM
Sem hesitar,
deixo-me ficar
entre o seu olhar castanho
e o travesseiro branco...
Um pouco mais fundo,
um tanto mais forte,
você vai e volta...
Não, não goze ainda,
senão eu gozo agora...
E, até que terminem
as nossas horas,
quero o suor
prisioneiro dos poros...
deixo-me ficar
entre o seu olhar castanho
e o travesseiro branco...
Um pouco mais fundo,
um tanto mais forte,
você vai e volta...
Não, não goze ainda,
senão eu gozo agora...
E, até que terminem
as nossas horas,
quero o suor
prisioneiro dos poros...
domingo, outubro 05, 2008
Ternura
Quando você chega,
deita,
deixa
e coloca em minhas mãos
a satisfação
do seu desejo,
eu me atrevo
em cheiros
e beijos,
até que receba
na boca
o seu gosto
e, no rosto
- vermelho -
o carinho dos seus dedos...
Coleman Hawkins - Angel Face
deita,
deixa
e coloca em minhas mãos
a satisfação
do seu desejo,
eu me atrevo
em cheiros
e beijos,
até que receba
na boca
o seu gosto
e, no rosto
- vermelho -
o carinho dos seus dedos...
Coleman Hawkins - Angel Face
sábado, outubro 04, 2008
Implosivo
Desde a base,
trêmulos e frágeis,
somos condenados castelos
- de marcadas cartas -
escorados um no outro,
erguendo sonhos,
enquanto
( por dentro )
deliciosamente,
desmoronamos...
Woody Herman - Aurora
trêmulos e frágeis,
somos condenados castelos
- de marcadas cartas -
escorados um no outro,
erguendo sonhos,
enquanto
( por dentro )
deliciosamente,
desmoronamos...
Woody Herman - Aurora
quarta-feira, setembro 17, 2008
Confusa
Quando nos vejo
encaixados
- como gosto -
e em movimento
- como preciso -
perfeito par
de idênticos opostos,
não sei se,
partes,
nos completamos
ou, espelhos,
nos refletimos...
Woody Herman - Body and Soul
encaixados
- como gosto -
e em movimento
- como preciso -
perfeito par
de idênticos opostos,
não sei se,
partes,
nos completamos
ou, espelhos,
nos refletimos...
Woody Herman - Body and Soul
sábado, setembro 13, 2008
Suíte
Nesse quarto
sem passado,
igual a tantos
vários cantos,
onde humanos
(falhos...)
somos,
ficam as marcas
- temporárias -
de nossos recorrentes
sonhos...
Erroll Garner - Misty
sem passado,
igual a tantos
vários cantos,
onde humanos
(falhos...)
somos,
ficam as marcas
- temporárias -
de nossos recorrentes
sonhos...
Erroll Garner - Misty
segunda-feira, setembro 08, 2008
A Seco
Tenho pressa
de ser a presa
da sua força
- minha fraqueza -
e ainda que eu
não saia ilesa,
(nem a seda...)
venha assim,
sem a mínima
delicadeza...
Steve Turre - The Nearness Of You
de ser a presa
da sua força
- minha fraqueza -
e ainda que eu
não saia ilesa,
(nem a seda...)
venha assim,
sem a mínima
delicadeza...
Steve Turre - The Nearness Of You
terça-feira, setembro 02, 2008
(o) DOCE (e o) LAR
O desejo sem limites
ignora o rotineiro
alinhamento de cabides
e na ausência dos armários
- perfeitamente arrumados -
nossa roupa espalhada,
multiplicada nos espelhos,
dispensa comentários...
Cannonball Adderley - Dancing In The Dark
ignora o rotineiro
alinhamento de cabides
e na ausência dos armários
- perfeitamente arrumados -
nossa roupa espalhada,
multiplicada nos espelhos,
dispensa comentários...
Cannonball Adderley - Dancing In The Dark
segunda-feira, agosto 25, 2008
Wish (II)
Que eu não durma
- e dure para sempre -
cada momento em que,
repetidamente,
dentro do meu corpo,
você some...
Tamanha é a fome
pelo meu homem
que meu secreto sonho
é ser insone...
Ben Webster & Harry "Sweets" Edison
Embraceable You
- e dure para sempre -
cada momento em que,
repetidamente,
dentro do meu corpo,
você some...
Tamanha é a fome
pelo meu homem
que meu secreto sonho
é ser insone...
Ben Webster & Harry "Sweets" Edison
Embraceable You
segunda-feira, agosto 18, 2008
SoHo
Mais curto,
seu cabelo escuro
ainda se mistura
com meus pêlos...
Longos,
como seus beijos,
meus fios castanhos
ondulam e cobrem
a seda pura
do travesseiro...
Kai Winding & J. J. Johnson - Just For A Thrill
seu cabelo escuro
ainda se mistura
com meus pêlos...
Longos,
como seus beijos,
meus fios castanhos
ondulam e cobrem
a seda pura
do travesseiro...
Kai Winding & J. J. Johnson - Just For A Thrill
domingo, agosto 10, 2008
Rescaldo
Na cama alheia,
o desejo queima
e nas cinzas perfumadas
reina o nosso cheiro,
prova obscena
de tudo que fizemos,
quando de nós
restar apenas
um quadro seu
e o meu poema,
em casas diferentes...
Lester Young - I'm Confessin' (That I Love You)
o desejo queima
e nas cinzas perfumadas
reina o nosso cheiro,
prova obscena
de tudo que fizemos,
quando de nós
restar apenas
um quadro seu
e o meu poema,
em casas diferentes...
Lester Young - I'm Confessin' (That I Love You)
sexta-feira, agosto 08, 2008
Degustare
Entregue,
me deito
nas mãos morenas
do destino
e só respiro quando,
antes do beijo,
seu ar gemido aquece
a minha pele
e a trama fina do tecido...
Ben Webster - How Deep Is The Ocean
me deito
nas mãos morenas
do destino
e só respiro quando,
antes do beijo,
seu ar gemido aquece
a minha pele
e a trama fina do tecido...
Ben Webster - How Deep Is The Ocean
segunda-feira, agosto 04, 2008
Com Tato
Entre nós,
cegos de amor,
só resta o gozo,
lento e solto,
que se repete
quando você passa
dedos e tempo
na minha pele
e dentro...
Bennie Green - That's All
cegos de amor,
só resta o gozo,
lento e solto,
que se repete
quando você passa
dedos e tempo
na minha pele
e dentro...
Bennie Green - That's All
sexta-feira, julho 25, 2008
Blas-fêmea
Em teu santo nome
em vão me toco...
De lado,
a sutileza do amor
e a renda
- úmida prova -
do meu desejo profano
e óbvio...
Clifford Brown & Max Roach - You Go To My Head
em vão me toco...
De lado,
a sutileza do amor
e a renda
- úmida prova -
do meu desejo profano
e óbvio...
Clifford Brown & Max Roach - You Go To My Head
sexta-feira, julho 18, 2008
Migração
Quando seu calor
me chama,
a neve do dia-a-dia
- que nas minhas asas pesa -
derrete...
Leve,
só com a alma no corpo,
para o nosso (clan)destino,
vôo..
Coleman Hawkins - Body and Soul
me chama,
a neve do dia-a-dia
- que nas minhas asas pesa -
derrete...
Leve,
só com a alma no corpo,
para o nosso (clan)destino,
vôo..
Coleman Hawkins - Body and Soul
sexta-feira, julho 11, 2008
Sem Rigor
Depois da noite
de veludo e estrelas,
que passou por nós
sem pressa,
azul é a manhã
que me recebe,
luminosa e satisfeita,
com o mesmo vestido
que usei na festa...
Grant Green - Born To Be Blue
de veludo e estrelas,
que passou por nós
sem pressa,
azul é a manhã
que me recebe,
luminosa e satisfeita,
com o mesmo vestido
que usei na festa...
Grant Green - Born To Be Blue
quarta-feira, julho 02, 2008
Sentinela
Na insônia do amor,
desafio o escuro
e nos tateio...
Descubro o desejo
adormecido,
no sono leve dos intranqüilos,
enquanto você dorme pesado
- em mim -
e sonha comigo...
Ben Webster - Embraceable You
desafio o escuro
e nos tateio...
Descubro o desejo
adormecido,
no sono leve dos intranqüilos,
enquanto você dorme pesado
- em mim -
e sonha comigo...
Ben Webster - Embraceable You
quinta-feira, junho 26, 2008
Alternate Take
Depois,
nossa mútua,
musical vigília,
é doce
e sentimos que somos
- como se possível fosse -
a igualdade pura,
notas repetidas
penduradas nos varais
de alheias partituras,
o recorrente tema
do mesmo jazz...
Freddie Hubbard - Dedicated To You
nossa mútua,
musical vigília,
é doce
e sentimos que somos
- como se possível fosse -
a igualdade pura,
notas repetidas
penduradas nos varais
de alheias partituras,
o recorrente tema
do mesmo jazz...
Freddie Hubbard - Dedicated To You
quarta-feira, junho 25, 2008
Curso (II)
Sua língua úmida
traça o rumo
na linha funda
da minha coluna...
Nosso desejo
único
me faz duas:
a mulher que ama
e esquece o que sabe
para no meio da tarde
ser sua puta,
ainda aluna...
Charlie Parker - Lover Man
traça o rumo
na linha funda
da minha coluna...
Nosso desejo
único
me faz duas:
a mulher que ama
e esquece o que sabe
para no meio da tarde
ser sua puta,
ainda aluna...
Charlie Parker - Lover Man
quinta-feira, junho 19, 2008
Under
Quando você amplia
meus íntimos espaços
e se acomoda,
- mas não tem sossego -
por dentro sorrio
e latejo...
Segura,
sigo seu compasso
e me ofereço:
tenho tudo quando,
sob seu (des)controle,
me deixo...
Johnny Hodges - I Got It Bad (And That Ain't Good)
meus íntimos espaços
e se acomoda,
- mas não tem sossego -
por dentro sorrio
e latejo...
Segura,
sigo seu compasso
e me ofereço:
tenho tudo quando,
sob seu (des)controle,
me deixo...
Johnny Hodges - I Got It Bad (And That Ain't Good)
segunda-feira, junho 16, 2008
69
Mútua é a sede
no calor da cama
onde nos (des)encontramos...
Entre meus lábios,
pulsa a fonte dos meus sonhos,
em sua boca
minha taça vibra
- transbordante -
e lentamente
nos saciamos...
Duke Ellington - The Star-Crossed Lovers
no calor da cama
onde nos (des)encontramos...
Entre meus lábios,
pulsa a fonte dos meus sonhos,
em sua boca
minha taça vibra
- transbordante -
e lentamente
nos saciamos...
Duke Ellington - The Star-Crossed Lovers
terça-feira, junho 10, 2008
(Des)igual
Na dança muda
das coisas suas,
a vida flutua
para a nova rua...
Se (di)fere a vista,
permanece a cura
na volúvel face
da mesma Lua...
Dexter Gordon - You've Changed
das coisas suas,
a vida flutua
para a nova rua...
Se (di)fere a vista,
permanece a cura
na volúvel face
da mesma Lua...
Dexter Gordon - You've Changed
terça-feira, junho 03, 2008
Ponce De Leon
Em minha boca,
o gosto conhecido
anuncia o prazer
mais antigo,
mas a eterna juventude
do amor me renova,
enquanto me afogo
em suas águas
- sua até as lágrimas -
e gozo...
Ben Webster - Gone With The Wind
o gosto conhecido
anuncia o prazer
mais antigo,
mas a eterna juventude
do amor me renova,
enquanto me afogo
em suas águas
- sua até as lágrimas -
e gozo...
Ben Webster - Gone With The Wind
terça-feira, maio 27, 2008
Antuérpia
Na delicadeza
do meu silêncio
de amante
não cabe
o prazer do seu peso
sobre mim...
Assim,
minha palavra
- não lapidada -
brilha,
bruta,
na noite escura,
sem Lua,
treva de nanquim...
Ella Fitzgerald - When A Woman Loves A Man
do meu silêncio
de amante
não cabe
o prazer do seu peso
sobre mim...
Assim,
minha palavra
- não lapidada -
brilha,
bruta,
na noite escura,
sem Lua,
treva de nanquim...
Ella Fitzgerald - When A Woman Loves A Man
quarta-feira, abril 30, 2008
Godiva
Vestindo apenas os cabelos
- o suor recendendo
ao seu cheiro -
sobre seu corpo
passeio...
E do alto vejo,
estremecendo
satisfeitos,
os limites
do meu rei(no)...
Donald Byrd - That's All There Is To Love
- o suor recendendo
ao seu cheiro -
sobre seu corpo
passeio...
E do alto vejo,
estremecendo
satisfeitos,
os limites
do meu rei(no)...
Donald Byrd - That's All There Is To Love
quinta-feira, abril 24, 2008
Gauguin
Debaixo do jardim
do meu vestido,
sua mão colhe os perfumes
(escondidos)...
As palavras viram nuvens
no céu da minha boca
- chuva de gemidos -
e tudo que eu não digo
fica pleno de sentido...
Ike Quebec - Willow Weep For Me
do meu vestido,
sua mão colhe os perfumes
(escondidos)...
As palavras viram nuvens
no céu da minha boca
- chuva de gemidos -
e tudo que eu não digo
fica pleno de sentido...
Ike Quebec - Willow Weep For Me
segunda-feira, março 24, 2008
País
Quando nada mais se move,
a gota de suor mapeia a pele
- ao sabor dos pêlos -
em fronteiras salgadas,
praias sem areia,
que seus dedos apagam,
juntando as nossas terras
sob a mesma bandeira
de seda...
Lester Young - Stardust
a gota de suor mapeia a pele
- ao sabor dos pêlos -
em fronteiras salgadas,
praias sem areia,
que seus dedos apagam,
juntando as nossas terras
sob a mesma bandeira
de seda...
Lester Young - Stardust
sexta-feira, março 07, 2008
Paradoxo II
Antes de cada
repetido naufrágio,
ao sabor das minhas ondas,
mornas e ritmadas,
pulsa seu corpo
(à deriva!)
profundamente ancorado...
Count Basie - Right On, Right On
repetido naufrágio,
ao sabor das minhas ondas,
mornas e ritmadas,
pulsa seu corpo
(à deriva!)
profundamente ancorado...
Count Basie - Right On, Right On
domingo, fevereiro 17, 2008
Diving
Sua boca macia
contorna
a íntima forma
e me arrepia
quando molda
- na pele rósea -
a úmida pérola
que depois rola
na concha morna
da sua língua...
Ramsey Lewis - Since I Fell For You
contorna
a íntima forma
e me arrepia
quando molda
- na pele rósea -
a úmida pérola
que depois rola
na concha morna
da sua língua...
Ramsey Lewis - Since I Fell For You
quinta-feira, fevereiro 14, 2008
Quase Música...
Entre a sua palavra
e o meu sorriso,
vibra
o tempo preciso
do seu movimento,
que eu sigo,
atenta ao silêncio
do juízo
e ao ritmo (in)tenso
dos nossos ruídos...
Coleman Hawkins - Don't Love Me
e o meu sorriso,
vibra
o tempo preciso
do seu movimento,
que eu sigo,
atenta ao silêncio
do juízo
e ao ritmo (in)tenso
dos nossos ruídos...
Coleman Hawkins - Don't Love Me
terça-feira, fevereiro 05, 2008
Ippon (II)
Sobre seu corpo
me movo
- algo entre vôo e pouso -
até que você seja,
de novo,
indefesa presa
da minha leveza...
Miles Davis - Blue In Green
me movo
- algo entre vôo e pouso -
até que você seja,
de novo,
indefesa presa
da minha leveza...
Miles Davis - Blue In Green
segunda-feira, fevereiro 04, 2008
Silk
Seus dedos longos
- com arte -
me livram
dos papéis e dos laços,
da roupa e do disfarce...
Assim, me exponho,
úmida e iluminada,
sua, como no sonho,
sobre a seda falsa
- escarlate -
dessa cama sem dono,
mas nossa,
no meio da tarde...
Wayne Shorter - Lady Day
- com arte -
me livram
dos papéis e dos laços,
da roupa e do disfarce...
Assim, me exponho,
úmida e iluminada,
sua, como no sonho,
sobre a seda falsa
- escarlate -
dessa cama sem dono,
mas nossa,
no meio da tarde...
Wayne Shorter - Lady Day
terça-feira, janeiro 22, 2008
Lake
Quando você ri(o),
no seu leito
- estreito e infinito -
me deito,
alheia ao perigo
das pedras escondidas,
(até a margem cheia!)
e espero sua sede...
Chet Baker - What Is There To Say
no seu leito
- estreito e infinito -
me deito,
alheia ao perigo
das pedras escondidas,
(até a margem cheia!)
e espero sua sede...
Chet Baker - What Is There To Say
segunda-feira, janeiro 14, 2008
Eva
Enquanto peco,
ignoro o inferno
e peço o que preciso
para me manter
no paraíso...
Na língua, ainda,
seu sabor desfruto
(proibida gula!)
e me sinto linda
quando, faminta,
só a sua boca
é a mítica folha
entre as pernas minhas...
Ben Webster - Ill Wind
ignoro o inferno
e peço o que preciso
para me manter
no paraíso...
Na língua, ainda,
seu sabor desfruto
(proibida gula!)
e me sinto linda
quando, faminta,
só a sua boca
é a mítica folha
entre as pernas minhas...
Ben Webster - Ill Wind
sábado, janeiro 05, 2008
Traje De Luces
Na arena da cama
- sob o céu espelhado -
a luz vermelha do néon
que falha
brinca de me vestir de cor
quando eu não uso nada,
apenas as suas águas...
Paco De Lucia - Entre Dos Aguas
- sob o céu espelhado -
a luz vermelha do néon
que falha
brinca de me vestir de cor
quando eu não uso nada,
apenas as suas águas...
Paco De Lucia - Entre Dos Aguas
sexta-feira, janeiro 04, 2008
Iceberg
Amantes, nos ocultamos
- sem medo do naufrágio -
sob a fragilidade dos álibis,
quando nos atingem
a (pre)visível mentira
e a submersa verdade...
Astor Piazzola & Gerry Mulligan - Years Of Solitude
- sem medo do naufrágio -
sob a fragilidade dos álibis,
quando nos atingem
a (pre)visível mentira
e a submersa verdade...
Astor Piazzola & Gerry Mulligan - Years Of Solitude
segunda-feira, dezembro 31, 2007
LCD
No meu cristalino,
(virtual aquarela)
você, tela...
Líquida e feminina,
à sua frente,
eu, verso...
Cry Me A River - Dexter Gordon
(virtual aquarela)
você, tela...
Líquida e feminina,
à sua frente,
eu, verso...
Cry Me A River - Dexter Gordon
domingo, dezembro 16, 2007
Cartão
Quando a luz se apaga
(para nossa festa...)
minha chama se oferece
ao secreto pedido...
Num meio sorriso,
você sopra as velas
do barco do tempo
e, mar adentro,
me navega...
(para nossa festa...)
minha chama se oferece
ao secreto pedido...
Num meio sorriso,
você sopra as velas
do barco do tempo
e, mar adentro,
me navega...
sábado, dezembro 08, 2007
Par(ticular)
Na pista vazia,
sua mão me guia
pela tarde incomum...
Em movimentos circulares,
que levam a tantos lugares,
enquanto levam a lugar nenhum...
sua mão me guia
pela tarde incomum...
Em movimentos circulares,
que levam a tantos lugares,
enquanto levam a lugar nenhum...
quarta-feira, dezembro 05, 2007
segunda-feira, dezembro 03, 2007
Memorabilia
Na gaveta dos segredos,
que em certas noites visito,
guardo presente,
papel e
fita...
O cheiro da pétala seca,
qualquer pedaço de vela
perfumada,
colorida
e, derretida,
fico...
que em certas noites visito,
guardo presente,
papel e
fita...
O cheiro da pétala seca,
qualquer pedaço de vela
perfumada,
colorida
e, derretida,
fico...
sexta-feira, novembro 23, 2007
Filosofal
Apenas a magia
do nosso segredo,
guardado sob numeradas chaves,
pode transmutar
a escassez das horas
em incontáveis eternidades...
* Flamenco Sketches - Miles Davis - Kind Of Blue
** Para quem sabe tirar toda a importância do tempo...
do nosso segredo,
guardado sob numeradas chaves,
pode transmutar
a escassez das horas
em incontáveis eternidades...
* Flamenco Sketches - Miles Davis - Kind Of Blue
** Para quem sabe tirar toda a importância do tempo...
terça-feira, novembro 06, 2007
À beira
A mão que contorna,
por dentro
e por fora,
a pele macia,
retarda a cura
da minha agonia,
enquanto vasculha,
como se dona,
a carne rubra,
mas não me sacia!...
por dentro
e por fora,
a pele macia,
retarda a cura
da minha agonia,
enquanto vasculha,
como se dona,
a carne rubra,
mas não me sacia!...
segunda-feira, novembro 05, 2007
Risco
Em branco,
estendo o corpo:
folha,
tela,
partitura,
lençol e
memória
à espera
da palavra,
do traço,
da nota em sol,
do suor
onde mora
a nossa
escusa
história...
estendo o corpo:
folha,
tela,
partitura,
lençol e
memória
à espera
da palavra,
do traço,
da nota em sol,
do suor
onde mora
a nossa
escusa
história...
segunda-feira, outubro 29, 2007
segunda-feira, outubro 15, 2007
Idolatria
Você adora quando,
nada santa,
me descomponho
e entre seus joelhos
o beijo profano
protejo
com o véu castanho
dos cabelos...
nada santa,
me descomponho
e entre seus joelhos
o beijo profano
protejo
com o véu castanho
dos cabelos...
quinta-feira, outubro 04, 2007
Litterale
Quando meu gemido se confunde
com sua língua
de paixão estrangeira,
minhas unhas vermelhas
arranham vírgulas
no H mudo da cabeceira...
com sua língua
de paixão estrangeira,
minhas unhas vermelhas
arranham vírgulas
no H mudo da cabeceira...
quinta-feira, setembro 06, 2007
Jóia
Eu só quero
que você destrua
o delicado fio
do colar do tempo
guardado e sem uso
na sua caixa de dias
e me presenteie
com as horas avulsas...
que você destrua
o delicado fio
do colar do tempo
guardado e sem uso
na sua caixa de dias
e me presenteie
com as horas avulsas...
sexta-feira, agosto 31, 2007
Copy Desk
Minha mão faz,
incerta,
o rascunho do desejo
na sua pele...
Apaga, corrige,
(des)concerta o movimento,
o desenho...
Refaz o traço,
alinha os pêlos,
inventa novas tramas
e eu me perco
no perfeito
círculo da cama...
Quando me falta argumento,
é nos olhos mais castanhos que conheço
onde leio,
sem receio,
o amor, desde o começo,
e me compreendo...
incerta,
o rascunho do desejo
na sua pele...
Apaga, corrige,
(des)concerta o movimento,
o desenho...
Refaz o traço,
alinha os pêlos,
inventa novas tramas
e eu me perco
no perfeito
círculo da cama...
Quando me falta argumento,
é nos olhos mais castanhos que conheço
onde leio,
sem receio,
o amor, desde o começo,
e me compreendo...
quinta-feira, agosto 23, 2007
Belas-(p)artes
Parte de mim
é forma
que se molda
e transpira...
Parte de ti
é cor,
que corta a minha retina,
(mas me ilumina!)...
Juntos, somos a linha
que tangencia a mentira,
enquanto esboça o amor...
é forma
que se molda
e transpira...
Parte de ti
é cor,
que corta a minha retina,
(mas me ilumina!)...
Juntos, somos a linha
que tangencia a mentira,
enquanto esboça o amor...
domingo, agosto 12, 2007
Suicídio
No quarto,
sem a fumaça
dançarina do seu cigarro,
respiro o fato:
o ar puro da sua ausência
me mata...
sem a fumaça
dançarina do seu cigarro,
respiro o fato:
o ar puro da sua ausência
me mata...
terça-feira, agosto 07, 2007
sexta-feira, agosto 03, 2007
Last Dance*
O sol já venceu o néon,
quando a dança termina
com beijos
sem batom...
...mas, ardentes e doloridos,
- como só últimos acordes são -
nossos olhos fechados
ainda tentam reter
a escuridão...
*Dancing In The Dark - Cannonball Adderley
quando a dança termina
com beijos
sem batom...
...mas, ardentes e doloridos,
- como só últimos acordes são -
nossos olhos fechados
ainda tentam reter
a escuridão...
*Dancing In The Dark - Cannonball Adderley
quinta-feira, julho 26, 2007
Arremate
Você, agulha,
fura minha defesa
e me costura
com o fio multicor
da luxúria...
Estendo o sonho
tecido no escuro,
revelando a trama
e a textura...
Rasgo o pudor
quando você me chama
e abro o corpo,
apaixonada e sua,
no bastidor da cama...
fura minha defesa
e me costura
com o fio multicor
da luxúria...
Estendo o sonho
tecido no escuro,
revelando a trama
e a textura...
Rasgo o pudor
quando você me chama
e abro o corpo,
apaixonada e sua,
no bastidor da cama...
terça-feira, julho 24, 2007
Querer
Sua mão,
indecente e travessa,
atravessa o limite
da seda...
O tecido escorrega,
não cobre, nem mostra,
apenas permite
a entrega...
Intensa é a pressa
e devassa me acho,
se você me devassa,
seminua e descalça...
indecente e travessa,
atravessa o limite
da seda...
O tecido escorrega,
não cobre, nem mostra,
apenas permite
a entrega...
Intensa é a pressa
e devassa me acho,
se você me devassa,
seminua e descalça...
domingo, julho 22, 2007
Celofane
Quem me ama
não traz buquê,
nem flor...
Entre os dedos,
quem sabe o aroma,
talvez a pétala
em violeta dégradé...
Quem eu amo
não imagina o valor
de esquecer o ramo
e me cobrir de cor...
não traz buquê,
nem flor...
Entre os dedos,
quem sabe o aroma,
talvez a pétala
em violeta dégradé...
Quem eu amo
não imagina o valor
de esquecer o ramo
e me cobrir de cor...
domingo, julho 15, 2007
Saudade
Quando me toco,
depois de horas,
meu corpo ainda chora
na palma macia
a íntima lágrima
- doce e viscosa -
da nossa alegria...
depois de horas,
meu corpo ainda chora
na palma macia
a íntima lágrima
- doce e viscosa -
da nossa alegria...
sábado, junho 30, 2007
Imaginária
Perdida,
imagino o destino
do carinho peregrino...
Onde termina
o volátil caminho
(úmida linha)
da sua língua
na pele minha...
imagino o destino
do carinho peregrino...
Onde termina
o volátil caminho
(úmida linha)
da sua língua
na pele minha...
domingo, junho 10, 2007
Passeio
O beijo sobre a seda,
sobre o seio,
molha o arrepio -
braille do desejo...
Descendente,
a língua borda a renda,
alisa o pêlo,
lambe a fonte -
baile sem parceiro...
A sede da sua boca
só se acalma na enchente,
na água da minha fome,
que brota lentamente
enquanto você me come...
sobre o seio,
molha o arrepio -
braille do desejo...
Descendente,
a língua borda a renda,
alisa o pêlo,
lambe a fonte -
baile sem parceiro...
A sede da sua boca
só se acalma na enchente,
na água da minha fome,
que brota lentamente
enquanto você me come...
Maldade
Na fragilidade da teia
esgarçada da mentira
repousa nosso desejo,
levemente adormecido...
Acordada sob seu peso,
sem culpa pelo que somos,
depois de viver meus sonhos,
eu piso os sonhos alheios...
esgarçada da mentira
repousa nosso desejo,
levemente adormecido...
Acordada sob seu peso,
sem culpa pelo que somos,
depois de viver meus sonhos,
eu piso os sonhos alheios...
domingo, junho 03, 2007
Fábula
Eu me alimento do significado das palavras
que você espalha feito trilha de migalhas
e deixo o amor perdido no nosso dicionário...
que você espalha feito trilha de migalhas
e deixo o amor perdido no nosso dicionário...
terça-feira, maio 08, 2007
Demãos
Antes que seque
o bico do seio,
eu molho
outro gozo...
Antes que o beijo,
suave vermelho
no meu pescoço,
magicamente,
se pinte de roxo,
eu quero
de novo...
o bico do seio,
eu molho
outro gozo...
Antes que o beijo,
suave vermelho
no meu pescoço,
magicamente,
se pinte de roxo,
eu quero
de novo...
quinta-feira, abril 19, 2007
Ardil
Pelos atalhos perdidos
entre palavras mentirosas
e sinceros sentidos,
brilham nossas vidas cruzadas
(paralelo paraíso!),
céu em noite de festa:
o fogo
e o artifício...
entre palavras mentirosas
e sinceros sentidos,
brilham nossas vidas cruzadas
(paralelo paraíso!),
céu em noite de festa:
o fogo
e o artifício...
sábado, abril 14, 2007
Still
Ainda quero
o beijo e a pausa,
na ponta da língua
o gosto da palavra
e o silêncio da vontade...
Ainda quero
a mão e a carne,
na ponta do dedo
o mel do desejo
e o sal da saudade...
Ainda quero
o impossível e o fato,
o amor no improvável quarto,
o sempre, apesar do limite,
o tudo, apesar de tudo,
ou o pouco que a vida permite...
o beijo e a pausa,
na ponta da língua
o gosto da palavra
e o silêncio da vontade...
Ainda quero
a mão e a carne,
na ponta do dedo
o mel do desejo
e o sal da saudade...
Ainda quero
o impossível e o fato,
o amor no improvável quarto,
o sempre, apesar do limite,
o tudo, apesar de tudo,
ou o pouco que a vida permite...
terça-feira, abril 10, 2007
Cetim
Adormeço
entre os cheiros
que você deixou
no lençol vermelho,
vulgar e sublime,
desfeito...
Só desperto, acesa,
sob a luz falsa no teto
e sob seu peso,
verdadeiro...
entre os cheiros
que você deixou
no lençol vermelho,
vulgar e sublime,
desfeito...
Só desperto, acesa,
sob a luz falsa no teto
e sob seu peso,
verdadeiro...
domingo, abril 01, 2007
Por (h)ora
Por enquanto
basta o encontro
de fugidias horas,
o abençoado agora,
que faz o interminável antes
desimportante...
basta o encontro
de fugidias horas,
o abençoado agora,
que faz o interminável antes
desimportante...
sexta-feira, março 16, 2007
quinta-feira, março 08, 2007
quinta-feira, fevereiro 22, 2007
Multimídia
Tatuada no papel
a poesia cicatriza
azul-céu
e se traduz
no colorido abraço,
na carícia do traço
do seu pincel...
a poesia cicatriza
azul-céu
e se traduz
no colorido abraço,
na carícia do traço
do seu pincel...
domingo, fevereiro 18, 2007
segunda-feira, fevereiro 12, 2007
Pernoite
No arco do abraço
encaixo o corpo
e espero o sono,
mas me contorço
se a sua barba
marca meu pescoço
e desperta o sonho...
encaixo o corpo
e espero o sono,
mas me contorço
se a sua barba
marca meu pescoço
e desperta o sonho...
quarta-feira, janeiro 31, 2007
Galeria
Óbvios,
apesar de todos os disfarces,
expostos
como quadros
emoldurados,
iluminados
e falsos,
passivos alvos
de todos os olhares,
permanecemos arte...
apesar de todos os disfarces,
expostos
como quadros
emoldurados,
iluminados
e falsos,
passivos alvos
de todos os olhares,
permanecemos arte...
quinta-feira, janeiro 25, 2007
Dominatrix
Sob meu corpo,
permaneça...
Afaste minhas rendas
negras,
e beba o mel do meu desejo...
Seja minha indefesa
presa,
e que eu seja
sua única certeza...
Olhos vendados
pelos meus dedos
e no peito a mordida,
antes do beijo...
Dentro de mim transborde
sua correnteza e eu guardo,
íntima represa,
as águas claras
do nosso segredo...
permaneça...
Afaste minhas rendas
negras,
e beba o mel do meu desejo...
Seja minha indefesa
presa,
e que eu seja
sua única certeza...
Olhos vendados
pelos meus dedos
e no peito a mordida,
antes do beijo...
Dentro de mim transborde
sua correnteza e eu guardo,
íntima represa,
as águas claras
do nosso segredo...
domingo, janeiro 21, 2007
sexta-feira, janeiro 19, 2007
Body Art*
Seus dedos aram meus pêlos,
molham as pontas,
germinam sonhos,
colhem latejos
da pele morna...
Moreno braço
faz cerca firme
à minha volta
e o anjo,
levemente,
se move...
* Para C.
molham as pontas,
germinam sonhos,
colhem latejos
da pele morna...
Moreno braço
faz cerca firme
à minha volta
e o anjo,
levemente,
se move...
* Para C.
sábado, janeiro 13, 2007
Passatempo
Como resposta ao enigma
da nossa mútua vontade
apenas a respiração
partida
entre as palavras
cruzadas...
da nossa mútua vontade
apenas a respiração
partida
entre as palavras
cruzadas...
quinta-feira, janeiro 04, 2007
Conjunção
Inesperado cupido,
teu mítico sagitário
(ambíguo signo)
mergulha a seta
ascendente da paixão
na nascente do veneno
do meu obsceno
escorpião...
teu mítico sagitário
(ambíguo signo)
mergulha a seta
ascendente da paixão
na nascente do veneno
do meu obsceno
escorpião...
quinta-feira, dezembro 28, 2006
Tatoo
Deixe-me sem mistério,
vestida de sentimento,
exposta pele,
desenhada de sol,
de arte e de tempo...
Deixe-me molhada
e seca de vontade,
paradoxo suspirante,
namorada,
amante...
More nos meus espaços,
vagos,
demarque fronteiras novas,
pinte, invente,
meu proibido mago...
O meu prazer é fácil
quando sinto seus lábios
e sua língua sem palavras
apagando o que é passado,
escrevendo sua história
na mais íntima das minhas memórias...
vestida de sentimento,
exposta pele,
desenhada de sol,
de arte e de tempo...
Deixe-me molhada
e seca de vontade,
paradoxo suspirante,
namorada,
amante...
More nos meus espaços,
vagos,
demarque fronteiras novas,
pinte, invente,
meu proibido mago...
O meu prazer é fácil
quando sinto seus lábios
e sua língua sem palavras
apagando o que é passado,
escrevendo sua história
na mais íntima das minhas memórias...
sexta-feira, dezembro 22, 2006
Ampliação
Avessa aos instantâneos,
ao excesso da imagem digital,
sinto seu mergulho nos meus líquidos
e a mágica da química
no escuro dos nossos sentidos
mostra o contraste de cada sinal...
A rubra atmosfera,
o tempo certo da espera
prova o que somos
tal qual foto no varal...
Quero o preto e o branco,
objetiva,
mas na longa exposição
seu foco vibra
e eu me revelo
femininamente colorida...
ao excesso da imagem digital,
sinto seu mergulho nos meus líquidos
e a mágica da química
no escuro dos nossos sentidos
mostra o contraste de cada sinal...
A rubra atmosfera,
o tempo certo da espera
prova o que somos
tal qual foto no varal...
Quero o preto e o branco,
objetiva,
mas na longa exposição
seu foco vibra
e eu me revelo
femininamente colorida...
quinta-feira, dezembro 07, 2006
Merlot
Predestinados, nos encontramos...
Sem hora marcada,
sem sonhos.
Apenas a realidade da nudez,
o arrepio sem frio,
o leito,
a margem
e o rio...
Desavisados, nos entregamos,
íntimos estranhos.
Marcas por toda parte,
sedes desesperadas
e duas inexplicáveis taças
intactas...
Sem hora marcada,
sem sonhos.
Apenas a realidade da nudez,
o arrepio sem frio,
o leito,
a margem
e o rio...
Desavisados, nos entregamos,
íntimos estranhos.
Marcas por toda parte,
sedes desesperadas
e duas inexplicáveis taças
intactas...
quinta-feira, novembro 30, 2006
Truque
Mensagens codificadas
camuflam nosso caso...
Trocados os dados,
apagamos os rastros
dos telefonemas rápidos...
Penumbra nos dias ensolarados,
pequenos disfarces,
mas a luz acesa nos quartos
numerados...
Para que nunca nos encontrem
por mais que procurem
vestígios ou fatos,
sem notar que sua senha brilha
num verso bonito
e seu nome rima com meus atos
falhos...
camuflam nosso caso...
Trocados os dados,
apagamos os rastros
dos telefonemas rápidos...
Penumbra nos dias ensolarados,
pequenos disfarces,
mas a luz acesa nos quartos
numerados...
Para que nunca nos encontrem
por mais que procurem
vestígios ou fatos,
sem notar que sua senha brilha
num verso bonito
e seu nome rima com meus atos
falhos...
segunda-feira, novembro 27, 2006
quinta-feira, novembro 23, 2006
Estigma
O amor que me marca,
concebido com todas as máculas,
desenha na pele cada passo da paixão:
a umidade do beijo,
que apaga todo o passado,
a pressão dos dedos,
que tatua a futura saudade,
a mordida,
a permitida invasão...
Então me ajoelho
sem oração,
nego as vontades
sem convicção
e me revelo fraca,
como as amantes são.
Cometo, todos os dias,
o pecado nada original,
sem medo do castigo...
E espero todas as horas
que me salve, sem mais demora,
o seu interno batismo...
concebido com todas as máculas,
desenha na pele cada passo da paixão:
a umidade do beijo,
que apaga todo o passado,
a pressão dos dedos,
que tatua a futura saudade,
a mordida,
a permitida invasão...
Então me ajoelho
sem oração,
nego as vontades
sem convicção
e me revelo fraca,
como as amantes são.
Cometo, todos os dias,
o pecado nada original,
sem medo do castigo...
E espero todas as horas
que me salve, sem mais demora,
o seu interno batismo...
quarta-feira, novembro 08, 2006
Carbônico
Quando o amor fica taquicárdico
e evapora toda a sanidade,
inspiramos o ar da partida iminente,
fumaça fria na pele que arde...
Expira a validade dos nossos álibis
e sufocamos até a próxima tarde...
e evapora toda a sanidade,
inspiramos o ar da partida iminente,
fumaça fria na pele que arde...
Expira a validade dos nossos álibis
e sufocamos até a próxima tarde...
segunda-feira, novembro 06, 2006
Sweet Home
Quando sou o teto e você, o piso,
da casa viva que construímos,
palafita incerta onde o amor mora
e que o prazer visita,
só o móbile dos cabelos
minha nudez enfeita...
O sistino seio, pintado com seus beijos,
eterniza o efêmero na sua retina...
Então você encontra
as janelas mais íntimas,
abre as cortinas
e nos ilumina...
da casa viva que construímos,
palafita incerta onde o amor mora
e que o prazer visita,
só o móbile dos cabelos
minha nudez enfeita...
O sistino seio, pintado com seus beijos,
eterniza o efêmero na sua retina...
Então você encontra
as janelas mais íntimas,
abre as cortinas
e nos ilumina...
segunda-feira, outubro 09, 2006
Crayon
Não venha pronto.
Venha esboço,
planta,
plano.
Venha idéia,
tijolo,
sonho.
Espaço em branco
que eu completo,
onde eu desenho,
leio e assino...
Venha a lápis,
venha menino,
(re)nasça onde eu vivo,
rascunho da minha espera,
homem definitivo.
Venha esboço,
planta,
plano.
Venha idéia,
tijolo,
sonho.
Espaço em branco
que eu completo,
onde eu desenho,
leio e assino...
Venha a lápis,
venha menino,
(re)nasça onde eu vivo,
rascunho da minha espera,
homem definitivo.
terça-feira, outubro 03, 2006
Pole Position
Hoje eu tiro primeiro
a camisa com seu cheiro
enquanto beijo seu peito...
Hoje eu abro primeiro
o botão, o zíper, a boca,
sentindo até onde cabe,
até onde posso,
até quando ouso...
Hoje eu gozo primeiro
ao ver como um filme perfeito
sua nudez e o meu vestido
(descaradamente erguido)
colorindo a tela do espelho...
a camisa com seu cheiro
enquanto beijo seu peito...
Hoje eu abro primeiro
o botão, o zíper, a boca,
sentindo até onde cabe,
até onde posso,
até quando ouso...
Hoje eu gozo primeiro
ao ver como um filme perfeito
sua nudez e o meu vestido
(descaradamente erguido)
colorindo a tela do espelho...
sexta-feira, setembro 15, 2006
Incenso
Mais uma madrugada
vazia de palavras,
plena de sentido,
outros sentidos plenamente saciados,
corpos em laço, adormecidos...
Desenhos de fumaça,
indianos signos,
guiam nossos sonhos de pecado
para um futuro paraíso...
Um movimento, um som, um desejo proibido
matam o sono para salvar a vida
e arde nos meus olhos um novo pedido...
Sua resposta vem num sorriso puro,
enquanto a brasa perfumada e rubra
queima lentamente no escuro...
vazia de palavras,
plena de sentido,
outros sentidos plenamente saciados,
corpos em laço, adormecidos...
Desenhos de fumaça,
indianos signos,
guiam nossos sonhos de pecado
para um futuro paraíso...
Um movimento, um som, um desejo proibido
matam o sono para salvar a vida
e arde nos meus olhos um novo pedido...
Sua resposta vem num sorriso puro,
enquanto a brasa perfumada e rubra
queima lentamente no escuro...
segunda-feira, setembro 11, 2006
Audaz
Para quem já teve medo.
Quanto mais clara é minha palavra
e mais expostos brilham meus perigos,
mais a sua boca, em trilha incerta,
hesita, vai e volta, acaba comigo...
Se o seu amor junta as mil partes
em que o prazer me quebra,
o meu amor rompe as mil grades
com que você se cerca...
Vencido, você rasga os mapas,
vencida, eu arrisco o amigo:
em qualquer sentido
estaremos perdidos...
E se desfaz no beijo proibido
tudo o que era, antes, impossível...
Quanto mais clara é minha palavra
e mais expostos brilham meus perigos,
mais a sua boca, em trilha incerta,
hesita, vai e volta, acaba comigo...
Se o seu amor junta as mil partes
em que o prazer me quebra,
o meu amor rompe as mil grades
com que você se cerca...
Vencido, você rasga os mapas,
vencida, eu arrisco o amigo:
em qualquer sentido
estaremos perdidos...
E se desfaz no beijo proibido
tudo o que era, antes, impossível...
sexta-feira, setembro 01, 2006
Razões
Sim, eu me viro,
dobro o corpo e espalho a alma
quando você sorri o desejo, mas não fala,
faz a palavra desnecessária...
Sim, eu me abro
em braços, pernas, boca...
Quero cada gota do seu silêncio
latejado e morno...
Sim, para qualquer pedido.
Sua, para qualquer loucura.
Porque me agrada ser a segunda,
dona absoluta de coisa nenhuma,
outra, porém única.
Porque eu gosto do seu olhar perdido
quando eu venço, por vida súbita,
o jogo antigo em que você reluta,
mas me procura pedindo abrigo...
dobro o corpo e espalho a alma
quando você sorri o desejo, mas não fala,
faz a palavra desnecessária...
Sim, eu me abro
em braços, pernas, boca...
Quero cada gota do seu silêncio
latejado e morno...
Sim, para qualquer pedido.
Sua, para qualquer loucura.
Porque me agrada ser a segunda,
dona absoluta de coisa nenhuma,
outra, porém única.
Porque eu gosto do seu olhar perdido
quando eu venço, por vida súbita,
o jogo antigo em que você reluta,
mas me procura pedindo abrigo...
segunda-feira, agosto 28, 2006
Siesta
Antes, venha.
A espera faminta foi suficiente
para molhar por dentro
o caminho do seu movimento...
Nem palavra, nem beijo:
o penetrar apenas,
esse deslizar interno
que vem, vem, vem
sabendo que machuca mais
quando faz que sai...
Depois, permaneça.
Acomode seu peso às minhas costas,
enquanto nossas pernas se roçam...
Sinta meu suspiro no seu peito
e, se por acaso vibrar inteiro,
aceite o convite que faço
para um lento recomeço...
A espera faminta foi suficiente
para molhar por dentro
o caminho do seu movimento...
Nem palavra, nem beijo:
o penetrar apenas,
esse deslizar interno
que vem, vem, vem
sabendo que machuca mais
quando faz que sai...
Depois, permaneça.
Acomode seu peso às minhas costas,
enquanto nossas pernas se roçam...
Sinta meu suspiro no seu peito
e, se por acaso vibrar inteiro,
aceite o convite que faço
para um lento recomeço...
terça-feira, agosto 22, 2006
Manhã
Esfrego, na sua barba de um dia,
um 'eu te amo' dolorido,
na pele, beijos e pedidos,
lábios perdidos nas teias
das veias e dos pêlos,
onde deixo palavras soltas,
frases sem sentido
e meu desejo explícito...
Mas a resposta esperada
só lava o meu sorriso
quando minha boca,
vazia de palavras,
silencia...
um 'eu te amo' dolorido,
na pele, beijos e pedidos,
lábios perdidos nas teias
das veias e dos pêlos,
onde deixo palavras soltas,
frases sem sentido
e meu desejo explícito...
Mas a resposta esperada
só lava o meu sorriso
quando minha boca,
vazia de palavras,
silencia...
sexta-feira, agosto 11, 2006
Festim
Estou farta do vazio das suas palavras...
Bêbada da sede nunca saciada,
seca de úmidas vontades...
Em mim não cabe mais tanto nada,
mas espero ansiosa a hora não marcada...
Você promete ficar já indo embora,
enquanto meu corpo faz de conta que dorme,
vestindo apenas a sua falta,
alimentando o sonho com as sobras
desse interminável banquete de migalhas...
Bêbada da sede nunca saciada,
seca de úmidas vontades...
Em mim não cabe mais tanto nada,
mas espero ansiosa a hora não marcada...
Você promete ficar já indo embora,
enquanto meu corpo faz de conta que dorme,
vestindo apenas a sua falta,
alimentando o sonho com as sobras
desse interminável banquete de migalhas...
sexta-feira, agosto 04, 2006
Prelúdio
Na sua boca beijo meu nome
e o som se faz interno aceno,
o irresistível obceno do amor
e seus movimentos...
Você vem...
Eu vou...
Trêmulo pêndulo...
Fico fora de mim
quando você me chama
de dentro...
e o som se faz interno aceno,
o irresistível obceno do amor
e seus movimentos...
Você vem...
Eu vou...
Trêmulo pêndulo...
Fico fora de mim
quando você me chama
de dentro...
Assinar:
Postagens (Atom)