O que você viver,
amores,
prazeres,
despudores,
é seu caminho...
Eu sou seu destino.
"Yo sé que estoy ligado a ti/ más fuerte que la hiedra/ porque tus ojos de mis sueños/ no pueden separarse jamás." Agustín Lara
segunda-feira, junho 06, 2005
domingo, junho 05, 2005
Mudança
Largo meu corpo sobre o seu
e espero o ar que me falta,
a voz que me falha,
a alma que se foi
pra dentro do seu corpo...
Um dia, quem sabe,
eles voltam...
e espero o ar que me falta,
a voz que me falha,
a alma que se foi
pra dentro do seu corpo...
Um dia, quem sabe,
eles voltam...
Nirvana
Não penso mais no amor,
nem o procuro.
Não sonho mais com o amor,
nem com seu futuro.
Não tento entender o amor,
nem o analiso.
Não faço do amor inferno,
nem paraíso.
Eu amo.
Só isso.
nem o procuro.
Não sonho mais com o amor,
nem com seu futuro.
Não tento entender o amor,
nem o analiso.
Não faço do amor inferno,
nem paraíso.
Eu amo.
Só isso.
sábado, junho 04, 2005
Caso
Depois do prazer
que você me dá,
mesmo à sombra
do nosso segredo,
no fogo do seu olhar,
eu brilho...
que você me dá,
mesmo à sombra
do nosso segredo,
no fogo do seu olhar,
eu brilho...
Água
Meu maior desejo hoje
foi ser dona do mar
para colocar a seus pés
água,
areia,
concha,
sal...
Como sou dona apenas
desse amor sem limite
me faço seu oceano
e espero seu mergulho.
foi ser dona do mar
para colocar a seus pés
água,
areia,
concha,
sal...
Como sou dona apenas
desse amor sem limite
me faço seu oceano
e espero seu mergulho.
Úmida
Exausta pelo amor das nossas almas,
sonhando com o amor dos nossos corpos,
dormi como se em seus braços estivesse
e acordei com seus perfumes dentro...
sonhando com o amor dos nossos corpos,
dormi como se em seus braços estivesse
e acordei com seus perfumes dentro...
sexta-feira, junho 03, 2005
Condão
Amor inesperado,
já é alta madrugada...
Vamos fazer nossa mágica?
Palavras, virem gemidos...
Gemidos, virem sussurros...
Tornem-se os sons do desejo
a respiração de quem goza,
em completo descontrole...
Amor desesperado,
escuta quem te chama...
Vem ser feliz em mim,
Vem assim...
Deita aqui do meu lado,
vamos incendiar nossa cama...
já é alta madrugada...
Vamos fazer nossa mágica?
Palavras, virem gemidos...
Gemidos, virem sussurros...
Tornem-se os sons do desejo
a respiração de quem goza,
em completo descontrole...
Amor desesperado,
escuta quem te chama...
Vem ser feliz em mim,
Vem assim...
Deita aqui do meu lado,
vamos incendiar nossa cama...
quinta-feira, junho 02, 2005
quarta-feira, junho 01, 2005
Lente
Nada há de escapar
ao meu olhar.
O contorno da sua boca,
o movimento dos seus dedos,
suas alegrias
e medos...
A cor do seu cabelo,
seu jeito de andar,
o modo como a luz
incide e desenha
seu desejo...
Nada há de passar despercebido,
o som do seu gemido,
o calor da pele,
o poro,
a célula...
O formato da unha,
a curvatura do pé,
a calma do seu sono,
o brilho do seu prazer,
seu gosto,
seu cheiro,
tudo o que você é...
O meu amor é minucioso,
abusado,
curioso,
escancarado...
Para conhecer você,
meu homem,
nasci sua mulher...
ao meu olhar.
O contorno da sua boca,
o movimento dos seus dedos,
suas alegrias
e medos...
A cor do seu cabelo,
seu jeito de andar,
o modo como a luz
incide e desenha
seu desejo...
Nada há de passar despercebido,
o som do seu gemido,
o calor da pele,
o poro,
a célula...
O formato da unha,
a curvatura do pé,
a calma do seu sono,
o brilho do seu prazer,
seu gosto,
seu cheiro,
tudo o que você é...
O meu amor é minucioso,
abusado,
curioso,
escancarado...
Para conhecer você,
meu homem,
nasci sua mulher...
Obceninha
Tanto quanto o prazer do corpo,
quero te dar o sorriso inesperado,
uma ponta de saudade
e desejos de pecado.
Quero te dar cada minuto
de cada hora
de cada dia
de cada ano
de cada década...
Quero te dar o tempo!
O céu que vi,
a Lua que vejo
entre nuvens rasgadas
e o meu amor.
Meu amor, quero te dar...
quero te dar o sorriso inesperado,
uma ponta de saudade
e desejos de pecado.
Quero te dar cada minuto
de cada hora
de cada dia
de cada ano
de cada década...
Quero te dar o tempo!
O céu que vi,
a Lua que vejo
entre nuvens rasgadas
e o meu amor.
Meu amor, quero te dar...
terça-feira, maio 31, 2005
Sua
Pra você o perfume,
o gesto, o traço,
o movimento das pernas,
o jeito de olhar as telas,
o abraço.
Pra você o beijo,
os peixes, os seixos,
o fogo do meu desejo,
o que você pede e eu deixo...
Pra você o som,
o sol, a pressa,
o riso cortando a conversa,
o sexo.
Pra você a mão,
a boca
e o resto...
o gesto, o traço,
o movimento das pernas,
o jeito de olhar as telas,
o abraço.
Pra você o beijo,
os peixes, os seixos,
o fogo do meu desejo,
o que você pede e eu deixo...
Pra você o som,
o sol, a pressa,
o riso cortando a conversa,
o sexo.
Pra você a mão,
a boca
e o resto...
Zen
Fico olhando você viver
sua vida longe de mim
e espero, tranqüila...
Porque sei que todas as noites
você virá assim...
Andando como se corresse,
correndo como se voasse,
voando como um passarinho
para o calor do meu ninho...
sua vida longe de mim
e espero, tranqüila...
Porque sei que todas as noites
você virá assim...
Andando como se corresse,
correndo como se voasse,
voando como um passarinho
para o calor do meu ninho...
segunda-feira, maio 30, 2005
domingo, maio 29, 2005
Querer
Não quero nada.
Nem mar,
nem Lua...
Deixa a luz das velas,
deixa a tinta nas telas...
Bloco, caneta, verso
por nada disso
me interesso...
Dia, noite, madrugada,
almoço, jantar ou café...
Não quero nada,
nem Deus...
Quero só o tempo que você
me deve,
uma hora, um minuto,
ainda que breve...
Deixo o resto do mundo
para os passarinhos...
O que eu quero?
Nós dois,
sozinhos...
Nem mar,
nem Lua...
Deixa a luz das velas,
deixa a tinta nas telas...
Bloco, caneta, verso
por nada disso
me interesso...
Dia, noite, madrugada,
almoço, jantar ou café...
Não quero nada,
nem Deus...
Quero só o tempo que você
me deve,
uma hora, um minuto,
ainda que breve...
Deixo o resto do mundo
para os passarinhos...
O que eu quero?
Nós dois,
sozinhos...
Medo
Quero ser sua
pra descobrir que estou enganada...
Que não pode ser assim tão bom,
que você não é quem eu penso...
Quero ser sua
pra confirmar que é péssimo,
que somos errados juntos,
que somos falhos...
Quero ser sua
por todos os motivos
que me livrem desse desejo,
que me façam partir
sem me voltar...
Porque essa perfeição de alma,
esse jeito de corpo,
esse riso bobo,
tudo isso e mais
precisa terminar...
Não tem vida suficiente,
pra eu amar você,
se tudo isso for verdade...
pra descobrir que estou enganada...
Que não pode ser assim tão bom,
que você não é quem eu penso...
Quero ser sua
pra confirmar que é péssimo,
que somos errados juntos,
que somos falhos...
Quero ser sua
por todos os motivos
que me livrem desse desejo,
que me façam partir
sem me voltar...
Porque essa perfeição de alma,
esse jeito de corpo,
esse riso bobo,
tudo isso e mais
precisa terminar...
Não tem vida suficiente,
pra eu amar você,
se tudo isso for verdade...
sábado, maio 28, 2005
Lamento
Deixa o tempo passar...
Deixa o tempo...
Deixa...
Que uma hora
há de ser passado
esse nosso presente
desesperado
e sem futuro...
Deixa o tempo trabalhar
silencioso e constante
para acalmar nosso encontro
barulhento e eventual...
Deixa a vida correr...
Deixa a vida...
Deixa...
Que um dia desses,
uma noite dessas,
vamos parar de sonhar
nossos sonhos iguais,
para querer mais
realidade,
possibilidade,
paz...
Deixa tudo,
mas não me deixa...
Não agora...
Não ainda...
Ainda espero...
Vem...
Deixa o tempo...
Deixa...
Que uma hora
há de ser passado
esse nosso presente
desesperado
e sem futuro...
Deixa o tempo trabalhar
silencioso e constante
para acalmar nosso encontro
barulhento e eventual...
Deixa a vida correr...
Deixa a vida...
Deixa...
Que um dia desses,
uma noite dessas,
vamos parar de sonhar
nossos sonhos iguais,
para querer mais
realidade,
possibilidade,
paz...
Deixa tudo,
mas não me deixa...
Não agora...
Não ainda...
Ainda espero...
Vem...
Uso
Escuta...
A voz do meu desejo te chamando...
Vem...
Meu corpo não suporta roupa
quando te espero assim...
Olha...
O arrepio brotando na minha pele
e o suor brilhando...
Toca...
Minha boca machucada
de mordida que dei
desejando seu beijo...
Cura...
Essa dependência,
essa fome,
essa loucura...
Beija...
Meu seio, meu sexo, minha alma...
Toma...
O que é teu sem pedir,
me consome e vai embora...
Que agora eu preciso dormir...
A voz do meu desejo te chamando...
Vem...
Meu corpo não suporta roupa
quando te espero assim...
Olha...
O arrepio brotando na minha pele
e o suor brilhando...
Toca...
Minha boca machucada
de mordida que dei
desejando seu beijo...
Cura...
Essa dependência,
essa fome,
essa loucura...
Beija...
Meu seio, meu sexo, minha alma...
Toma...
O que é teu sem pedir,
me consome e vai embora...
Que agora eu preciso dormir...
Sob domínio
Ela estava parada na calçada.
Não esperava nada, exceto talvez um bendito táxi que a tirasse daquele friozinho inesperado e a levasse para o costumeiro frio de sua casa. Ergueu a cabeça para respirar porque ultimamente parecia que o ar era insuficiente, rarefeito como em grandes altitudes, o que era um paradoxo uma vez que a sensação era de estar num buraco fundo...
Foi no movimento lento de baixar a cabeça que ela o viu, parado do outro lado da rua, esperando um táxi, talvez? Não. Mais parecia que ele esperava que ela o visse, tal a maneira fixa como a encarava por sobre os carros parados no congestionamento da rua boêmia.
Ela queria desviar o olhar, condicionada por uma educação fora de época, queria erguer um escudo, uma muralha, uma fortaleza onde ficasse imune ao que pressentia no olhar dele. Não conseguiu. Ele, imóvel, apenas esperava.
Os olhos... Os olhos presos a ela, como se reféns do mesmo sentimento inexplicável. Como se fossem íntimos desconhecidos. Ao redor deles o burburinho aumentava com o avanço dos minutos. Algumas pessoas estranhavam a mulher parada, outras reclamavam passagem. Ela não percebia nada. Só sentia que a espera tinha terminado. Não queria mais o bendito táxi. Não sentia mais frio. Sentia a face quente como se febril.
Ele deu um passo para a rua. Buzinas. O passo firme o trouxe pela correnteza de carros. O olhar nela. E a rua sendo atravessada devagar. E os olhos nela, sempre.
O único movimento dela era aquele respirar sofrido, que fazia o peito subir e descer depressa. Via a aproximação dele indefesa, ou melhor, sem querer se defender. Poderia ter andado para longe. Poderia ter corrido. Gritado. Desaparecido na multidão. Não fez nada. Queria atravessar a metade da rua que faltava para estar com ele.
Perto. Tão perto ele estava que o perfume que usava invadiu os pulmões dela, e, de repente, o ar era bom de novo. Tão perto que o perfume dela arrepiou os pêlos dele. Eles se respiravam.
Os olhos deles agora se buscavam, querendo ver a alma. Ela viu o medo dele, que também era o dela. Ele viu a solidão dela, a mesma solidão que dormia com ele todas as noites.
Sem sequer notarem as mãos se tocaram, se enroscaram, se prenderam com força, os dedos ficando brancos, ligeiramente doloridos.
Ela abriu os lábios, como se fosse dizer algo. Ele engoliu em seco e sorriu. Ela não disse nada, ficou olhando aquele sorriso subir para os olhos dele, o que o fez parecer menino. E ela teve que sorrir também, um pouco tímida, um pouco moleca como há muito não se sentia.
E os dois deram o primeiro passo juntos. E o segundo... Sabiam para onde estavam indo, finalmente. O caminho brilhava com neon e desejo à frente deles.
Uma porta. Paredes. O barulho lá fora, distante. E dentro o barulho de beijos e roupas jogadas no chão naquele quarto simples, barato, testemunha de outros amores, alguns sinceros, outros pagos.
E o desejo vinha em ondas. O corpo dele vinha em ondas dentro dela. E o corpo dela o recebia com uma vontade que parecia não ter fim. E não tinha.
O prazer independia do gozo, mas o gozo veio. Entre gemidos e suor. E pele ardendo e lençol molhado. E corações batendo, batendo, batendo... O sangue pulsando nos ouvidos, um zunido...
Não esperava nada, exceto talvez um bendito táxi que a tirasse daquele friozinho inesperado e a levasse para o costumeiro frio de sua casa. Ergueu a cabeça para respirar porque ultimamente parecia que o ar era insuficiente, rarefeito como em grandes altitudes, o que era um paradoxo uma vez que a sensação era de estar num buraco fundo...
Foi no movimento lento de baixar a cabeça que ela o viu, parado do outro lado da rua, esperando um táxi, talvez? Não. Mais parecia que ele esperava que ela o visse, tal a maneira fixa como a encarava por sobre os carros parados no congestionamento da rua boêmia.
Ela queria desviar o olhar, condicionada por uma educação fora de época, queria erguer um escudo, uma muralha, uma fortaleza onde ficasse imune ao que pressentia no olhar dele. Não conseguiu. Ele, imóvel, apenas esperava.
Os olhos... Os olhos presos a ela, como se reféns do mesmo sentimento inexplicável. Como se fossem íntimos desconhecidos. Ao redor deles o burburinho aumentava com o avanço dos minutos. Algumas pessoas estranhavam a mulher parada, outras reclamavam passagem. Ela não percebia nada. Só sentia que a espera tinha terminado. Não queria mais o bendito táxi. Não sentia mais frio. Sentia a face quente como se febril.
Ele deu um passo para a rua. Buzinas. O passo firme o trouxe pela correnteza de carros. O olhar nela. E a rua sendo atravessada devagar. E os olhos nela, sempre.
O único movimento dela era aquele respirar sofrido, que fazia o peito subir e descer depressa. Via a aproximação dele indefesa, ou melhor, sem querer se defender. Poderia ter andado para longe. Poderia ter corrido. Gritado. Desaparecido na multidão. Não fez nada. Queria atravessar a metade da rua que faltava para estar com ele.
Perto. Tão perto ele estava que o perfume que usava invadiu os pulmões dela, e, de repente, o ar era bom de novo. Tão perto que o perfume dela arrepiou os pêlos dele. Eles se respiravam.
Os olhos deles agora se buscavam, querendo ver a alma. Ela viu o medo dele, que também era o dela. Ele viu a solidão dela, a mesma solidão que dormia com ele todas as noites.
Sem sequer notarem as mãos se tocaram, se enroscaram, se prenderam com força, os dedos ficando brancos, ligeiramente doloridos.
Ela abriu os lábios, como se fosse dizer algo. Ele engoliu em seco e sorriu. Ela não disse nada, ficou olhando aquele sorriso subir para os olhos dele, o que o fez parecer menino. E ela teve que sorrir também, um pouco tímida, um pouco moleca como há muito não se sentia.
E os dois deram o primeiro passo juntos. E o segundo... Sabiam para onde estavam indo, finalmente. O caminho brilhava com neon e desejo à frente deles.
Uma porta. Paredes. O barulho lá fora, distante. E dentro o barulho de beijos e roupas jogadas no chão naquele quarto simples, barato, testemunha de outros amores, alguns sinceros, outros pagos.
E o desejo vinha em ondas. O corpo dele vinha em ondas dentro dela. E o corpo dela o recebia com uma vontade que parecia não ter fim. E não tinha.
O prazer independia do gozo, mas o gozo veio. Entre gemidos e suor. E pele ardendo e lençol molhado. E corações batendo, batendo, batendo... O sangue pulsando nos ouvidos, um zunido...
Calmaria vindo. Respirar mais lento. Corpos unidos ainda, pernas trançadas. Cabelos espalhados. E um riso leve...
Os olhos dela dentro dos dele. Os dois sem perguntas, sem nome, sem pressa. Apenas a aceitação do destino. Talvez fossem dois carentes. Talvez fossem dois viciados. O único receio que tiveram foi serem feitos um para o outro. E eram.
Os olhos dela dentro dos dele. Os dois sem perguntas, sem nome, sem pressa. Apenas a aceitação do destino. Talvez fossem dois carentes. Talvez fossem dois viciados. O único receio que tiveram foi serem feitos um para o outro. E eram.
sexta-feira, maio 27, 2005
Pão e Circo
Seu suor na minha pele
é tinta na tela
e seus dedos deslizam
criando formas,
sombras,
luzes...
Sou seu quadro.
Meu suor na sua pele
é água na terra
e meus dedos plantam
sementes de desejo,
mudas de sussurros,
sonhos...
Você é meu alimento.
Eu existo para sua contemplação.
Você existe para minha sobrevivência.
é tinta na tela
e seus dedos deslizam
criando formas,
sombras,
luzes...
Sou seu quadro.
Meu suor na sua pele
é água na terra
e meus dedos plantam
sementes de desejo,
mudas de sussurros,
sonhos...
Você é meu alimento.
Eu existo para sua contemplação.
Você existe para minha sobrevivência.
quinta-feira, maio 26, 2005
Eco
Algumas vezes preciso de música alta,
naquele volume de tremer paredes,
copos tilintarem no armário,
vizinho de cara feia por um mês...
Tenho vontade de correr, não andar;
de parar com esse sussurro
e enrouquecer de tanto grito;
de sair desse coma emocional
para morrer de paixão...
Preciso do exagero,
do excesso de loucura,
de chorar aos litros
porque tudo é tão bonito
que dói...
De vez em quando
tenho que chegar ao limite
e do limite passar sem medo,
os olhos fechados e o corpo aberto
para o orgasmo múltiplo que é a vida...
E o som bem alto, trovejando na sala,
porque tem noites chuvosas como essa,
em que preciso sangrar o tímpano
para escutar minha verdadeira voz...
naquele volume de tremer paredes,
copos tilintarem no armário,
vizinho de cara feia por um mês...
Tenho vontade de correr, não andar;
de parar com esse sussurro
e enrouquecer de tanto grito;
de sair desse coma emocional
para morrer de paixão...
Preciso do exagero,
do excesso de loucura,
de chorar aos litros
porque tudo é tão bonito
que dói...
De vez em quando
tenho que chegar ao limite
e do limite passar sem medo,
os olhos fechados e o corpo aberto
para o orgasmo múltiplo que é a vida...
E o som bem alto, trovejando na sala,
porque tem noites chuvosas como essa,
em que preciso sangrar o tímpano
para escutar minha verdadeira voz...
Olhar
Hoje choveu
o dia inteiro...
O tempo está feio,
falaram alto...
Mas de que outro jeito,
esta noite,
teríamos estrelas
no asfalto?
o dia inteiro...
O tempo está feio,
falaram alto...
Mas de que outro jeito,
esta noite,
teríamos estrelas
no asfalto?
quarta-feira, maio 25, 2005
Intervalo
Estou feliz demais para fazer poesia.
Meu verso ri,
a rima destoa,
à toa como eu...
As palavras dançam
diante de mim,
escorregam da caneta e
se espalham no papel,
em festa...
Então lanço ao vento minhas páginas
e meu corpo lanço, nu e leve,
nos seus braços...
Às vezes, desistir é a maior vitória...
Vamos deixar a poesia pra mais tarde...
Meu verso ri,
a rima destoa,
à toa como eu...
As palavras dançam
diante de mim,
escorregam da caneta e
se espalham no papel,
em festa...
Então lanço ao vento minhas páginas
e meu corpo lanço, nu e leve,
nos seus braços...
Às vezes, desistir é a maior vitória...
Vamos deixar a poesia pra mais tarde...
terça-feira, maio 24, 2005
Via Embratel
Liga...
Por favor, eu preciso...
Quero você,
quero seus ouvidos
onde deposito meus gemidos,
o riso frouxo
e o pranto do gozo...
Estou perdendo meu pouco juízo...
Liga, meu amor, liga...
Por favor, eu preciso...
Quero você,
quero seus ouvidos
onde deposito meus gemidos,
o riso frouxo
e o pranto do gozo...
Estou perdendo meu pouco juízo...
Liga, meu amor, liga...
Dorme...
Quando amanhece e deixo sua cama,
levo comigo as olheiras que a noite me deu...
Enquanto você dorme ignorando o relógio,
conto os segundos até a próxima vez...
Assim é esse amor que partilhamos:
você sorri sonhando, os olhos fechados
e eu volto correndo para os seus agrados,
de olhos abertos, mas sem nada ver...
levo comigo as olheiras que a noite me deu...
Enquanto você dorme ignorando o relógio,
conto os segundos até a próxima vez...
Assim é esse amor que partilhamos:
você sorri sonhando, os olhos fechados
e eu volto correndo para os seus agrados,
de olhos abertos, mas sem nada ver...
segunda-feira, maio 23, 2005
Chega
Não quero mais arder
na minha própria chama...
Nem o alívio
de minhas mãos
errantes...
Preciso do fogo
que existe nos teus olhos
e do teu corpo
dentro do meu...
Agora.
Ou antes...
na minha própria chama...
Nem o alívio
de minhas mãos
errantes...
Preciso do fogo
que existe nos teus olhos
e do teu corpo
dentro do meu...
Agora.
Ou antes...
domingo, maio 22, 2005
Repeat
A música começa
e termina...
Recomeça...
Outra vez...
Repete...
Nossos corpos,
íntimos...
Indo...
Vindo...
Indo...
Vindo...
Repete..
Amor...
Repete...
Amo.
(Toca, Pink Floyd...Mudmen... de novo...)
e termina...
Recomeça...
Outra vez...
Repete...
Nossos corpos,
íntimos...
Indo...
Vindo...
Indo...
Vindo...
Repete..
Amor...
Repete...
Amo.
(Toca, Pink Floyd...Mudmen... de novo...)
sábado, maio 21, 2005
Tântrico
Sou sua há horas,
dias, meses, eras...
Quem sabe o que é o tempo?
E o que importa?
Só sei que quando estamos juntos,
ele pára...
E, se nesse momento,
você pára dentro de mim
e espera,
sei que serei sua ainda
por eras, meses, dias, horas, sempre...
Vem, me dá um beijo, agora...
dias, meses, eras...
Quem sabe o que é o tempo?
E o que importa?
Só sei que quando estamos juntos,
ele pára...
E, se nesse momento,
você pára dentro de mim
e espera,
sei que serei sua ainda
por eras, meses, dias, horas, sempre...
Vem, me dá um beijo, agora...
Paz
Não há poesia
que deixe mais bonito
o que existe entre nós.
Então largo tudo,
fecho os olhos
e ouço,
dentro de mim,
a sua voz.
que deixe mais bonito
o que existe entre nós.
Então largo tudo,
fecho os olhos
e ouço,
dentro de mim,
a sua voz.
sexta-feira, maio 20, 2005
quinta-feira, maio 19, 2005
Solo
Existem músicas
que entram
pelos poros.
Existem pessoas
que são como
essas músicas.
Em mim,
só toca solo
de você...
que entram
pelos poros.
Existem pessoas
que são como
essas músicas.
Em mim,
só toca solo
de você...
Amém
Benditas sejam todas as paixões...
As grandes, as loucas, as desenfreadas paixões
que vêm nunca se sabe de onde
nem quando...
Benditas as febres,
as mãos trêmulas,
as loucuras,
que atiram longe juízo, roupas e decoro...
Perdoada seja minha alma,
pois meu corpo está pleno de pecados
que não trazem culpa ou medo...
Bendito seja esse constante ceder
desnorteado,
e a calma com que aceito
o destino e o desatino...
Graças ao deus sorridente
que nos deu a mesma sina:
amor de alma,
paixão de cama
e vida.
As grandes, as loucas, as desenfreadas paixões
que vêm nunca se sabe de onde
nem quando...
Benditas as febres,
as mãos trêmulas,
as loucuras,
que atiram longe juízo, roupas e decoro...
Perdoada seja minha alma,
pois meu corpo está pleno de pecados
que não trazem culpa ou medo...
Bendito seja esse constante ceder
desnorteado,
e a calma com que aceito
o destino e o desatino...
Graças ao deus sorridente
que nos deu a mesma sina:
amor de alma,
paixão de cama
e vida.
Matiz
Lá fora um dia
cinza.
Cá dentro teu olho
marrom.
No meu peito amor
vermelho.
Na tua voz adeus
amarelo.
O ar me falta
azul.
A vida fica em
preto-e-branco.
cinza.
Cá dentro teu olho
marrom.
No meu peito amor
vermelho.
Na tua voz adeus
amarelo.
O ar me falta
azul.
A vida fica em
preto-e-branco.
quarta-feira, maio 18, 2005
Quimera
Eu sonho tuas mãos
em meus profundos becos,
tua boca nos meus labirintos,
minhas mãos enredando cabelos
e no seu corpo
o furor e a fome
da minha boca...
Sonho camas, mesas, escadas,
degraus onde sejam iguais
nossas alturas,
minhas pernas enroscadas,
teu braço na minha cintura...
Sonho água e uísque,
fumaça de cigarro
e teu sexo pronto
para a neblina
desse encontro...
Sonho beijo,
mordida e riso,
tenho nos dedos
o toque preciso
e o sexo aberto
pra tua retina...
De olhos abertos,
meu amor, eu sonho.
em meus profundos becos,
tua boca nos meus labirintos,
minhas mãos enredando cabelos
e no seu corpo
o furor e a fome
da minha boca...
Sonho camas, mesas, escadas,
degraus onde sejam iguais
nossas alturas,
minhas pernas enroscadas,
teu braço na minha cintura...
Sonho água e uísque,
fumaça de cigarro
e teu sexo pronto
para a neblina
desse encontro...
Sonho beijo,
mordida e riso,
tenho nos dedos
o toque preciso
e o sexo aberto
pra tua retina...
De olhos abertos,
meu amor, eu sonho.
Gozo
O prazer
está escapando
por meus dedos
feito água,
então te bebo
em goles largos
e só te liberto
em lágrimas.
está escapando
por meus dedos
feito água,
então te bebo
em goles largos
e só te liberto
em lágrimas.
terça-feira, maio 17, 2005
Tocaia
A paixão me cerca por todos os lados...
Espreita, circula, lança em mim seu olhar direto.
A paixão não dissimula, não joga,
vem nua e sincera a meu encontro
e eu, sincera e nua, me entrego
de coração leve
e corpo aberto.
Espreita, circula, lança em mim seu olhar direto.
A paixão não dissimula, não joga,
vem nua e sincera a meu encontro
e eu, sincera e nua, me entrego
de coração leve
e corpo aberto.
segunda-feira, maio 16, 2005
Nua
Você chegando,
a vida interrompendo
meu desesperado desejo,
sua esperada cumplicidade
colocando asas nas pontas
dos meus dedos...
O tempo voando, voando...
e minhas rendas
esquecidas no chão...
a vida interrompendo
meu desesperado desejo,
sua esperada cumplicidade
colocando asas nas pontas
dos meus dedos...
O tempo voando, voando...
e minhas rendas
esquecidas no chão...
Fala...
Sua voz é linda.
Tem um jeito ritmado
de falar as palavras
como se elas tivessem
um sabor secreto,
quando ditas assim, de leve,
para não arranhar as sílabas
que passam por seus lábios...
Sua voz tem sorriso.
As palavras vêm abertas como bandeiras,
alegres,
coloridas,
brasileiras...
Sua voz é feliz como
pipa no céu...
Sua voz é macia
como pluma de passarinho,
sussurra coisas que eu não acredito
e ilumina meus olhos de desejos...
Só a magia da sua voz
tem o poder de provocar
essa minha inexplicável
mudez...
Tem um jeito ritmado
de falar as palavras
como se elas tivessem
um sabor secreto,
quando ditas assim, de leve,
para não arranhar as sílabas
que passam por seus lábios...
Sua voz tem sorriso.
As palavras vêm abertas como bandeiras,
alegres,
coloridas,
brasileiras...
Sua voz é feliz como
pipa no céu...
Sua voz é macia
como pluma de passarinho,
sussurra coisas que eu não acredito
e ilumina meus olhos de desejos...
Só a magia da sua voz
tem o poder de provocar
essa minha inexplicável
mudez...
Nau
A voz do teu desejo
orienta minha mão
em cada movimento...
A voz do meu desejo
acende teu corpo,
onde me lanço sempre.
Depois, no escuro,
a brasa do teu cigarro brilha,
farol que me guia
até o porto da tua boca...
orienta minha mão
em cada movimento...
A voz do meu desejo
acende teu corpo,
onde me lanço sempre.
Depois, no escuro,
a brasa do teu cigarro brilha,
farol que me guia
até o porto da tua boca...
domingo, maio 15, 2005
Banho-maria
Uma palavra por dia
alimenta o fogo
que me derrete
em chama lenta...
Um beijo por dia
atiça a brasa
que marca em meu corpo
o segredo do seu...
Depois,
a água do banho resfria a pele,
lava a lágrima,
o suor e o sêmen,
mas conserva o cheiro,
até que novamente,
você me queime...
alimenta o fogo
que me derrete
em chama lenta...
Um beijo por dia
atiça a brasa
que marca em meu corpo
o segredo do seu...
Depois,
a água do banho resfria a pele,
lava a lágrima,
o suor e o sêmen,
mas conserva o cheiro,
até que novamente,
você me queime...
Doce
No meu jardim de outono,
sob a paixão ensolarada,
as flores da primavera
se tornam frutos inchados,
que adoçam tua boca...
sob a paixão ensolarada,
as flores da primavera
se tornam frutos inchados,
que adoçam tua boca...
sábado, maio 14, 2005
Passatempo
Você me pediu
que não falasse mais de ..........,
porque falar de ..........
cria laços,
nós emaranhados
como nós.
Só que não falar de ..........,
não pensar em ..........,
não impede que o .......... surja,
de repente,
dentro da gente.
Essa palavra não dita
flutua sorridente,
pousa nos seus lábios,
faz cócegas no meu ouvido,
ecoa no meu coração.
O eu te .......... proibido,
não escrito, não falado
entrego em beijos,
em sorrisos, em afagos
e nesse jogo de criança
de completar os pontilhados.
(ouvindo Frejat... "Eu não sei dizer te amo")
que não falasse mais de ..........,
porque falar de ..........
cria laços,
nós emaranhados
como nós.
Só que não falar de ..........,
não pensar em ..........,
não impede que o .......... surja,
de repente,
dentro da gente.
Essa palavra não dita
flutua sorridente,
pousa nos seus lábios,
faz cócegas no meu ouvido,
ecoa no meu coração.
O eu te .......... proibido,
não escrito, não falado
entrego em beijos,
em sorrisos, em afagos
e nesse jogo de criança
de completar os pontilhados.
(ouvindo Frejat... "Eu não sei dizer te amo")
sexta-feira, maio 13, 2005
Em claro
Amo a madrugada silenciosa
que junta meu verso a tua prosa,
teu passo firme e a minha dança,
a distância que nos separa
e o desejo que nos entrosa...
Amo a madrugada que nos cobre
e une minha fome a tua fome,
minha palavra a teu sorriso,
tua carícia aos meus gemidos,
teu vinho transbordando minha taça...
Amo a madrugada,
quando livre de roupas e pudores,
deito em tua cama,
bebo teus sabores
e de olhos abertos,
apaixonados,
eu me sinto
tua amada...
que junta meu verso a tua prosa,
teu passo firme e a minha dança,
a distância que nos separa
e o desejo que nos entrosa...
Amo a madrugada que nos cobre
e une minha fome a tua fome,
minha palavra a teu sorriso,
tua carícia aos meus gemidos,
teu vinho transbordando minha taça...
Amo a madrugada,
quando livre de roupas e pudores,
deito em tua cama,
bebo teus sabores
e de olhos abertos,
apaixonados,
eu me sinto
tua amada...
quinta-feira, maio 12, 2005
Cio
Meu passo segue o ritmo
da tua música
no meu ouvido.
Meu corpo exala o cheiro
do teu amor
impossível.
O destino que te trouxe
a minha porta
é o mesmo
que vai me colocar
a teus pés...
da tua música
no meu ouvido.
Meu corpo exala o cheiro
do teu amor
impossível.
O destino que te trouxe
a minha porta
é o mesmo
que vai me colocar
a teus pés...
Vem
Vem...
Rasga minha roupa
e minha lucidez,
marca minha pele de beijos,
eriça meus pêlos...
Agora...
Dobra minha vontade,
dobra meus joelhos,
que sou escrava
do teu desejo...
Vem...
Olha nos meus olhos,
puxa meus cabelos,
estou sempre pronta
para os teus apelos...
Assim...
Vem depressa,
estou te esperando,
infinitamente,
dentro de mim...
Vem!
Rasga minha roupa
e minha lucidez,
marca minha pele de beijos,
eriça meus pêlos...
Agora...
Dobra minha vontade,
dobra meus joelhos,
que sou escrava
do teu desejo...
Vem...
Olha nos meus olhos,
puxa meus cabelos,
estou sempre pronta
para os teus apelos...
Assim...
Vem depressa,
estou te esperando,
infinitamente,
dentro de mim...
Vem!
quarta-feira, maio 11, 2005
Medieval
Há eras te carrego
suspenso qual espada
sobre o coração...
Um respirar mais fundo,
um suspiro mais sentido,
um passo em falso
e me atravessas...
Não importa...
A espada que me fere
é a mesma que me defende
de amores menos nobres...
Tua é a lembrança
que me mantém pura
e me sustenta
quando mergulho
em águas turvas...
suspenso qual espada
sobre o coração...
Um respirar mais fundo,
um suspiro mais sentido,
um passo em falso
e me atravessas...
Não importa...
A espada que me fere
é a mesma que me defende
de amores menos nobres...
Tua é a lembrança
que me mantém pura
e me sustenta
quando mergulho
em águas turvas...
terça-feira, maio 10, 2005
Momentum
Tem um arrepio novo
na minha pele,
um sorriso bobo
na minha boca
e sinto um amor louco
pela paixão recém-nascida,
contra a qual meu corpo
não tem defesa...
Tem um poema novo
na minha cabeça,
um frio de pólo
na minha barriga
e sinto uma paixão louca
pelo amor proibido,
que põe cor em cada verso
da minha poesia...
na minha pele,
um sorriso bobo
na minha boca
e sinto um amor louco
pela paixão recém-nascida,
contra a qual meu corpo
não tem defesa...
Tem um poema novo
na minha cabeça,
um frio de pólo
na minha barriga
e sinto uma paixão louca
pelo amor proibido,
que põe cor em cada verso
da minha poesia...
No balcão de Julieta
Vamos deixar assim:
não quero teu nome,
endereço, telefone,
não quero nada de ti
além da fome...
Vamos fazer assim:
cubro teu corpo de beijos,
cumpro cada desejo,
inconfessável que seja,
sacio a sede...
Vamos viver assim:
enquanto valer a pena,
meu nome, tua mulher,
meu homem será teu nome...
não quero teu nome,
endereço, telefone,
não quero nada de ti
além da fome...
Vamos fazer assim:
cubro teu corpo de beijos,
cumpro cada desejo,
inconfessável que seja,
sacio a sede...
Vamos viver assim:
enquanto valer a pena,
meu nome, tua mulher,
meu homem será teu nome...
Pêndulo
Entre palavras e silêncios
nos movemos,
cuidadosamente.
Entre pausas e movimentos
nos amamos,
apaixonadamente.
Entre verdades e mentiras
nos olhamos,
curiosamente.
Entre o sim e o não
a brecha do talvez
nos devora,
inevitavelmente.
nos movemos,
cuidadosamente.
Entre pausas e movimentos
nos amamos,
apaixonadamente.
Entre verdades e mentiras
nos olhamos,
curiosamente.
Entre o sim e o não
a brecha do talvez
nos devora,
inevitavelmente.
domingo, maio 08, 2005
Naval
Meu amor é âncora
e não me afasto de ti...
Teu desamor é vento
me forçando a partir...
Minha vida
é corrente que resiste,
esticada até o limite...
e não me afasto de ti...
Teu desamor é vento
me forçando a partir...
Minha vida
é corrente que resiste,
esticada até o limite...
sábado, maio 07, 2005
Meia ponta
Eu me equilibro
na borda do dia
quando quase todos
dormem.
E danço levemente
na borda da poesia
quando quase todos
tremem.
E beijo tua boca
na borda do copo
quando quase todas
negam.
A beira do abismo
é o ponto mais seguro
quando quase todos
cercam.
Teu olhar no meu olhar
é meu desejo mais forte
quando chega minha hora
e salto.
na borda do dia
quando quase todos
dormem.
E danço levemente
na borda da poesia
quando quase todos
tremem.
E beijo tua boca
na borda do copo
quando quase todas
negam.
A beira do abismo
é o ponto mais seguro
quando quase todos
cercam.
Teu olhar no meu olhar
é meu desejo mais forte
quando chega minha hora
e salto.
sexta-feira, maio 06, 2005
Meu
Sei que teu amor
não foi a primeira vista...
Talvez nem mesmo a segunda...
Teu amor só aconteceu
quando fechaste
os olhos...
não foi a primeira vista...
Talvez nem mesmo a segunda...
Teu amor só aconteceu
quando fechaste
os olhos...
Química física
Tempo
que passa,
envelhece,
enruga,
branqueia.
Distância
que silencia,
impossibilita,
diminui.
Temperatura
de febre no corpo,
de frio lá fora,
de gelo no copo.
Foi muita pressão,
meu amor,
espera a explosão...
que passa,
envelhece,
enruga,
branqueia.
Distância
que silencia,
impossibilita,
diminui.
Temperatura
de febre no corpo,
de frio lá fora,
de gelo no copo.
Foi muita pressão,
meu amor,
espera a explosão...
sábado, abril 30, 2005
Tique-taque
O relógio parou,
o tempo, não.
Gostaria que tivesse sido
o contrário...
Os ponteiros girando
e o tempo sobre nós,
parado como o ar
do meio-dia,
deixando tudo eterno...
o tempo, não.
Gostaria que tivesse sido
o contrário...
Os ponteiros girando
e o tempo sobre nós,
parado como o ar
do meio-dia,
deixando tudo eterno...
Brisa
Um momento de silêncio,
uma calma infinita,
o olho do furacão.
Ao redor,
a vida girando,
enlouquecida,
procurando por nós.
Esquece, vida...
Estamos perdidos...
uma calma infinita,
o olho do furacão.
Ao redor,
a vida girando,
enlouquecida,
procurando por nós.
Esquece, vida...
Estamos perdidos...
Passo
Minha memória é falha,
mas guarda a medida exata
de teus passos pela casa,
o ritmo,
o som,
a pressa de chegar,
a lentidão ao partir.
Esse teu caminhar
pela minha vida,
visitando meus cantos escuros,
criou novas estradas
para novos destinos,
apagou pegadas antigas.
Minha memória é falha,
mas em minha mente brilha
como um farol
tua certeza de chegar,
com teus passos leves,
à minha alma perdida.
mas guarda a medida exata
de teus passos pela casa,
o ritmo,
o som,
a pressa de chegar,
a lentidão ao partir.
Esse teu caminhar
pela minha vida,
visitando meus cantos escuros,
criou novas estradas
para novos destinos,
apagou pegadas antigas.
Minha memória é falha,
mas em minha mente brilha
como um farol
tua certeza de chegar,
com teus passos leves,
à minha alma perdida.
terça-feira, abril 26, 2005
Noturna
Boa noite, insônia...
Senta aqui a meu lado,
dá palpite em minha poesia,
ri do meu ar patético
quando me rendo a ti...
Dormir para quê,
se o sonho só acontece
diante de meus olhos
vermelhos,
injetados,
febris,
inevitavelmente abertos...
Cama para quê, insônia,
se gosto de ficar assim,
passeando pela casa a teu lado,
alinhando livros,
vendo-te me olhar
com teus olhos solitários,
reflexos dos meus...
Boa noite, insônia,
vai embora, já é quase dia,
obrigada pela companhia...
Senta aqui a meu lado,
dá palpite em minha poesia,
ri do meu ar patético
quando me rendo a ti...
Dormir para quê,
se o sonho só acontece
diante de meus olhos
vermelhos,
injetados,
febris,
inevitavelmente abertos...
Cama para quê, insônia,
se gosto de ficar assim,
passeando pela casa a teu lado,
alinhando livros,
vendo-te me olhar
com teus olhos solitários,
reflexos dos meus...
Boa noite, insônia,
vai embora, já é quase dia,
obrigada pela companhia...
Lupa
Ando a procura da leveza,
mas meu coração pesa,
minha alma se enrosca em culpas
e o vôo da tua promessa
não acontece.
Ando a procura do silêncio,
mas tua voz não cala
dentro de mim.
Procuro o desejo que fere,
em dentes, unhas, olhos,
mas esse desejo só existe
sob teu peso,
que me deixaria o coração leve,
a alma solta,
o silêncio extasiado.
Procuro tua pele ensolarada,
tua cara de menino que fez arte,
teu jeito de homem que sabe
do mar,
do céu,
de mim.
E nessa minha busca
só encontro a certeza
de ser sempre
tua.
mas meu coração pesa,
minha alma se enrosca em culpas
e o vôo da tua promessa
não acontece.
Ando a procura do silêncio,
mas tua voz não cala
dentro de mim.
Procuro o desejo que fere,
em dentes, unhas, olhos,
mas esse desejo só existe
sob teu peso,
que me deixaria o coração leve,
a alma solta,
o silêncio extasiado.
Procuro tua pele ensolarada,
tua cara de menino que fez arte,
teu jeito de homem que sabe
do mar,
do céu,
de mim.
E nessa minha busca
só encontro a certeza
de ser sempre
tua.
segunda-feira, abril 25, 2005
Álbum
Pessoas colecionam selos,
moedas,
quadros,
conchas,
coisas.
Eu coleciono você
em lembranças,
em palavras,
em atos,
em mim.
moedas,
quadros,
conchas,
coisas.
Eu coleciono você
em lembranças,
em palavras,
em atos,
em mim.
Sentidos Falhos
Quantas vezes te vi
do outro lado da rua
e atravessei contrariando
os sinais?
Quantas vezes ouvi tua voz
na multidão,
perdida entre mil vozes?
E teu perfume no ar,
quantas vezes senti,
segui,
persegui?
Tanta busca para tão pouco encontro...
O rosto, a voz, e o cheiro
não eram teus...
És meu desejo projetado
diante de mim,
miragem,
graal.
Minha dor é ser tua,
enquanto tu apenas
és.
do outro lado da rua
e atravessei contrariando
os sinais?
Quantas vezes ouvi tua voz
na multidão,
perdida entre mil vozes?
E teu perfume no ar,
quantas vezes senti,
segui,
persegui?
Tanta busca para tão pouco encontro...
O rosto, a voz, e o cheiro
não eram teus...
És meu desejo projetado
diante de mim,
miragem,
graal.
Minha dor é ser tua,
enquanto tu apenas
és.
domingo, abril 24, 2005
Perdão
Eu te devo a luz do Sol.
Com que direito te condenei a sombra,
ao horário fixo,
ao silêncio?
Eu te devo o portão de minha casa
onde jamais estiveste.
Eu te devo minha família,
meus amigos,
minha vida,
um espaço na agenda,
uma foto no mural.
Porque têm horas em que o amor não basta.
Têm horas em que o amor...
O amor...
O amor esquece o outro,
que não quer ser só o outro,
quer ser o único.
Por te dever tanto,
por nada pedires,
por tudo eu te amo
e te peço perdão.
Com que direito te condenei a sombra,
ao horário fixo,
ao silêncio?
Eu te devo o portão de minha casa
onde jamais estiveste.
Eu te devo minha família,
meus amigos,
minha vida,
um espaço na agenda,
uma foto no mural.
Porque têm horas em que o amor não basta.
Têm horas em que o amor...
O amor...
O amor esquece o outro,
que não quer ser só o outro,
quer ser o único.
Por te dever tanto,
por nada pedires,
por tudo eu te amo
e te peço perdão.
sexta-feira, abril 22, 2005
Tinteiro
Quando me apaixono
compro canetas,
porque a poesia do mundo
há que sair de mim
aos jorros.
Quando me apaixono
brotam pilhas de papel
pela casa,
porque um verso fugidio
há que ser escrito
sem demora.
Quando me apaixono
nascem em mim
os excessos de palavras,
de gestos,
de sonhos.
E o sonho maior que tenho
é que a paixão
nunca me falte.
compro canetas,
porque a poesia do mundo
há que sair de mim
aos jorros.
Quando me apaixono
brotam pilhas de papel
pela casa,
porque um verso fugidio
há que ser escrito
sem demora.
Quando me apaixono
nascem em mim
os excessos de palavras,
de gestos,
de sonhos.
E o sonho maior que tenho
é que a paixão
nunca me falte.
Visual
Às vezes, mais do que sentir,
desejo ver o movimento de teus dedos
na minha pele,
o lento passeio,
o deslizar,
o aperto.
A hipnose premeditada
no toque,
no ritmo,
no silêncio quase completo
do nosso mundo de penumbra.
Sinto falta de olhar a posse sem posse
de tuas mãos no meu corpo,
a certeza de teus dedos,
a calma do carinho de quem se sabe dono
sem palavras,
sem papel,
sem papéis.
O desejo de te ver em mim
me cega.
desejo ver o movimento de teus dedos
na minha pele,
o lento passeio,
o deslizar,
o aperto.
A hipnose premeditada
no toque,
no ritmo,
no silêncio quase completo
do nosso mundo de penumbra.
Sinto falta de olhar a posse sem posse
de tuas mãos no meu corpo,
a certeza de teus dedos,
a calma do carinho de quem se sabe dono
sem palavras,
sem papel,
sem papéis.
O desejo de te ver em mim
me cega.
Em chamas
Quando resolveste voar, bárbaro,
sem intenção de retorno,
queimaste a ponte que flutuava
entre tua prisão e tua liberdade,
margens de tua vida.
Não há como saber se esse vôo
satisfez teus impossíveis anseios,
mas do calor das tuas chamas eu sei:
a ponte, bárbaro, era eu...
sem intenção de retorno,
queimaste a ponte que flutuava
entre tua prisão e tua liberdade,
margens de tua vida.
Não há como saber se esse vôo
satisfez teus impossíveis anseios,
mas do calor das tuas chamas eu sei:
a ponte, bárbaro, era eu...
Desalmada
Por baixo da pele,
minha alma te olha,
silenciosa.
Depois sai por meus poros,
em busca da gêmea,
que mora em ti.
minha alma te olha,
silenciosa.
Depois sai por meus poros,
em busca da gêmea,
que mora em ti.
quarta-feira, abril 20, 2005
Insidiosa
Entrei na sua vida pelas frestas,
um pouco de cada vez,
porque foi preciso conquistar
de dentro pra fora,
ser vitalmente necessária
sem que você percebesse.
Como eram altas demais suas muralhas,
entrei por suas portas mal fechadas,
aproveitei cada descuido
para deixar em você
um pouco de mim.
Até que chegou o dia
em que você me olhou
magicamente apaixonado...
Sua surpresa foi tanta
ao se ver tão possuído
que eu fiz cara de santa
e me deitei a seu lado...
um pouco de cada vez,
porque foi preciso conquistar
de dentro pra fora,
ser vitalmente necessária
sem que você percebesse.
Como eram altas demais suas muralhas,
entrei por suas portas mal fechadas,
aproveitei cada descuido
para deixar em você
um pouco de mim.
Até que chegou o dia
em que você me olhou
magicamente apaixonado...
Sua surpresa foi tanta
ao se ver tão possuído
que eu fiz cara de santa
e me deitei a seu lado...
Antes das seis
Os amores clandestinos são protegidos
pelos horários estranhos,
pelas janelas fechadas,
por nomes sem sobrenomes,
por códigos telefônicos...
São amores de meio de tarde,
de rendas novas,
serviço de quarto
e sonhos não partilhados,
última refeiçao do condenado...
Os amores escondidos têm o dom
de fazer o dia mais longo
para uma história caber
em outra história,
a vida ser duplicada...
Quando termina o prazo
de um amor proibido,
ele não consta na folha
corrida da nossa vida,
só fica na pele para sempre
um inexplicável arrepio...
pelos horários estranhos,
pelas janelas fechadas,
por nomes sem sobrenomes,
por códigos telefônicos...
São amores de meio de tarde,
de rendas novas,
serviço de quarto
e sonhos não partilhados,
última refeiçao do condenado...
Os amores escondidos têm o dom
de fazer o dia mais longo
para uma história caber
em outra história,
a vida ser duplicada...
Quando termina o prazo
de um amor proibido,
ele não consta na folha
corrida da nossa vida,
só fica na pele para sempre
um inexplicável arrepio...
terça-feira, abril 19, 2005
Lux
Se só és deus por minha idolatria,
que te amo entre pedidos e promessas,
dando graças a cada milagre que fazes
em minha vida perdida,
como posso te culpar por criar num gesto
a luz do prazer que me cega,
o paraíso de tua presença
e o inferno a que me condenas
com teu silêncio?
O poder que tens vem de mim,
que te criei anjo,
demônio,
homem.
que te amo entre pedidos e promessas,
dando graças a cada milagre que fazes
em minha vida perdida,
como posso te culpar por criar num gesto
a luz do prazer que me cega,
o paraíso de tua presença
e o inferno a que me condenas
com teu silêncio?
O poder que tens vem de mim,
que te criei anjo,
demônio,
homem.
sábado, abril 16, 2005
Corpo Fechado
Em cada célula do meu corpo
colocaste uma senha
secreta como a nossa vida.
A palavra mágica
que me abre
só tem sentido
nos teus lábios.
O meu feitiço
só se realiza
por teus meios
encantados.
Minhas portas cerradas
esperam o som
de tuas passadas
ritmadas.
Meu corpo diz não
se não é do teu corpo
a tão desejada
invasão.
colocaste uma senha
secreta como a nossa vida.
A palavra mágica
que me abre
só tem sentido
nos teus lábios.
O meu feitiço
só se realiza
por teus meios
encantados.
Minhas portas cerradas
esperam o som
de tuas passadas
ritmadas.
Meu corpo diz não
se não é do teu corpo
a tão desejada
invasão.
quinta-feira, abril 07, 2005
Desconhecida
Eu te dedico cada detalhe,
brinco colocado,
vestido meio justo,
perfume, salto alto
e no espelho,
de repente,
o susto:
quem é essa que me olha,
de olhar vidrado,
pensando sabe-se lá
no primeiro,
verdadeiro,
namorado?
Eu te dedico a primeira chama
que há de ser fogueira,
incêndio em mata seca
porque deixaste em mim
a brasa adormecida
que só espera teu sopro de vida.
brinco colocado,
vestido meio justo,
perfume, salto alto
e no espelho,
de repente,
o susto:
quem é essa que me olha,
de olhar vidrado,
pensando sabe-se lá
no primeiro,
verdadeiro,
namorado?
Eu te dedico a primeira chama
que há de ser fogueira,
incêndio em mata seca
porque deixaste em mim
a brasa adormecida
que só espera teu sopro de vida.
Mordida
Tenho fome.
Quero me nutrir de ti,
viver do som da tua voz
sem ligar para o que tua voz me diz...
Só o tom rouco,
o riso grave,
masculino...
Tenho fome.
Quero me saciar de ti,
saber teu suor,
teu gosto,
teu cheiro...
Quero teu corpo por inteiro.
Deixo tua alma para os anjos
se minha fome não chegar primeiro...
Quero me nutrir de ti,
viver do som da tua voz
sem ligar para o que tua voz me diz...
Só o tom rouco,
o riso grave,
masculino...
Tenho fome.
Quero me saciar de ti,
saber teu suor,
teu gosto,
teu cheiro...
Quero teu corpo por inteiro.
Deixo tua alma para os anjos
se minha fome não chegar primeiro...
Diário
Meu coração é meu calendário
tem segunda, terça, quarta...e os dias em que não te vejo
sangrando em vermelho.
No meu peito as fases da Lua
crescente, nova, minguante e cheia
dançam no alto dos meses
e das noites em que não fui tua.
Meu coração diz quando é feriado,
dia santo, facultativo ponto,
mas não sabe o dia ou a hora
do nosso eterno encontro marcado.
sábado, março 19, 2005
Ufa!
Quero casar com você
ou ter um filho seu
ou ir à Lua...
O que vier primeiro.
Porque você, às vezes,
meu amor,
complica...
ou ter um filho seu
ou ir à Lua...
O que vier primeiro.
Porque você, às vezes,
meu amor,
complica...
Momentânea
Hoje eu gostaria
de um fenomenal excesso de palavras
para explicar o simples.
Porque café na mesa,
beijo,
abraço,
vinho e vela,
quando caem na vida
perdem valor.
Hoje eu gostaria
de um pouco de mesuras,
flores novas,
encontro na rua,
namoro de volta
na nossa rotina...
Porque preciso ter,
de novo,
meu amante
vespertino...
de um fenomenal excesso de palavras
para explicar o simples.
Porque café na mesa,
beijo,
abraço,
vinho e vela,
quando caem na vida
perdem valor.
Hoje eu gostaria
de um pouco de mesuras,
flores novas,
encontro na rua,
namoro de volta
na nossa rotina...
Porque preciso ter,
de novo,
meu amante
vespertino...
Orgulho
Chega.
Cansei de esperar
o telefone tocar.
Vou me arrumar,
me perfumar,
e vou pra tua porta
te esperar
pessoalmente.
Cansei de esperar
o telefone tocar.
Vou me arrumar,
me perfumar,
e vou pra tua porta
te esperar
pessoalmente.
Adolescente
Deixa eu ser tua menina,
de pipoca no cinema,
saia curta, cabelão...
Deixa..
Deixa meu tempo parado...
Nas brincadeiras do passado,
quero ser tua princesa,
pular corda,
passa anel...
Quero ser sempre a primeira namorada,
chegar as dez, despenteada,
culpando a condução...
E ter você, com meus cadernos caminhando,
pelo caminho mais longo,
como em eternos quinze anos...
de pipoca no cinema,
saia curta, cabelão...
Deixa..
Deixa meu tempo parado...
Nas brincadeiras do passado,
quero ser tua princesa,
pular corda,
passa anel...
Quero ser sempre a primeira namorada,
chegar as dez, despenteada,
culpando a condução...
E ter você, com meus cadernos caminhando,
pelo caminho mais longo,
como em eternos quinze anos...
terça-feira, março 15, 2005
Bagagem
Toda mulher carrega seus fardos.
Eu carrego o peso
dos meus longos cabelos,
dos brincos cintilantes,
dos meus pequenos seios,
da bolsa com seus recheios,
da roupa que cobre os pêlos,
dos pêlos,
dos saltos,
dos erros...
E no fim da noite ainda desejo
sobre meus pesos
teu peso...
Eu carrego o peso
dos meus longos cabelos,
dos brincos cintilantes,
dos meus pequenos seios,
da bolsa com seus recheios,
da roupa que cobre os pêlos,
dos pêlos,
dos saltos,
dos erros...
E no fim da noite ainda desejo
sobre meus pesos
teu peso...
Cor de Rosa
Quando nasci mulher, eu não sabia do fardo.
Fazer o quê, a gente nunca sabe...
Contudo, nunca maldisse a minha sina
por ter sido feita menina...
Carrego em mim como se fossem adornos
a necessidade e alento,
uma ligeira falsa santidade,
o mudar de idéia a todo momento...
Quando nasci mulher,
eu não sabia do peso da culpa,
do tempo,
de um homem sobre mim,
mas os carrego com graça
e sigo diariamente meus caminhos,
com passos muito leves,
escandalosamente femininos...
Fazer o quê, a gente nunca sabe...
Contudo, nunca maldisse a minha sina
por ter sido feita menina...
Carrego em mim como se fossem adornos
a necessidade e alento,
uma ligeira falsa santidade,
o mudar de idéia a todo momento...
Quando nasci mulher,
eu não sabia do peso da culpa,
do tempo,
de um homem sobre mim,
mas os carrego com graça
e sigo diariamente meus caminhos,
com passos muito leves,
escandalosamente femininos...
domingo, março 13, 2005
Desejo
Nessas noites quentes
tua falta grita
como um lamento
por chuva
ou vento.
E estaticamente
minha pele sua
longe da tua.
tua falta grita
como um lamento
por chuva
ou vento.
E estaticamente
minha pele sua
longe da tua.
Castigo
Quisera poder te prender
como as palavras no papel.
E ver-te desbotar,
amarelar,
desintegrar,
numa gaveta esquecida.
Tua liberdade, no entanto,
é palavra ao vento
jamais escrita.
Eu te ouço como quem duvida,
e em lágrimas arrependidas
eu desboto,
amarelo,
desintegro,
no fundo de ti.
como as palavras no papel.
E ver-te desbotar,
amarelar,
desintegrar,
numa gaveta esquecida.
Tua liberdade, no entanto,
é palavra ao vento
jamais escrita.
Eu te ouço como quem duvida,
e em lágrimas arrependidas
eu desboto,
amarelo,
desintegro,
no fundo de ti.
Na espera
Que me venha o poema,
esse amante incerto
de palavras fugidias,
versos desconexos.
Que me venha o poema,
esse amor antigo,
seu gosto de mel
falseando o veneno.
Ilumine minhas noites
e preencha meus dias
numa quarentena,
meu dono, o poema.
Pois cada rima é um beijo,
cada letra, um carinho
do meu amante incerto,
do meu amor antigo,
do amigo poema
que vive comigo.
esse amante incerto
de palavras fugidias,
versos desconexos.
Que me venha o poema,
esse amor antigo,
seu gosto de mel
falseando o veneno.
Ilumine minhas noites
e preencha meus dias
numa quarentena,
meu dono, o poema.
Pois cada rima é um beijo,
cada letra, um carinho
do meu amante incerto,
do meu amor antigo,
do amigo poema
que vive comigo.
sexta-feira, março 11, 2005
terça-feira, março 08, 2005
Everest
Não me chame de amorzinho
que odeio diminutivos.
Quero ser sua paixão
ou nada.
Pode dizer que sou insuportável,
nunca chatinha.
Se é pra ser,
que eu seja o máximo.
De tudo.
que odeio diminutivos.
Quero ser sua paixão
ou nada.
Pode dizer que sou insuportável,
nunca chatinha.
Se é pra ser,
que eu seja o máximo.
De tudo.
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