Mútua é a sede
no calor da cama
onde nos (des)encontramos...
Entre meus lábios,
pulsa a fonte dos meus sonhos,
em sua boca
minha taça vibra
- transbordante -
e lentamente
nos saciamos...
Duke Ellington - The Star-Crossed Lovers
"Yo sé que estoy ligado a ti/ más fuerte que la hiedra/ porque tus ojos de mis sueños/ no pueden separarse jamás." Agustín Lara
segunda-feira, junho 16, 2008
terça-feira, junho 10, 2008
(Des)igual
Na dança muda
das coisas suas,
a vida flutua
para a nova rua...
Se (di)fere a vista,
permanece a cura
na volúvel face
da mesma Lua...
Dexter Gordon - You've Changed
das coisas suas,
a vida flutua
para a nova rua...
Se (di)fere a vista,
permanece a cura
na volúvel face
da mesma Lua...
Dexter Gordon - You've Changed
terça-feira, junho 03, 2008
Ponce De Leon
Em minha boca,
o gosto conhecido
anuncia o prazer
mais antigo,
mas a eterna juventude
do amor me renova,
enquanto me afogo
em suas águas
- sua até as lágrimas -
e gozo...
Ben Webster - Gone With The Wind
o gosto conhecido
anuncia o prazer
mais antigo,
mas a eterna juventude
do amor me renova,
enquanto me afogo
em suas águas
- sua até as lágrimas -
e gozo...
Ben Webster - Gone With The Wind
terça-feira, maio 27, 2008
Antuérpia
Na delicadeza
do meu silêncio
de amante
não cabe
o prazer do seu peso
sobre mim...
Assim,
minha palavra
- não lapidada -
brilha,
bruta,
na noite escura,
sem Lua,
treva de nanquim...
Ella Fitzgerald - When A Woman Loves A Man
do meu silêncio
de amante
não cabe
o prazer do seu peso
sobre mim...
Assim,
minha palavra
- não lapidada -
brilha,
bruta,
na noite escura,
sem Lua,
treva de nanquim...
Ella Fitzgerald - When A Woman Loves A Man
quarta-feira, abril 30, 2008
Godiva
Vestindo apenas os cabelos
- o suor recendendo
ao seu cheiro -
sobre seu corpo
passeio...
E do alto vejo,
estremecendo
satisfeitos,
os limites
do meu rei(no)...
Donald Byrd - That's All There Is To Love
- o suor recendendo
ao seu cheiro -
sobre seu corpo
passeio...
E do alto vejo,
estremecendo
satisfeitos,
os limites
do meu rei(no)...
Donald Byrd - That's All There Is To Love
quinta-feira, abril 24, 2008
Gauguin
Debaixo do jardim
do meu vestido,
sua mão colhe os perfumes
(escondidos)...
As palavras viram nuvens
no céu da minha boca
- chuva de gemidos -
e tudo que eu não digo
fica pleno de sentido...
Ike Quebec - Willow Weep For Me
do meu vestido,
sua mão colhe os perfumes
(escondidos)...
As palavras viram nuvens
no céu da minha boca
- chuva de gemidos -
e tudo que eu não digo
fica pleno de sentido...
Ike Quebec - Willow Weep For Me
segunda-feira, março 24, 2008
País
Quando nada mais se move,
a gota de suor mapeia a pele
- ao sabor dos pêlos -
em fronteiras salgadas,
praias sem areia,
que seus dedos apagam,
juntando as nossas terras
sob a mesma bandeira
de seda...
Lester Young - Stardust
a gota de suor mapeia a pele
- ao sabor dos pêlos -
em fronteiras salgadas,
praias sem areia,
que seus dedos apagam,
juntando as nossas terras
sob a mesma bandeira
de seda...
Lester Young - Stardust
sexta-feira, março 07, 2008
Paradoxo II
Antes de cada
repetido naufrágio,
ao sabor das minhas ondas,
mornas e ritmadas,
pulsa seu corpo
(à deriva!)
profundamente ancorado...
Count Basie - Right On, Right On
repetido naufrágio,
ao sabor das minhas ondas,
mornas e ritmadas,
pulsa seu corpo
(à deriva!)
profundamente ancorado...
Count Basie - Right On, Right On
domingo, fevereiro 17, 2008
Diving
Sua boca macia
contorna
a íntima forma
e me arrepia
quando molda
- na pele rósea -
a úmida pérola
que depois rola
na concha morna
da sua língua...
Ramsey Lewis - Since I Fell For You
contorna
a íntima forma
e me arrepia
quando molda
- na pele rósea -
a úmida pérola
que depois rola
na concha morna
da sua língua...
Ramsey Lewis - Since I Fell For You
quinta-feira, fevereiro 14, 2008
Quase Música...
Entre a sua palavra
e o meu sorriso,
vibra
o tempo preciso
do seu movimento,
que eu sigo,
atenta ao silêncio
do juízo
e ao ritmo (in)tenso
dos nossos ruídos...
Coleman Hawkins - Don't Love Me
e o meu sorriso,
vibra
o tempo preciso
do seu movimento,
que eu sigo,
atenta ao silêncio
do juízo
e ao ritmo (in)tenso
dos nossos ruídos...
Coleman Hawkins - Don't Love Me
terça-feira, fevereiro 05, 2008
Ippon (II)
Sobre seu corpo
me movo
- algo entre vôo e pouso -
até que você seja,
de novo,
indefesa presa
da minha leveza...
Miles Davis - Blue In Green
me movo
- algo entre vôo e pouso -
até que você seja,
de novo,
indefesa presa
da minha leveza...
Miles Davis - Blue In Green
segunda-feira, fevereiro 04, 2008
Silk
Seus dedos longos
- com arte -
me livram
dos papéis e dos laços,
da roupa e do disfarce...
Assim, me exponho,
úmida e iluminada,
sua, como no sonho,
sobre a seda falsa
- escarlate -
dessa cama sem dono,
mas nossa,
no meio da tarde...
Wayne Shorter - Lady Day
- com arte -
me livram
dos papéis e dos laços,
da roupa e do disfarce...
Assim, me exponho,
úmida e iluminada,
sua, como no sonho,
sobre a seda falsa
- escarlate -
dessa cama sem dono,
mas nossa,
no meio da tarde...
Wayne Shorter - Lady Day
terça-feira, janeiro 22, 2008
Lake
Quando você ri(o),
no seu leito
- estreito e infinito -
me deito,
alheia ao perigo
das pedras escondidas,
(até a margem cheia!)
e espero sua sede...
Chet Baker - What Is There To Say
no seu leito
- estreito e infinito -
me deito,
alheia ao perigo
das pedras escondidas,
(até a margem cheia!)
e espero sua sede...
Chet Baker - What Is There To Say
segunda-feira, janeiro 14, 2008
Eva
Enquanto peco,
ignoro o inferno
e peço o que preciso
para me manter
no paraíso...
Na língua, ainda,
seu sabor desfruto
(proibida gula!)
e me sinto linda
quando, faminta,
só a sua boca
é a mítica folha
entre as pernas minhas...
Ben Webster - Ill Wind
ignoro o inferno
e peço o que preciso
para me manter
no paraíso...
Na língua, ainda,
seu sabor desfruto
(proibida gula!)
e me sinto linda
quando, faminta,
só a sua boca
é a mítica folha
entre as pernas minhas...
Ben Webster - Ill Wind
sábado, janeiro 05, 2008
Traje De Luces
Na arena da cama
- sob o céu espelhado -
a luz vermelha do néon
que falha
brinca de me vestir de cor
quando eu não uso nada,
apenas as suas águas...
Paco De Lucia - Entre Dos Aguas
- sob o céu espelhado -
a luz vermelha do néon
que falha
brinca de me vestir de cor
quando eu não uso nada,
apenas as suas águas...
Paco De Lucia - Entre Dos Aguas
sexta-feira, janeiro 04, 2008
Iceberg
Amantes, nos ocultamos
- sem medo do naufrágio -
sob a fragilidade dos álibis,
quando nos atingem
a (pre)visível mentira
e a submersa verdade...
Astor Piazzola & Gerry Mulligan - Years Of Solitude
- sem medo do naufrágio -
sob a fragilidade dos álibis,
quando nos atingem
a (pre)visível mentira
e a submersa verdade...
Astor Piazzola & Gerry Mulligan - Years Of Solitude
segunda-feira, dezembro 31, 2007
LCD
No meu cristalino,
(virtual aquarela)
você, tela...
Líquida e feminina,
à sua frente,
eu, verso...
Cry Me A River - Dexter Gordon
(virtual aquarela)
você, tela...
Líquida e feminina,
à sua frente,
eu, verso...
Cry Me A River - Dexter Gordon
domingo, dezembro 16, 2007
Cartão
Quando a luz se apaga
(para nossa festa...)
minha chama se oferece
ao secreto pedido...
Num meio sorriso,
você sopra as velas
do barco do tempo
e, mar adentro,
me navega...
(para nossa festa...)
minha chama se oferece
ao secreto pedido...
Num meio sorriso,
você sopra as velas
do barco do tempo
e, mar adentro,
me navega...
sábado, dezembro 08, 2007
Par(ticular)
Na pista vazia,
sua mão me guia
pela tarde incomum...
Em movimentos circulares,
que levam a tantos lugares,
enquanto levam a lugar nenhum...
sua mão me guia
pela tarde incomum...
Em movimentos circulares,
que levam a tantos lugares,
enquanto levam a lugar nenhum...
quarta-feira, dezembro 05, 2007
segunda-feira, dezembro 03, 2007
Memorabilia
Na gaveta dos segredos,
que em certas noites visito,
guardo presente,
papel e
fita...
O cheiro da pétala seca,
qualquer pedaço de vela
perfumada,
colorida
e, derretida,
fico...
que em certas noites visito,
guardo presente,
papel e
fita...
O cheiro da pétala seca,
qualquer pedaço de vela
perfumada,
colorida
e, derretida,
fico...
sexta-feira, novembro 23, 2007
Filosofal
Apenas a magia
do nosso segredo,
guardado sob numeradas chaves,
pode transmutar
a escassez das horas
em incontáveis eternidades...
* Flamenco Sketches - Miles Davis - Kind Of Blue
** Para quem sabe tirar toda a importância do tempo...
do nosso segredo,
guardado sob numeradas chaves,
pode transmutar
a escassez das horas
em incontáveis eternidades...
* Flamenco Sketches - Miles Davis - Kind Of Blue
** Para quem sabe tirar toda a importância do tempo...
terça-feira, novembro 06, 2007
À beira
A mão que contorna,
por dentro
e por fora,
a pele macia,
retarda a cura
da minha agonia,
enquanto vasculha,
como se dona,
a carne rubra,
mas não me sacia!...
por dentro
e por fora,
a pele macia,
retarda a cura
da minha agonia,
enquanto vasculha,
como se dona,
a carne rubra,
mas não me sacia!...
segunda-feira, novembro 05, 2007
Risco
Em branco,
estendo o corpo:
folha,
tela,
partitura,
lençol e
memória
à espera
da palavra,
do traço,
da nota em sol,
do suor
onde mora
a nossa
escusa
história...
estendo o corpo:
folha,
tela,
partitura,
lençol e
memória
à espera
da palavra,
do traço,
da nota em sol,
do suor
onde mora
a nossa
escusa
história...
segunda-feira, outubro 29, 2007
segunda-feira, outubro 15, 2007
Idolatria
Você adora quando,
nada santa,
me descomponho
e entre seus joelhos
o beijo profano
protejo
com o véu castanho
dos cabelos...
nada santa,
me descomponho
e entre seus joelhos
o beijo profano
protejo
com o véu castanho
dos cabelos...
quinta-feira, outubro 04, 2007
Litterale
Quando meu gemido se confunde
com sua língua
de paixão estrangeira,
minhas unhas vermelhas
arranham vírgulas
no H mudo da cabeceira...
com sua língua
de paixão estrangeira,
minhas unhas vermelhas
arranham vírgulas
no H mudo da cabeceira...
quinta-feira, setembro 06, 2007
Jóia
Eu só quero
que você destrua
o delicado fio
do colar do tempo
guardado e sem uso
na sua caixa de dias
e me presenteie
com as horas avulsas...
que você destrua
o delicado fio
do colar do tempo
guardado e sem uso
na sua caixa de dias
e me presenteie
com as horas avulsas...
sexta-feira, agosto 31, 2007
Copy Desk
Minha mão faz,
incerta,
o rascunho do desejo
na sua pele...
Apaga, corrige,
(des)concerta o movimento,
o desenho...
Refaz o traço,
alinha os pêlos,
inventa novas tramas
e eu me perco
no perfeito
círculo da cama...
Quando me falta argumento,
é nos olhos mais castanhos que conheço
onde leio,
sem receio,
o amor, desde o começo,
e me compreendo...
incerta,
o rascunho do desejo
na sua pele...
Apaga, corrige,
(des)concerta o movimento,
o desenho...
Refaz o traço,
alinha os pêlos,
inventa novas tramas
e eu me perco
no perfeito
círculo da cama...
Quando me falta argumento,
é nos olhos mais castanhos que conheço
onde leio,
sem receio,
o amor, desde o começo,
e me compreendo...
quinta-feira, agosto 23, 2007
Belas-(p)artes
Parte de mim
é forma
que se molda
e transpira...
Parte de ti
é cor,
que corta a minha retina,
(mas me ilumina!)...
Juntos, somos a linha
que tangencia a mentira,
enquanto esboça o amor...
é forma
que se molda
e transpira...
Parte de ti
é cor,
que corta a minha retina,
(mas me ilumina!)...
Juntos, somos a linha
que tangencia a mentira,
enquanto esboça o amor...
domingo, agosto 12, 2007
Suicídio
No quarto,
sem a fumaça
dançarina do seu cigarro,
respiro o fato:
o ar puro da sua ausência
me mata...
sem a fumaça
dançarina do seu cigarro,
respiro o fato:
o ar puro da sua ausência
me mata...
terça-feira, agosto 07, 2007
sexta-feira, agosto 03, 2007
Last Dance*
O sol já venceu o néon,
quando a dança termina
com beijos
sem batom...
...mas, ardentes e doloridos,
- como só últimos acordes são -
nossos olhos fechados
ainda tentam reter
a escuridão...
*Dancing In The Dark - Cannonball Adderley
quando a dança termina
com beijos
sem batom...
...mas, ardentes e doloridos,
- como só últimos acordes são -
nossos olhos fechados
ainda tentam reter
a escuridão...
*Dancing In The Dark - Cannonball Adderley
quinta-feira, julho 26, 2007
Arremate
Você, agulha,
fura minha defesa
e me costura
com o fio multicor
da luxúria...
Estendo o sonho
tecido no escuro,
revelando a trama
e a textura...
Rasgo o pudor
quando você me chama
e abro o corpo,
apaixonada e sua,
no bastidor da cama...
fura minha defesa
e me costura
com o fio multicor
da luxúria...
Estendo o sonho
tecido no escuro,
revelando a trama
e a textura...
Rasgo o pudor
quando você me chama
e abro o corpo,
apaixonada e sua,
no bastidor da cama...
terça-feira, julho 24, 2007
Querer
Sua mão,
indecente e travessa,
atravessa o limite
da seda...
O tecido escorrega,
não cobre, nem mostra,
apenas permite
a entrega...
Intensa é a pressa
e devassa me acho,
se você me devassa,
seminua e descalça...
indecente e travessa,
atravessa o limite
da seda...
O tecido escorrega,
não cobre, nem mostra,
apenas permite
a entrega...
Intensa é a pressa
e devassa me acho,
se você me devassa,
seminua e descalça...
domingo, julho 22, 2007
Celofane
Quem me ama
não traz buquê,
nem flor...
Entre os dedos,
quem sabe o aroma,
talvez a pétala
em violeta dégradé...
Quem eu amo
não imagina o valor
de esquecer o ramo
e me cobrir de cor...
não traz buquê,
nem flor...
Entre os dedos,
quem sabe o aroma,
talvez a pétala
em violeta dégradé...
Quem eu amo
não imagina o valor
de esquecer o ramo
e me cobrir de cor...
domingo, julho 15, 2007
Saudade
Quando me toco,
depois de horas,
meu corpo ainda chora
na palma macia
a íntima lágrima
- doce e viscosa -
da nossa alegria...
depois de horas,
meu corpo ainda chora
na palma macia
a íntima lágrima
- doce e viscosa -
da nossa alegria...
sábado, junho 30, 2007
Imaginária
Perdida,
imagino o destino
do carinho peregrino...
Onde termina
o volátil caminho
(úmida linha)
da sua língua
na pele minha...
imagino o destino
do carinho peregrino...
Onde termina
o volátil caminho
(úmida linha)
da sua língua
na pele minha...
domingo, junho 10, 2007
Passeio
O beijo sobre a seda,
sobre o seio,
molha o arrepio -
braille do desejo...
Descendente,
a língua borda a renda,
alisa o pêlo,
lambe a fonte -
baile sem parceiro...
A sede da sua boca
só se acalma na enchente,
na água da minha fome,
que brota lentamente
enquanto você me come...
sobre o seio,
molha o arrepio -
braille do desejo...
Descendente,
a língua borda a renda,
alisa o pêlo,
lambe a fonte -
baile sem parceiro...
A sede da sua boca
só se acalma na enchente,
na água da minha fome,
que brota lentamente
enquanto você me come...
Maldade
Na fragilidade da teia
esgarçada da mentira
repousa nosso desejo,
levemente adormecido...
Acordada sob seu peso,
sem culpa pelo que somos,
depois de viver meus sonhos,
eu piso os sonhos alheios...
esgarçada da mentira
repousa nosso desejo,
levemente adormecido...
Acordada sob seu peso,
sem culpa pelo que somos,
depois de viver meus sonhos,
eu piso os sonhos alheios...
domingo, junho 03, 2007
Fábula
Eu me alimento do significado das palavras
que você espalha feito trilha de migalhas
e deixo o amor perdido no nosso dicionário...
que você espalha feito trilha de migalhas
e deixo o amor perdido no nosso dicionário...
terça-feira, maio 08, 2007
Demãos
Antes que seque
o bico do seio,
eu molho
outro gozo...
Antes que o beijo,
suave vermelho
no meu pescoço,
magicamente,
se pinte de roxo,
eu quero
de novo...
o bico do seio,
eu molho
outro gozo...
Antes que o beijo,
suave vermelho
no meu pescoço,
magicamente,
se pinte de roxo,
eu quero
de novo...
quinta-feira, abril 19, 2007
Ardil
Pelos atalhos perdidos
entre palavras mentirosas
e sinceros sentidos,
brilham nossas vidas cruzadas
(paralelo paraíso!),
céu em noite de festa:
o fogo
e o artifício...
entre palavras mentirosas
e sinceros sentidos,
brilham nossas vidas cruzadas
(paralelo paraíso!),
céu em noite de festa:
o fogo
e o artifício...
sábado, abril 14, 2007
Still
Ainda quero
o beijo e a pausa,
na ponta da língua
o gosto da palavra
e o silêncio da vontade...
Ainda quero
a mão e a carne,
na ponta do dedo
o mel do desejo
e o sal da saudade...
Ainda quero
o impossível e o fato,
o amor no improvável quarto,
o sempre, apesar do limite,
o tudo, apesar de tudo,
ou o pouco que a vida permite...
o beijo e a pausa,
na ponta da língua
o gosto da palavra
e o silêncio da vontade...
Ainda quero
a mão e a carne,
na ponta do dedo
o mel do desejo
e o sal da saudade...
Ainda quero
o impossível e o fato,
o amor no improvável quarto,
o sempre, apesar do limite,
o tudo, apesar de tudo,
ou o pouco que a vida permite...
terça-feira, abril 10, 2007
Cetim
Adormeço
entre os cheiros
que você deixou
no lençol vermelho,
vulgar e sublime,
desfeito...
Só desperto, acesa,
sob a luz falsa no teto
e sob seu peso,
verdadeiro...
entre os cheiros
que você deixou
no lençol vermelho,
vulgar e sublime,
desfeito...
Só desperto, acesa,
sob a luz falsa no teto
e sob seu peso,
verdadeiro...
domingo, abril 01, 2007
Por (h)ora
Por enquanto
basta o encontro
de fugidias horas,
o abençoado agora,
que faz o interminável antes
desimportante...
basta o encontro
de fugidias horas,
o abençoado agora,
que faz o interminável antes
desimportante...
sexta-feira, março 16, 2007
quinta-feira, março 08, 2007
quinta-feira, fevereiro 22, 2007
Multimídia
Tatuada no papel
a poesia cicatriza
azul-céu
e se traduz
no colorido abraço,
na carícia do traço
do seu pincel...
a poesia cicatriza
azul-céu
e se traduz
no colorido abraço,
na carícia do traço
do seu pincel...
domingo, fevereiro 18, 2007
segunda-feira, fevereiro 12, 2007
Pernoite
No arco do abraço
encaixo o corpo
e espero o sono,
mas me contorço
se a sua barba
marca meu pescoço
e desperta o sonho...
encaixo o corpo
e espero o sono,
mas me contorço
se a sua barba
marca meu pescoço
e desperta o sonho...
quarta-feira, janeiro 31, 2007
Galeria
Óbvios,
apesar de todos os disfarces,
expostos
como quadros
emoldurados,
iluminados
e falsos,
passivos alvos
de todos os olhares,
permanecemos arte...
apesar de todos os disfarces,
expostos
como quadros
emoldurados,
iluminados
e falsos,
passivos alvos
de todos os olhares,
permanecemos arte...
quinta-feira, janeiro 25, 2007
Dominatrix
Sob meu corpo,
permaneça...
Afaste minhas rendas
negras,
e beba o mel do meu desejo...
Seja minha indefesa
presa,
e que eu seja
sua única certeza...
Olhos vendados
pelos meus dedos
e no peito a mordida,
antes do beijo...
Dentro de mim transborde
sua correnteza e eu guardo,
íntima represa,
as águas claras
do nosso segredo...
permaneça...
Afaste minhas rendas
negras,
e beba o mel do meu desejo...
Seja minha indefesa
presa,
e que eu seja
sua única certeza...
Olhos vendados
pelos meus dedos
e no peito a mordida,
antes do beijo...
Dentro de mim transborde
sua correnteza e eu guardo,
íntima represa,
as águas claras
do nosso segredo...
domingo, janeiro 21, 2007
sexta-feira, janeiro 19, 2007
Body Art*
Seus dedos aram meus pêlos,
molham as pontas,
germinam sonhos,
colhem latejos
da pele morna...
Moreno braço
faz cerca firme
à minha volta
e o anjo,
levemente,
se move...
* Para C.
molham as pontas,
germinam sonhos,
colhem latejos
da pele morna...
Moreno braço
faz cerca firme
à minha volta
e o anjo,
levemente,
se move...
* Para C.
sábado, janeiro 13, 2007
Passatempo
Como resposta ao enigma
da nossa mútua vontade
apenas a respiração
partida
entre as palavras
cruzadas...
da nossa mútua vontade
apenas a respiração
partida
entre as palavras
cruzadas...
quinta-feira, janeiro 04, 2007
Conjunção
Inesperado cupido,
teu mítico sagitário
(ambíguo signo)
mergulha a seta
ascendente da paixão
na nascente do veneno
do meu obsceno
escorpião...
teu mítico sagitário
(ambíguo signo)
mergulha a seta
ascendente da paixão
na nascente do veneno
do meu obsceno
escorpião...
quinta-feira, dezembro 28, 2006
Tatoo
Deixe-me sem mistério,
vestida de sentimento,
exposta pele,
desenhada de sol,
de arte e de tempo...
Deixe-me molhada
e seca de vontade,
paradoxo suspirante,
namorada,
amante...
More nos meus espaços,
vagos,
demarque fronteiras novas,
pinte, invente,
meu proibido mago...
O meu prazer é fácil
quando sinto seus lábios
e sua língua sem palavras
apagando o que é passado,
escrevendo sua história
na mais íntima das minhas memórias...
vestida de sentimento,
exposta pele,
desenhada de sol,
de arte e de tempo...
Deixe-me molhada
e seca de vontade,
paradoxo suspirante,
namorada,
amante...
More nos meus espaços,
vagos,
demarque fronteiras novas,
pinte, invente,
meu proibido mago...
O meu prazer é fácil
quando sinto seus lábios
e sua língua sem palavras
apagando o que é passado,
escrevendo sua história
na mais íntima das minhas memórias...
sexta-feira, dezembro 22, 2006
Ampliação
Avessa aos instantâneos,
ao excesso da imagem digital,
sinto seu mergulho nos meus líquidos
e a mágica da química
no escuro dos nossos sentidos
mostra o contraste de cada sinal...
A rubra atmosfera,
o tempo certo da espera
prova o que somos
tal qual foto no varal...
Quero o preto e o branco,
objetiva,
mas na longa exposição
seu foco vibra
e eu me revelo
femininamente colorida...
ao excesso da imagem digital,
sinto seu mergulho nos meus líquidos
e a mágica da química
no escuro dos nossos sentidos
mostra o contraste de cada sinal...
A rubra atmosfera,
o tempo certo da espera
prova o que somos
tal qual foto no varal...
Quero o preto e o branco,
objetiva,
mas na longa exposição
seu foco vibra
e eu me revelo
femininamente colorida...
quinta-feira, dezembro 07, 2006
Merlot
Predestinados, nos encontramos...
Sem hora marcada,
sem sonhos.
Apenas a realidade da nudez,
o arrepio sem frio,
o leito,
a margem
e o rio...
Desavisados, nos entregamos,
íntimos estranhos.
Marcas por toda parte,
sedes desesperadas
e duas inexplicáveis taças
intactas...
Sem hora marcada,
sem sonhos.
Apenas a realidade da nudez,
o arrepio sem frio,
o leito,
a margem
e o rio...
Desavisados, nos entregamos,
íntimos estranhos.
Marcas por toda parte,
sedes desesperadas
e duas inexplicáveis taças
intactas...
quinta-feira, novembro 30, 2006
Truque
Mensagens codificadas
camuflam nosso caso...
Trocados os dados,
apagamos os rastros
dos telefonemas rápidos...
Penumbra nos dias ensolarados,
pequenos disfarces,
mas a luz acesa nos quartos
numerados...
Para que nunca nos encontrem
por mais que procurem
vestígios ou fatos,
sem notar que sua senha brilha
num verso bonito
e seu nome rima com meus atos
falhos...
camuflam nosso caso...
Trocados os dados,
apagamos os rastros
dos telefonemas rápidos...
Penumbra nos dias ensolarados,
pequenos disfarces,
mas a luz acesa nos quartos
numerados...
Para que nunca nos encontrem
por mais que procurem
vestígios ou fatos,
sem notar que sua senha brilha
num verso bonito
e seu nome rima com meus atos
falhos...
segunda-feira, novembro 27, 2006
quinta-feira, novembro 23, 2006
Estigma
O amor que me marca,
concebido com todas as máculas,
desenha na pele cada passo da paixão:
a umidade do beijo,
que apaga todo o passado,
a pressão dos dedos,
que tatua a futura saudade,
a mordida,
a permitida invasão...
Então me ajoelho
sem oração,
nego as vontades
sem convicção
e me revelo fraca,
como as amantes são.
Cometo, todos os dias,
o pecado nada original,
sem medo do castigo...
E espero todas as horas
que me salve, sem mais demora,
o seu interno batismo...
concebido com todas as máculas,
desenha na pele cada passo da paixão:
a umidade do beijo,
que apaga todo o passado,
a pressão dos dedos,
que tatua a futura saudade,
a mordida,
a permitida invasão...
Então me ajoelho
sem oração,
nego as vontades
sem convicção
e me revelo fraca,
como as amantes são.
Cometo, todos os dias,
o pecado nada original,
sem medo do castigo...
E espero todas as horas
que me salve, sem mais demora,
o seu interno batismo...
quarta-feira, novembro 08, 2006
Carbônico
Quando o amor fica taquicárdico
e evapora toda a sanidade,
inspiramos o ar da partida iminente,
fumaça fria na pele que arde...
Expira a validade dos nossos álibis
e sufocamos até a próxima tarde...
e evapora toda a sanidade,
inspiramos o ar da partida iminente,
fumaça fria na pele que arde...
Expira a validade dos nossos álibis
e sufocamos até a próxima tarde...
segunda-feira, novembro 06, 2006
Sweet Home
Quando sou o teto e você, o piso,
da casa viva que construímos,
palafita incerta onde o amor mora
e que o prazer visita,
só o móbile dos cabelos
minha nudez enfeita...
O sistino seio, pintado com seus beijos,
eterniza o efêmero na sua retina...
Então você encontra
as janelas mais íntimas,
abre as cortinas
e nos ilumina...
da casa viva que construímos,
palafita incerta onde o amor mora
e que o prazer visita,
só o móbile dos cabelos
minha nudez enfeita...
O sistino seio, pintado com seus beijos,
eterniza o efêmero na sua retina...
Então você encontra
as janelas mais íntimas,
abre as cortinas
e nos ilumina...
segunda-feira, outubro 09, 2006
Crayon
Não venha pronto.
Venha esboço,
planta,
plano.
Venha idéia,
tijolo,
sonho.
Espaço em branco
que eu completo,
onde eu desenho,
leio e assino...
Venha a lápis,
venha menino,
(re)nasça onde eu vivo,
rascunho da minha espera,
homem definitivo.
Venha esboço,
planta,
plano.
Venha idéia,
tijolo,
sonho.
Espaço em branco
que eu completo,
onde eu desenho,
leio e assino...
Venha a lápis,
venha menino,
(re)nasça onde eu vivo,
rascunho da minha espera,
homem definitivo.
terça-feira, outubro 03, 2006
Pole Position
Hoje eu tiro primeiro
a camisa com seu cheiro
enquanto beijo seu peito...
Hoje eu abro primeiro
o botão, o zíper, a boca,
sentindo até onde cabe,
até onde posso,
até quando ouso...
Hoje eu gozo primeiro
ao ver como um filme perfeito
sua nudez e o meu vestido
(descaradamente erguido)
colorindo a tela do espelho...
a camisa com seu cheiro
enquanto beijo seu peito...
Hoje eu abro primeiro
o botão, o zíper, a boca,
sentindo até onde cabe,
até onde posso,
até quando ouso...
Hoje eu gozo primeiro
ao ver como um filme perfeito
sua nudez e o meu vestido
(descaradamente erguido)
colorindo a tela do espelho...
sexta-feira, setembro 15, 2006
Incenso
Mais uma madrugada
vazia de palavras,
plena de sentido,
outros sentidos plenamente saciados,
corpos em laço, adormecidos...
Desenhos de fumaça,
indianos signos,
guiam nossos sonhos de pecado
para um futuro paraíso...
Um movimento, um som, um desejo proibido
matam o sono para salvar a vida
e arde nos meus olhos um novo pedido...
Sua resposta vem num sorriso puro,
enquanto a brasa perfumada e rubra
queima lentamente no escuro...
vazia de palavras,
plena de sentido,
outros sentidos plenamente saciados,
corpos em laço, adormecidos...
Desenhos de fumaça,
indianos signos,
guiam nossos sonhos de pecado
para um futuro paraíso...
Um movimento, um som, um desejo proibido
matam o sono para salvar a vida
e arde nos meus olhos um novo pedido...
Sua resposta vem num sorriso puro,
enquanto a brasa perfumada e rubra
queima lentamente no escuro...
segunda-feira, setembro 11, 2006
Audaz
Para quem já teve medo.
Quanto mais clara é minha palavra
e mais expostos brilham meus perigos,
mais a sua boca, em trilha incerta,
hesita, vai e volta, acaba comigo...
Se o seu amor junta as mil partes
em que o prazer me quebra,
o meu amor rompe as mil grades
com que você se cerca...
Vencido, você rasga os mapas,
vencida, eu arrisco o amigo:
em qualquer sentido
estaremos perdidos...
E se desfaz no beijo proibido
tudo o que era, antes, impossível...
Quanto mais clara é minha palavra
e mais expostos brilham meus perigos,
mais a sua boca, em trilha incerta,
hesita, vai e volta, acaba comigo...
Se o seu amor junta as mil partes
em que o prazer me quebra,
o meu amor rompe as mil grades
com que você se cerca...
Vencido, você rasga os mapas,
vencida, eu arrisco o amigo:
em qualquer sentido
estaremos perdidos...
E se desfaz no beijo proibido
tudo o que era, antes, impossível...
sexta-feira, setembro 01, 2006
Razões
Sim, eu me viro,
dobro o corpo e espalho a alma
quando você sorri o desejo, mas não fala,
faz a palavra desnecessária...
Sim, eu me abro
em braços, pernas, boca...
Quero cada gota do seu silêncio
latejado e morno...
Sim, para qualquer pedido.
Sua, para qualquer loucura.
Porque me agrada ser a segunda,
dona absoluta de coisa nenhuma,
outra, porém única.
Porque eu gosto do seu olhar perdido
quando eu venço, por vida súbita,
o jogo antigo em que você reluta,
mas me procura pedindo abrigo...
dobro o corpo e espalho a alma
quando você sorri o desejo, mas não fala,
faz a palavra desnecessária...
Sim, eu me abro
em braços, pernas, boca...
Quero cada gota do seu silêncio
latejado e morno...
Sim, para qualquer pedido.
Sua, para qualquer loucura.
Porque me agrada ser a segunda,
dona absoluta de coisa nenhuma,
outra, porém única.
Porque eu gosto do seu olhar perdido
quando eu venço, por vida súbita,
o jogo antigo em que você reluta,
mas me procura pedindo abrigo...
segunda-feira, agosto 28, 2006
Siesta
Antes, venha.
A espera faminta foi suficiente
para molhar por dentro
o caminho do seu movimento...
Nem palavra, nem beijo:
o penetrar apenas,
esse deslizar interno
que vem, vem, vem
sabendo que machuca mais
quando faz que sai...
Depois, permaneça.
Acomode seu peso às minhas costas,
enquanto nossas pernas se roçam...
Sinta meu suspiro no seu peito
e, se por acaso vibrar inteiro,
aceite o convite que faço
para um lento recomeço...
A espera faminta foi suficiente
para molhar por dentro
o caminho do seu movimento...
Nem palavra, nem beijo:
o penetrar apenas,
esse deslizar interno
que vem, vem, vem
sabendo que machuca mais
quando faz que sai...
Depois, permaneça.
Acomode seu peso às minhas costas,
enquanto nossas pernas se roçam...
Sinta meu suspiro no seu peito
e, se por acaso vibrar inteiro,
aceite o convite que faço
para um lento recomeço...
terça-feira, agosto 22, 2006
Manhã
Esfrego, na sua barba de um dia,
um 'eu te amo' dolorido,
na pele, beijos e pedidos,
lábios perdidos nas teias
das veias e dos pêlos,
onde deixo palavras soltas,
frases sem sentido
e meu desejo explícito...
Mas a resposta esperada
só lava o meu sorriso
quando minha boca,
vazia de palavras,
silencia...
um 'eu te amo' dolorido,
na pele, beijos e pedidos,
lábios perdidos nas teias
das veias e dos pêlos,
onde deixo palavras soltas,
frases sem sentido
e meu desejo explícito...
Mas a resposta esperada
só lava o meu sorriso
quando minha boca,
vazia de palavras,
silencia...
sexta-feira, agosto 11, 2006
Festim
Estou farta do vazio das suas palavras...
Bêbada da sede nunca saciada,
seca de úmidas vontades...
Em mim não cabe mais tanto nada,
mas espero ansiosa a hora não marcada...
Você promete ficar já indo embora,
enquanto meu corpo faz de conta que dorme,
vestindo apenas a sua falta,
alimentando o sonho com as sobras
desse interminável banquete de migalhas...
Bêbada da sede nunca saciada,
seca de úmidas vontades...
Em mim não cabe mais tanto nada,
mas espero ansiosa a hora não marcada...
Você promete ficar já indo embora,
enquanto meu corpo faz de conta que dorme,
vestindo apenas a sua falta,
alimentando o sonho com as sobras
desse interminável banquete de migalhas...
sexta-feira, agosto 04, 2006
Prelúdio
Na sua boca beijo meu nome
e o som se faz interno aceno,
o irresistível obceno do amor
e seus movimentos...
Você vem...
Eu vou...
Trêmulo pêndulo...
Fico fora de mim
quando você me chama
de dentro...
e o som se faz interno aceno,
o irresistível obceno do amor
e seus movimentos...
Você vem...
Eu vou...
Trêmulo pêndulo...
Fico fora de mim
quando você me chama
de dentro...
sábado, julho 29, 2006
Desencontro
Troco o pano pela pele
e o calor arrepia o pêlo,
no lugar do perfume, o cheiro,
cabelos de um certo vermelho...
No espelho me despenteio,
deixo expostas olheiras,
a boca, antes do beijo,
a fome, antes do amor...
Só me dou por satisfeita
quando não me reconheço
ao ver a mulher que sou...
Quase sempre
quase pronta
para o nosso
quase encontro...
e o calor arrepia o pêlo,
no lugar do perfume, o cheiro,
cabelos de um certo vermelho...
No espelho me despenteio,
deixo expostas olheiras,
a boca, antes do beijo,
a fome, antes do amor...
Só me dou por satisfeita
quando não me reconheço
ao ver a mulher que sou...
Quase sempre
quase pronta
para o nosso
quase encontro...
segunda-feira, julho 17, 2006
Diplomacia
Cada vez que nossos corpos se encontram,
diferentes na forma,
no tom e na textura,
o desejo é semelhante,
idêntica a procura...
Somos estrangeiros um no outro,
exilados por escolha na mesma fantasia
onde o antigo prazer se faz desconhecido...
Na primeira vértebra, sinto sua boca
e na última vibra o arrepio do perigo,
mas, se conquistada eu me rendo ao invasor,
refugiado, você me pede asilo
e eu dou...
diferentes na forma,
no tom e na textura,
o desejo é semelhante,
idêntica a procura...
Somos estrangeiros um no outro,
exilados por escolha na mesma fantasia
onde o antigo prazer se faz desconhecido...
Na primeira vértebra, sinto sua boca
e na última vibra o arrepio do perigo,
mas, se conquistada eu me rendo ao invasor,
refugiado, você me pede asilo
e eu dou...
segunda-feira, julho 03, 2006
Fast
Minha mão de unhas curtas
no seu peito exato
sente o coração por dentro,
disparado...
Pulsação igual à outra
entre meus dedos,
sob meus beijos,
dentro da boca...
E se minha fome nos surpreende,
acelero o movimento,
você se rende
e eu me alimento...
no seu peito exato
sente o coração por dentro,
disparado...
Pulsação igual à outra
entre meus dedos,
sob meus beijos,
dentro da boca...
E se minha fome nos surpreende,
acelero o movimento,
você se rende
e eu me alimento...
quinta-feira, junho 22, 2006
Faquir
Prometo que será o último encontro
e juro ser irrevogável a despedida,
mas quebro a minha jura
sob o peso do seu corpo
e durmo, cansada e satisfeita,
sobre os cacos das promessas partidas...
e juro ser irrevogável a despedida,
mas quebro a minha jura
sob o peso do seu corpo
e durmo, cansada e satisfeita,
sobre os cacos das promessas partidas...
quarta-feira, junho 21, 2006
Saloon
Expostas as cartas,
cabelos e costas
na mesa...
Em leque,
o deck,
os cachos,
os blefes em cheque...
Sem ases, sem mangas,
as asas dos braços abertas,
abertas as pernas bambas...
Desorientada dama
deseja revanche:
embaralhe de novo nossos vícios
para um outro jogo, desde o início...
cabelos e costas
na mesa...
Em leque,
o deck,
os cachos,
os blefes em cheque...
Sem ases, sem mangas,
as asas dos braços abertas,
abertas as pernas bambas...
Desorientada dama
deseja revanche:
embaralhe de novo nossos vícios
para um outro jogo, desde o início...
terça-feira, maio 30, 2006
Pitada
Quando a palavra está em falta
ou me olha sorrindo das prateleiras mais altas,
você chega às portas do meu corpo
trazendo prazeres sortidos
e braçadas de carinhos...
Então junto sua pele à minha,
e nossos corações ligeiramente batidos...
Provo o doce, o sal, o ponto a que chegamos
e coloco em sua boca meus suspiros...
Enquanto minha poesia silencia,
você mistura sonhos aos meus dias
e eu sobrevivo...
ou me olha sorrindo das prateleiras mais altas,
você chega às portas do meu corpo
trazendo prazeres sortidos
e braçadas de carinhos...
Então junto sua pele à minha,
e nossos corações ligeiramente batidos...
Provo o doce, o sal, o ponto a que chegamos
e coloco em sua boca meus suspiros...
Enquanto minha poesia silencia,
você mistura sonhos aos meus dias
e eu sobrevivo...
segunda-feira, maio 22, 2006
Manuscrito
Rasgue a capa das roupas
e, nas páginas do meu corpo,
as letras da nossa história
escreva com dedos lentos,
rabisque com as unhas curtas
ou tente apagar com as palmas
que aindam guardam meus beijos...
Deixe que permaneça
não publicado o segredo,
rascunho de cada dia,
frente e verso onde nos leio...
e, nas páginas do meu corpo,
as letras da nossa história
escreva com dedos lentos,
rabisque com as unhas curtas
ou tente apagar com as palmas
que aindam guardam meus beijos...
Deixe que permaneça
não publicado o segredo,
rascunho de cada dia,
frente e verso onde nos leio...
segunda-feira, maio 15, 2006
Contrastes
No escuro desse quarto,
a paixão é clara...
Contralto e barítono,
em palavras e gemidos...
Floral e cítrico,
perfumando o mesmo gozo...
Macio e rígido,
ardendo o mesmo atrito,
reinventando o fogo...
Masculino movimento,
por cima e por dentro,
e um feminino suspiro
cortando o silêncio
a qualquer momento...
a paixão é clara...
Contralto e barítono,
em palavras e gemidos...
Floral e cítrico,
perfumando o mesmo gozo...
Macio e rígido,
ardendo o mesmo atrito,
reinventando o fogo...
Masculino movimento,
por cima e por dentro,
e um feminino suspiro
cortando o silêncio
a qualquer momento...
sexta-feira, maio 12, 2006
Cortina
Em dias azuis
de douradas tardes,
a janela fechada
simula noites intermináveis...
Digo sim ao tempo, ignorando a hora
e quando os braços abertos do relógio
se juntam no abraço condenado,
eu separo as pernas sem demora,
para nos unir no mesmo orgasmo...
de douradas tardes,
a janela fechada
simula noites intermináveis...
Digo sim ao tempo, ignorando a hora
e quando os braços abertos do relógio
se juntam no abraço condenado,
eu separo as pernas sem demora,
para nos unir no mesmo orgasmo...
quarta-feira, maio 10, 2006
Mudança
Num canto qualquer da minha mente,
cobertas pelo pó dos dias,
as antigas vontades estão amontoadas
e perdidas...
As fomes novas que você trouxe,
quando se mudou para minha vida,
estão espalhadas por toda parte
e, indecentemente, brilham...
cobertas pelo pó dos dias,
as antigas vontades estão amontoadas
e perdidas...
As fomes novas que você trouxe,
quando se mudou para minha vida,
estão espalhadas por toda parte
e, indecentemente, brilham...
quinta-feira, maio 04, 2006
Post-it
À sombra dos fatos,
sob a luz dos quartos,
os atos,
nossos e mágicos,
sem rota de fuga,
foram fartos...
Sem posse e sem culpa,
sinto sua falta:
mil vezes, e novamente,
eu seria a mulher errada,
tão exata para os abraços...
(Para você, que me sabe,
ainda sei enfeitiçar as tardes...)
sob a luz dos quartos,
os atos,
nossos e mágicos,
sem rota de fuga,
foram fartos...
Sem posse e sem culpa,
sinto sua falta:
mil vezes, e novamente,
eu seria a mulher errada,
tão exata para os abraços...
(Para você, que me sabe,
ainda sei enfeitiçar as tardes...)
quarta-feira, abril 26, 2006
Pra Lembrar
Ainda agora há pouco,
em outra vida,
nas pontas dos meus dedos
o amor,
o improviso do amor,
o amor impreciso,
o possível inacreditável infinito...
Há dois segundos,
há mil anos,
seu corpo entre meus joelhos,
sempre o eterno primeiro
a cada (re)começo,
desde que me conheço...
No limite das nossas horas,
sempre mais bonita
era a palavra não dita,
certa apesar dos erros
e da incerteza dos dias
ao redor das quartas-feiras...
em outra vida,
nas pontas dos meus dedos
o amor,
o improviso do amor,
o amor impreciso,
o possível inacreditável infinito...
Há dois segundos,
há mil anos,
seu corpo entre meus joelhos,
sempre o eterno primeiro
a cada (re)começo,
desde que me conheço...
No limite das nossas horas,
sempre mais bonita
era a palavra não dita,
certa apesar dos erros
e da incerteza dos dias
ao redor das quartas-feiras...
segunda-feira, abril 24, 2006
Outono
Minha pele espera
a língua e os lábios...
O pulso, o braço...
A coxa, embaixo...
As costas, os dedos,
o que é fundo
e o que (res)salta...
A penugem, o pêlo
e cada úmido segredo
maduro e doce sob seu beijo...
A flor, no vaso,
inventa primavera
e eu suspiro
(inventando brisa),
quando sua colheita é precisa:
a boca,
o fruto,
a mordida
e o sumo...
a língua e os lábios...
O pulso, o braço...
A coxa, embaixo...
As costas, os dedos,
o que é fundo
e o que (res)salta...
A penugem, o pêlo
e cada úmido segredo
maduro e doce sob seu beijo...
A flor, no vaso,
inventa primavera
e eu suspiro
(inventando brisa),
quando sua colheita é precisa:
a boca,
o fruto,
a mordida
e o sumo...
sexta-feira, abril 14, 2006
De amor
Sua demora me leva
ao sono das esperas,
ausente de sonhos,
cansado de guerras...
Sua chegada me revela
nada santa, talvez bela
ou apenas a mulher
que só você desperta...
Desperta,
respiro o ar que nos cerca,
bebo beijos, toco pêlos,
mordo lábios, abro pernas,
meu desejo se supera...
O cansaço do prazer me leva
e eu sonho o momento passado,
enquanto o sonho que me ama
dorme a meu lado
(e ressona)...
ao sono das esperas,
ausente de sonhos,
cansado de guerras...
Sua chegada me revela
nada santa, talvez bela
ou apenas a mulher
que só você desperta...
Desperta,
respiro o ar que nos cerca,
bebo beijos, toco pêlos,
mordo lábios, abro pernas,
meu desejo se supera...
O cansaço do prazer me leva
e eu sonho o momento passado,
enquanto o sonho que me ama
dorme a meu lado
(e ressona)...
segunda-feira, abril 10, 2006
Ilusionista
Sob sua luz castanha
me exponho
e transformo,
para sua rendição,
o amor em gesto,
a surpresa em movimento,
a diferença em comunhão...
Íntimo show onde surge,
satisfeita e nua,
da mulher que sou,
a mulher que é sua...
me exponho
e transformo,
para sua rendição,
o amor em gesto,
a surpresa em movimento,
a diferença em comunhão...
Íntimo show onde surge,
satisfeita e nua,
da mulher que sou,
a mulher que é sua...
segunda-feira, abril 03, 2006
Legado
Quero o beijo esfregado
inchando meus lábios
e a mordida que grava
seus dentes no ombro,
vermelho baixo-relevo
que no espelho me assombra...
Depois, venha como se coubesse,
na falsa dor que guarda a promessa
do prazer umedecendo as frestas...
Tire do amor toda a delicadeza
e espalhe marcas na minha pele,
secretas provas de amor que levo
quando, saciado, você me deixa...
inchando meus lábios
e a mordida que grava
seus dentes no ombro,
vermelho baixo-relevo
que no espelho me assombra...
Depois, venha como se coubesse,
na falsa dor que guarda a promessa
do prazer umedecendo as frestas...
Tire do amor toda a delicadeza
e espalhe marcas na minha pele,
secretas provas de amor que levo
quando, saciado, você me deixa...
sexta-feira, março 31, 2006
Vésper
Peço, com a voz que me resta,
que venha mais fundo,
sem precisar
que você já está,
de todas as formas,
em todos os poros,
por dentro e por fora...
Para ser sua 'outra',
misturo as facetas
de todas as outras
em uma...
Horas contadas na tarde
e o que tenho me basta:
seu amor único
(minha vida dupla!)
e meu gozo múltiplo
forçando seu jorro
neste exato, infinito minuto...
que venha mais fundo,
sem precisar
que você já está,
de todas as formas,
em todos os poros,
por dentro e por fora...
Para ser sua 'outra',
misturo as facetas
de todas as outras
em uma...
Horas contadas na tarde
e o que tenho me basta:
seu amor único
(minha vida dupla!)
e meu gozo múltiplo
forçando seu jorro
neste exato, infinito minuto...
quarta-feira, março 22, 2006
Date
Luz de velas, vinho,
um jazz, quem sabe...
A maciez da pele e a dureza desejada,
(calor escorregando pela umidade)...
Seda cobrindo a ânsia de descobrir,
a gota de perfume atrás da orelha...
Lua cheia no céu ou chuva nas telhas...
Infinita espera de vontades,
um coração que dispara,
uma pele que arde...
Não sei como será
e não me importa,
tudo o que sonho é trancar aquela porta...
Não quero mais a perfeição das teorias!
Vamos sorrir dos nossos erros
e realizar as fantasias...
um jazz, quem sabe...
A maciez da pele e a dureza desejada,
(calor escorregando pela umidade)...
Seda cobrindo a ânsia de descobrir,
a gota de perfume atrás da orelha...
Lua cheia no céu ou chuva nas telhas...
Infinita espera de vontades,
um coração que dispara,
uma pele que arde...
Não sei como será
e não me importa,
tudo o que sonho é trancar aquela porta...
Não quero mais a perfeição das teorias!
Vamos sorrir dos nossos erros
e realizar as fantasias...
segunda-feira, março 20, 2006
Oral
A boca nos seios
busca o gosto,
deixa o rastro do beijo
exposto...
A voz na pele
esfrega a palavra
na carne,
tempera a vontade...
A língua nos meios
encontra o caminho
e perde o receio...
Vem...
Respira meu cheiro
e me arrepia:
sopra tua obcena ventania
entre os meus pêlos...
busca o gosto,
deixa o rastro do beijo
exposto...
A voz na pele
esfrega a palavra
na carne,
tempera a vontade...
A língua nos meios
encontra o caminho
e perde o receio...
Vem...
Respira meu cheiro
e me arrepia:
sopra tua obcena ventania
entre os meus pêlos...
segunda-feira, março 13, 2006
Sim
Cada vez que você me aceita,
imperfeita e falha,
nas malhas da sua teia,
eu me vejo inteira
e me reconheço:
mente livre,
pele nua,
descaradamente
sua...
imperfeita e falha,
nas malhas da sua teia,
eu me vejo inteira
e me reconheço:
mente livre,
pele nua,
descaradamente
sua...
quarta-feira, março 08, 2006
Gula
Não me sacia
a insuficiência dos dias...
Para fome de amante,
mil noites de insônia
em lençóis macios...
Antes de não dormir,
agradeço ao deus que não me protegeu
pela cumplicidade do seu corpo,
que se entrega para que eu me farte
do todo
e da parte...
a insuficiência dos dias...
Para fome de amante,
mil noites de insônia
em lençóis macios...
Antes de não dormir,
agradeço ao deus que não me protegeu
pela cumplicidade do seu corpo,
que se entrega para que eu me farte
do todo
e da parte...
quinta-feira, março 02, 2006
Luxúria
Nas costas,
a aspereza da parede;
na boca,
o beijo...
Pelos braços
escorrem as alças,
você enche as palmas...
Entre meus dedos,
sua vontade expressa
e meu corpo arde, sem segredo...
Despertos, os pecados fazem festa,
porque hoje a inocência foi dormir mais cedo...
a aspereza da parede;
na boca,
o beijo...
Pelos braços
escorrem as alças,
você enche as palmas...
Entre meus dedos,
sua vontade expressa
e meu corpo arde, sem segredo...
Despertos, os pecados fazem festa,
porque hoje a inocência foi dormir mais cedo...
Ming
Enquanto guardo no corpo
a brasa que brilha
a memória do fogo,
você me molha
e eu me moldo, argila,
perfeitamente ao seu contorno...
a brasa que brilha
a memória do fogo,
você me molha
e eu me moldo, argila,
perfeitamente ao seu contorno...
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