Eu me alimento do significado das palavras
que você espalha feito trilha de migalhas
e deixo o amor perdido no nosso dicionário...
"Yo sé que estoy ligado a ti/ más fuerte que la hiedra/ porque tus ojos de mis sueños/ no pueden separarse jamás." Agustín Lara
domingo, junho 03, 2007
terça-feira, maio 08, 2007
Demãos
Antes que seque
o bico do seio,
eu molho
outro gozo...
Antes que o beijo,
suave vermelho
no meu pescoço,
magicamente,
se pinte de roxo,
eu quero
de novo...
o bico do seio,
eu molho
outro gozo...
Antes que o beijo,
suave vermelho
no meu pescoço,
magicamente,
se pinte de roxo,
eu quero
de novo...
quinta-feira, abril 19, 2007
Ardil
Pelos atalhos perdidos
entre palavras mentirosas
e sinceros sentidos,
brilham nossas vidas cruzadas
(paralelo paraíso!),
céu em noite de festa:
o fogo
e o artifício...
entre palavras mentirosas
e sinceros sentidos,
brilham nossas vidas cruzadas
(paralelo paraíso!),
céu em noite de festa:
o fogo
e o artifício...
sábado, abril 14, 2007
Still
Ainda quero
o beijo e a pausa,
na ponta da língua
o gosto da palavra
e o silêncio da vontade...
Ainda quero
a mão e a carne,
na ponta do dedo
o mel do desejo
e o sal da saudade...
Ainda quero
o impossível e o fato,
o amor no improvável quarto,
o sempre, apesar do limite,
o tudo, apesar de tudo,
ou o pouco que a vida permite...
o beijo e a pausa,
na ponta da língua
o gosto da palavra
e o silêncio da vontade...
Ainda quero
a mão e a carne,
na ponta do dedo
o mel do desejo
e o sal da saudade...
Ainda quero
o impossível e o fato,
o amor no improvável quarto,
o sempre, apesar do limite,
o tudo, apesar de tudo,
ou o pouco que a vida permite...
terça-feira, abril 10, 2007
Cetim
Adormeço
entre os cheiros
que você deixou
no lençol vermelho,
vulgar e sublime,
desfeito...
Só desperto, acesa,
sob a luz falsa no teto
e sob seu peso,
verdadeiro...
entre os cheiros
que você deixou
no lençol vermelho,
vulgar e sublime,
desfeito...
Só desperto, acesa,
sob a luz falsa no teto
e sob seu peso,
verdadeiro...
domingo, abril 01, 2007
Por (h)ora
Por enquanto
basta o encontro
de fugidias horas,
o abençoado agora,
que faz o interminável antes
desimportante...
basta o encontro
de fugidias horas,
o abençoado agora,
que faz o interminável antes
desimportante...
sexta-feira, março 16, 2007
quinta-feira, março 08, 2007
quinta-feira, fevereiro 22, 2007
Multimídia
Tatuada no papel
a poesia cicatriza
azul-céu
e se traduz
no colorido abraço,
na carícia do traço
do seu pincel...
a poesia cicatriza
azul-céu
e se traduz
no colorido abraço,
na carícia do traço
do seu pincel...
domingo, fevereiro 18, 2007
segunda-feira, fevereiro 12, 2007
Pernoite
No arco do abraço
encaixo o corpo
e espero o sono,
mas me contorço
se a sua barba
marca meu pescoço
e desperta o sonho...
encaixo o corpo
e espero o sono,
mas me contorço
se a sua barba
marca meu pescoço
e desperta o sonho...
quarta-feira, janeiro 31, 2007
Galeria
Óbvios,
apesar de todos os disfarces,
expostos
como quadros
emoldurados,
iluminados
e falsos,
passivos alvos
de todos os olhares,
permanecemos arte...
apesar de todos os disfarces,
expostos
como quadros
emoldurados,
iluminados
e falsos,
passivos alvos
de todos os olhares,
permanecemos arte...
quinta-feira, janeiro 25, 2007
Dominatrix
Sob meu corpo,
permaneça...
Afaste minhas rendas
negras,
e beba o mel do meu desejo...
Seja minha indefesa
presa,
e que eu seja
sua única certeza...
Olhos vendados
pelos meus dedos
e no peito a mordida,
antes do beijo...
Dentro de mim transborde
sua correnteza e eu guardo,
íntima represa,
as águas claras
do nosso segredo...
permaneça...
Afaste minhas rendas
negras,
e beba o mel do meu desejo...
Seja minha indefesa
presa,
e que eu seja
sua única certeza...
Olhos vendados
pelos meus dedos
e no peito a mordida,
antes do beijo...
Dentro de mim transborde
sua correnteza e eu guardo,
íntima represa,
as águas claras
do nosso segredo...
domingo, janeiro 21, 2007
sexta-feira, janeiro 19, 2007
Body Art*
Seus dedos aram meus pêlos,
molham as pontas,
germinam sonhos,
colhem latejos
da pele morna...
Moreno braço
faz cerca firme
à minha volta
e o anjo,
levemente,
se move...
* Para C.
molham as pontas,
germinam sonhos,
colhem latejos
da pele morna...
Moreno braço
faz cerca firme
à minha volta
e o anjo,
levemente,
se move...
* Para C.
sábado, janeiro 13, 2007
Passatempo
Como resposta ao enigma
da nossa mútua vontade
apenas a respiração
partida
entre as palavras
cruzadas...
da nossa mútua vontade
apenas a respiração
partida
entre as palavras
cruzadas...
quinta-feira, janeiro 04, 2007
Conjunção
Inesperado cupido,
teu mítico sagitário
(ambíguo signo)
mergulha a seta
ascendente da paixão
na nascente do veneno
do meu obsceno
escorpião...
teu mítico sagitário
(ambíguo signo)
mergulha a seta
ascendente da paixão
na nascente do veneno
do meu obsceno
escorpião...
quinta-feira, dezembro 28, 2006
Tatoo
Deixe-me sem mistério,
vestida de sentimento,
exposta pele,
desenhada de sol,
de arte e de tempo...
Deixe-me molhada
e seca de vontade,
paradoxo suspirante,
namorada,
amante...
More nos meus espaços,
vagos,
demarque fronteiras novas,
pinte, invente,
meu proibido mago...
O meu prazer é fácil
quando sinto seus lábios
e sua língua sem palavras
apagando o que é passado,
escrevendo sua história
na mais íntima das minhas memórias...
vestida de sentimento,
exposta pele,
desenhada de sol,
de arte e de tempo...
Deixe-me molhada
e seca de vontade,
paradoxo suspirante,
namorada,
amante...
More nos meus espaços,
vagos,
demarque fronteiras novas,
pinte, invente,
meu proibido mago...
O meu prazer é fácil
quando sinto seus lábios
e sua língua sem palavras
apagando o que é passado,
escrevendo sua história
na mais íntima das minhas memórias...
sexta-feira, dezembro 22, 2006
Ampliação
Avessa aos instantâneos,
ao excesso da imagem digital,
sinto seu mergulho nos meus líquidos
e a mágica da química
no escuro dos nossos sentidos
mostra o contraste de cada sinal...
A rubra atmosfera,
o tempo certo da espera
prova o que somos
tal qual foto no varal...
Quero o preto e o branco,
objetiva,
mas na longa exposição
seu foco vibra
e eu me revelo
femininamente colorida...
ao excesso da imagem digital,
sinto seu mergulho nos meus líquidos
e a mágica da química
no escuro dos nossos sentidos
mostra o contraste de cada sinal...
A rubra atmosfera,
o tempo certo da espera
prova o que somos
tal qual foto no varal...
Quero o preto e o branco,
objetiva,
mas na longa exposição
seu foco vibra
e eu me revelo
femininamente colorida...
quinta-feira, dezembro 07, 2006
Merlot
Predestinados, nos encontramos...
Sem hora marcada,
sem sonhos.
Apenas a realidade da nudez,
o arrepio sem frio,
o leito,
a margem
e o rio...
Desavisados, nos entregamos,
íntimos estranhos.
Marcas por toda parte,
sedes desesperadas
e duas inexplicáveis taças
intactas...
Sem hora marcada,
sem sonhos.
Apenas a realidade da nudez,
o arrepio sem frio,
o leito,
a margem
e o rio...
Desavisados, nos entregamos,
íntimos estranhos.
Marcas por toda parte,
sedes desesperadas
e duas inexplicáveis taças
intactas...
quinta-feira, novembro 30, 2006
Truque
Mensagens codificadas
camuflam nosso caso...
Trocados os dados,
apagamos os rastros
dos telefonemas rápidos...
Penumbra nos dias ensolarados,
pequenos disfarces,
mas a luz acesa nos quartos
numerados...
Para que nunca nos encontrem
por mais que procurem
vestígios ou fatos,
sem notar que sua senha brilha
num verso bonito
e seu nome rima com meus atos
falhos...
camuflam nosso caso...
Trocados os dados,
apagamos os rastros
dos telefonemas rápidos...
Penumbra nos dias ensolarados,
pequenos disfarces,
mas a luz acesa nos quartos
numerados...
Para que nunca nos encontrem
por mais que procurem
vestígios ou fatos,
sem notar que sua senha brilha
num verso bonito
e seu nome rima com meus atos
falhos...
segunda-feira, novembro 27, 2006
quinta-feira, novembro 23, 2006
Estigma
O amor que me marca,
concebido com todas as máculas,
desenha na pele cada passo da paixão:
a umidade do beijo,
que apaga todo o passado,
a pressão dos dedos,
que tatua a futura saudade,
a mordida,
a permitida invasão...
Então me ajoelho
sem oração,
nego as vontades
sem convicção
e me revelo fraca,
como as amantes são.
Cometo, todos os dias,
o pecado nada original,
sem medo do castigo...
E espero todas as horas
que me salve, sem mais demora,
o seu interno batismo...
concebido com todas as máculas,
desenha na pele cada passo da paixão:
a umidade do beijo,
que apaga todo o passado,
a pressão dos dedos,
que tatua a futura saudade,
a mordida,
a permitida invasão...
Então me ajoelho
sem oração,
nego as vontades
sem convicção
e me revelo fraca,
como as amantes são.
Cometo, todos os dias,
o pecado nada original,
sem medo do castigo...
E espero todas as horas
que me salve, sem mais demora,
o seu interno batismo...
quarta-feira, novembro 08, 2006
Carbônico
Quando o amor fica taquicárdico
e evapora toda a sanidade,
inspiramos o ar da partida iminente,
fumaça fria na pele que arde...
Expira a validade dos nossos álibis
e sufocamos até a próxima tarde...
e evapora toda a sanidade,
inspiramos o ar da partida iminente,
fumaça fria na pele que arde...
Expira a validade dos nossos álibis
e sufocamos até a próxima tarde...
segunda-feira, novembro 06, 2006
Sweet Home
Quando sou o teto e você, o piso,
da casa viva que construímos,
palafita incerta onde o amor mora
e que o prazer visita,
só o móbile dos cabelos
minha nudez enfeita...
O sistino seio, pintado com seus beijos,
eterniza o efêmero na sua retina...
Então você encontra
as janelas mais íntimas,
abre as cortinas
e nos ilumina...
da casa viva que construímos,
palafita incerta onde o amor mora
e que o prazer visita,
só o móbile dos cabelos
minha nudez enfeita...
O sistino seio, pintado com seus beijos,
eterniza o efêmero na sua retina...
Então você encontra
as janelas mais íntimas,
abre as cortinas
e nos ilumina...
segunda-feira, outubro 09, 2006
Crayon
Não venha pronto.
Venha esboço,
planta,
plano.
Venha idéia,
tijolo,
sonho.
Espaço em branco
que eu completo,
onde eu desenho,
leio e assino...
Venha a lápis,
venha menino,
(re)nasça onde eu vivo,
rascunho da minha espera,
homem definitivo.
Venha esboço,
planta,
plano.
Venha idéia,
tijolo,
sonho.
Espaço em branco
que eu completo,
onde eu desenho,
leio e assino...
Venha a lápis,
venha menino,
(re)nasça onde eu vivo,
rascunho da minha espera,
homem definitivo.
terça-feira, outubro 03, 2006
Pole Position
Hoje eu tiro primeiro
a camisa com seu cheiro
enquanto beijo seu peito...
Hoje eu abro primeiro
o botão, o zíper, a boca,
sentindo até onde cabe,
até onde posso,
até quando ouso...
Hoje eu gozo primeiro
ao ver como um filme perfeito
sua nudez e o meu vestido
(descaradamente erguido)
colorindo a tela do espelho...
a camisa com seu cheiro
enquanto beijo seu peito...
Hoje eu abro primeiro
o botão, o zíper, a boca,
sentindo até onde cabe,
até onde posso,
até quando ouso...
Hoje eu gozo primeiro
ao ver como um filme perfeito
sua nudez e o meu vestido
(descaradamente erguido)
colorindo a tela do espelho...
sexta-feira, setembro 15, 2006
Incenso
Mais uma madrugada
vazia de palavras,
plena de sentido,
outros sentidos plenamente saciados,
corpos em laço, adormecidos...
Desenhos de fumaça,
indianos signos,
guiam nossos sonhos de pecado
para um futuro paraíso...
Um movimento, um som, um desejo proibido
matam o sono para salvar a vida
e arde nos meus olhos um novo pedido...
Sua resposta vem num sorriso puro,
enquanto a brasa perfumada e rubra
queima lentamente no escuro...
vazia de palavras,
plena de sentido,
outros sentidos plenamente saciados,
corpos em laço, adormecidos...
Desenhos de fumaça,
indianos signos,
guiam nossos sonhos de pecado
para um futuro paraíso...
Um movimento, um som, um desejo proibido
matam o sono para salvar a vida
e arde nos meus olhos um novo pedido...
Sua resposta vem num sorriso puro,
enquanto a brasa perfumada e rubra
queima lentamente no escuro...
segunda-feira, setembro 11, 2006
Audaz
Para quem já teve medo.
Quanto mais clara é minha palavra
e mais expostos brilham meus perigos,
mais a sua boca, em trilha incerta,
hesita, vai e volta, acaba comigo...
Se o seu amor junta as mil partes
em que o prazer me quebra,
o meu amor rompe as mil grades
com que você se cerca...
Vencido, você rasga os mapas,
vencida, eu arrisco o amigo:
em qualquer sentido
estaremos perdidos...
E se desfaz no beijo proibido
tudo o que era, antes, impossível...
Quanto mais clara é minha palavra
e mais expostos brilham meus perigos,
mais a sua boca, em trilha incerta,
hesita, vai e volta, acaba comigo...
Se o seu amor junta as mil partes
em que o prazer me quebra,
o meu amor rompe as mil grades
com que você se cerca...
Vencido, você rasga os mapas,
vencida, eu arrisco o amigo:
em qualquer sentido
estaremos perdidos...
E se desfaz no beijo proibido
tudo o que era, antes, impossível...
sexta-feira, setembro 01, 2006
Razões
Sim, eu me viro,
dobro o corpo e espalho a alma
quando você sorri o desejo, mas não fala,
faz a palavra desnecessária...
Sim, eu me abro
em braços, pernas, boca...
Quero cada gota do seu silêncio
latejado e morno...
Sim, para qualquer pedido.
Sua, para qualquer loucura.
Porque me agrada ser a segunda,
dona absoluta de coisa nenhuma,
outra, porém única.
Porque eu gosto do seu olhar perdido
quando eu venço, por vida súbita,
o jogo antigo em que você reluta,
mas me procura pedindo abrigo...
dobro o corpo e espalho a alma
quando você sorri o desejo, mas não fala,
faz a palavra desnecessária...
Sim, eu me abro
em braços, pernas, boca...
Quero cada gota do seu silêncio
latejado e morno...
Sim, para qualquer pedido.
Sua, para qualquer loucura.
Porque me agrada ser a segunda,
dona absoluta de coisa nenhuma,
outra, porém única.
Porque eu gosto do seu olhar perdido
quando eu venço, por vida súbita,
o jogo antigo em que você reluta,
mas me procura pedindo abrigo...
segunda-feira, agosto 28, 2006
Siesta
Antes, venha.
A espera faminta foi suficiente
para molhar por dentro
o caminho do seu movimento...
Nem palavra, nem beijo:
o penetrar apenas,
esse deslizar interno
que vem, vem, vem
sabendo que machuca mais
quando faz que sai...
Depois, permaneça.
Acomode seu peso às minhas costas,
enquanto nossas pernas se roçam...
Sinta meu suspiro no seu peito
e, se por acaso vibrar inteiro,
aceite o convite que faço
para um lento recomeço...
A espera faminta foi suficiente
para molhar por dentro
o caminho do seu movimento...
Nem palavra, nem beijo:
o penetrar apenas,
esse deslizar interno
que vem, vem, vem
sabendo que machuca mais
quando faz que sai...
Depois, permaneça.
Acomode seu peso às minhas costas,
enquanto nossas pernas se roçam...
Sinta meu suspiro no seu peito
e, se por acaso vibrar inteiro,
aceite o convite que faço
para um lento recomeço...
terça-feira, agosto 22, 2006
Manhã
Esfrego, na sua barba de um dia,
um 'eu te amo' dolorido,
na pele, beijos e pedidos,
lábios perdidos nas teias
das veias e dos pêlos,
onde deixo palavras soltas,
frases sem sentido
e meu desejo explícito...
Mas a resposta esperada
só lava o meu sorriso
quando minha boca,
vazia de palavras,
silencia...
um 'eu te amo' dolorido,
na pele, beijos e pedidos,
lábios perdidos nas teias
das veias e dos pêlos,
onde deixo palavras soltas,
frases sem sentido
e meu desejo explícito...
Mas a resposta esperada
só lava o meu sorriso
quando minha boca,
vazia de palavras,
silencia...
sexta-feira, agosto 11, 2006
Festim
Estou farta do vazio das suas palavras...
Bêbada da sede nunca saciada,
seca de úmidas vontades...
Em mim não cabe mais tanto nada,
mas espero ansiosa a hora não marcada...
Você promete ficar já indo embora,
enquanto meu corpo faz de conta que dorme,
vestindo apenas a sua falta,
alimentando o sonho com as sobras
desse interminável banquete de migalhas...
Bêbada da sede nunca saciada,
seca de úmidas vontades...
Em mim não cabe mais tanto nada,
mas espero ansiosa a hora não marcada...
Você promete ficar já indo embora,
enquanto meu corpo faz de conta que dorme,
vestindo apenas a sua falta,
alimentando o sonho com as sobras
desse interminável banquete de migalhas...
sexta-feira, agosto 04, 2006
Prelúdio
Na sua boca beijo meu nome
e o som se faz interno aceno,
o irresistível obceno do amor
e seus movimentos...
Você vem...
Eu vou...
Trêmulo pêndulo...
Fico fora de mim
quando você me chama
de dentro...
e o som se faz interno aceno,
o irresistível obceno do amor
e seus movimentos...
Você vem...
Eu vou...
Trêmulo pêndulo...
Fico fora de mim
quando você me chama
de dentro...
sábado, julho 29, 2006
Desencontro
Troco o pano pela pele
e o calor arrepia o pêlo,
no lugar do perfume, o cheiro,
cabelos de um certo vermelho...
No espelho me despenteio,
deixo expostas olheiras,
a boca, antes do beijo,
a fome, antes do amor...
Só me dou por satisfeita
quando não me reconheço
ao ver a mulher que sou...
Quase sempre
quase pronta
para o nosso
quase encontro...
e o calor arrepia o pêlo,
no lugar do perfume, o cheiro,
cabelos de um certo vermelho...
No espelho me despenteio,
deixo expostas olheiras,
a boca, antes do beijo,
a fome, antes do amor...
Só me dou por satisfeita
quando não me reconheço
ao ver a mulher que sou...
Quase sempre
quase pronta
para o nosso
quase encontro...
segunda-feira, julho 17, 2006
Diplomacia
Cada vez que nossos corpos se encontram,
diferentes na forma,
no tom e na textura,
o desejo é semelhante,
idêntica a procura...
Somos estrangeiros um no outro,
exilados por escolha na mesma fantasia
onde o antigo prazer se faz desconhecido...
Na primeira vértebra, sinto sua boca
e na última vibra o arrepio do perigo,
mas, se conquistada eu me rendo ao invasor,
refugiado, você me pede asilo
e eu dou...
diferentes na forma,
no tom e na textura,
o desejo é semelhante,
idêntica a procura...
Somos estrangeiros um no outro,
exilados por escolha na mesma fantasia
onde o antigo prazer se faz desconhecido...
Na primeira vértebra, sinto sua boca
e na última vibra o arrepio do perigo,
mas, se conquistada eu me rendo ao invasor,
refugiado, você me pede asilo
e eu dou...
segunda-feira, julho 03, 2006
Fast
Minha mão de unhas curtas
no seu peito exato
sente o coração por dentro,
disparado...
Pulsação igual à outra
entre meus dedos,
sob meus beijos,
dentro da boca...
E se minha fome nos surpreende,
acelero o movimento,
você se rende
e eu me alimento...
no seu peito exato
sente o coração por dentro,
disparado...
Pulsação igual à outra
entre meus dedos,
sob meus beijos,
dentro da boca...
E se minha fome nos surpreende,
acelero o movimento,
você se rende
e eu me alimento...
quinta-feira, junho 22, 2006
Faquir
Prometo que será o último encontro
e juro ser irrevogável a despedida,
mas quebro a minha jura
sob o peso do seu corpo
e durmo, cansada e satisfeita,
sobre os cacos das promessas partidas...
e juro ser irrevogável a despedida,
mas quebro a minha jura
sob o peso do seu corpo
e durmo, cansada e satisfeita,
sobre os cacos das promessas partidas...
quarta-feira, junho 21, 2006
Saloon
Expostas as cartas,
cabelos e costas
na mesa...
Em leque,
o deck,
os cachos,
os blefes em cheque...
Sem ases, sem mangas,
as asas dos braços abertas,
abertas as pernas bambas...
Desorientada dama
deseja revanche:
embaralhe de novo nossos vícios
para um outro jogo, desde o início...
cabelos e costas
na mesa...
Em leque,
o deck,
os cachos,
os blefes em cheque...
Sem ases, sem mangas,
as asas dos braços abertas,
abertas as pernas bambas...
Desorientada dama
deseja revanche:
embaralhe de novo nossos vícios
para um outro jogo, desde o início...
terça-feira, maio 30, 2006
Pitada
Quando a palavra está em falta
ou me olha sorrindo das prateleiras mais altas,
você chega às portas do meu corpo
trazendo prazeres sortidos
e braçadas de carinhos...
Então junto sua pele à minha,
e nossos corações ligeiramente batidos...
Provo o doce, o sal, o ponto a que chegamos
e coloco em sua boca meus suspiros...
Enquanto minha poesia silencia,
você mistura sonhos aos meus dias
e eu sobrevivo...
ou me olha sorrindo das prateleiras mais altas,
você chega às portas do meu corpo
trazendo prazeres sortidos
e braçadas de carinhos...
Então junto sua pele à minha,
e nossos corações ligeiramente batidos...
Provo o doce, o sal, o ponto a que chegamos
e coloco em sua boca meus suspiros...
Enquanto minha poesia silencia,
você mistura sonhos aos meus dias
e eu sobrevivo...
segunda-feira, maio 22, 2006
Manuscrito
Rasgue a capa das roupas
e, nas páginas do meu corpo,
as letras da nossa história
escreva com dedos lentos,
rabisque com as unhas curtas
ou tente apagar com as palmas
que aindam guardam meus beijos...
Deixe que permaneça
não publicado o segredo,
rascunho de cada dia,
frente e verso onde nos leio...
e, nas páginas do meu corpo,
as letras da nossa história
escreva com dedos lentos,
rabisque com as unhas curtas
ou tente apagar com as palmas
que aindam guardam meus beijos...
Deixe que permaneça
não publicado o segredo,
rascunho de cada dia,
frente e verso onde nos leio...
segunda-feira, maio 15, 2006
Contrastes
No escuro desse quarto,
a paixão é clara...
Contralto e barítono,
em palavras e gemidos...
Floral e cítrico,
perfumando o mesmo gozo...
Macio e rígido,
ardendo o mesmo atrito,
reinventando o fogo...
Masculino movimento,
por cima e por dentro,
e um feminino suspiro
cortando o silêncio
a qualquer momento...
a paixão é clara...
Contralto e barítono,
em palavras e gemidos...
Floral e cítrico,
perfumando o mesmo gozo...
Macio e rígido,
ardendo o mesmo atrito,
reinventando o fogo...
Masculino movimento,
por cima e por dentro,
e um feminino suspiro
cortando o silêncio
a qualquer momento...
sexta-feira, maio 12, 2006
Cortina
Em dias azuis
de douradas tardes,
a janela fechada
simula noites intermináveis...
Digo sim ao tempo, ignorando a hora
e quando os braços abertos do relógio
se juntam no abraço condenado,
eu separo as pernas sem demora,
para nos unir no mesmo orgasmo...
de douradas tardes,
a janela fechada
simula noites intermináveis...
Digo sim ao tempo, ignorando a hora
e quando os braços abertos do relógio
se juntam no abraço condenado,
eu separo as pernas sem demora,
para nos unir no mesmo orgasmo...
quarta-feira, maio 10, 2006
Mudança
Num canto qualquer da minha mente,
cobertas pelo pó dos dias,
as antigas vontades estão amontoadas
e perdidas...
As fomes novas que você trouxe,
quando se mudou para minha vida,
estão espalhadas por toda parte
e, indecentemente, brilham...
cobertas pelo pó dos dias,
as antigas vontades estão amontoadas
e perdidas...
As fomes novas que você trouxe,
quando se mudou para minha vida,
estão espalhadas por toda parte
e, indecentemente, brilham...
quinta-feira, maio 04, 2006
Post-it
À sombra dos fatos,
sob a luz dos quartos,
os atos,
nossos e mágicos,
sem rota de fuga,
foram fartos...
Sem posse e sem culpa,
sinto sua falta:
mil vezes, e novamente,
eu seria a mulher errada,
tão exata para os abraços...
(Para você, que me sabe,
ainda sei enfeitiçar as tardes...)
sob a luz dos quartos,
os atos,
nossos e mágicos,
sem rota de fuga,
foram fartos...
Sem posse e sem culpa,
sinto sua falta:
mil vezes, e novamente,
eu seria a mulher errada,
tão exata para os abraços...
(Para você, que me sabe,
ainda sei enfeitiçar as tardes...)
quarta-feira, abril 26, 2006
Pra Lembrar
Ainda agora há pouco,
em outra vida,
nas pontas dos meus dedos
o amor,
o improviso do amor,
o amor impreciso,
o possível inacreditável infinito...
Há dois segundos,
há mil anos,
seu corpo entre meus joelhos,
sempre o eterno primeiro
a cada (re)começo,
desde que me conheço...
No limite das nossas horas,
sempre mais bonita
era a palavra não dita,
certa apesar dos erros
e da incerteza dos dias
ao redor das quartas-feiras...
em outra vida,
nas pontas dos meus dedos
o amor,
o improviso do amor,
o amor impreciso,
o possível inacreditável infinito...
Há dois segundos,
há mil anos,
seu corpo entre meus joelhos,
sempre o eterno primeiro
a cada (re)começo,
desde que me conheço...
No limite das nossas horas,
sempre mais bonita
era a palavra não dita,
certa apesar dos erros
e da incerteza dos dias
ao redor das quartas-feiras...
segunda-feira, abril 24, 2006
Outono
Minha pele espera
a língua e os lábios...
O pulso, o braço...
A coxa, embaixo...
As costas, os dedos,
o que é fundo
e o que (res)salta...
A penugem, o pêlo
e cada úmido segredo
maduro e doce sob seu beijo...
A flor, no vaso,
inventa primavera
e eu suspiro
(inventando brisa),
quando sua colheita é precisa:
a boca,
o fruto,
a mordida
e o sumo...
a língua e os lábios...
O pulso, o braço...
A coxa, embaixo...
As costas, os dedos,
o que é fundo
e o que (res)salta...
A penugem, o pêlo
e cada úmido segredo
maduro e doce sob seu beijo...
A flor, no vaso,
inventa primavera
e eu suspiro
(inventando brisa),
quando sua colheita é precisa:
a boca,
o fruto,
a mordida
e o sumo...
sexta-feira, abril 14, 2006
De amor
Sua demora me leva
ao sono das esperas,
ausente de sonhos,
cansado de guerras...
Sua chegada me revela
nada santa, talvez bela
ou apenas a mulher
que só você desperta...
Desperta,
respiro o ar que nos cerca,
bebo beijos, toco pêlos,
mordo lábios, abro pernas,
meu desejo se supera...
O cansaço do prazer me leva
e eu sonho o momento passado,
enquanto o sonho que me ama
dorme a meu lado
(e ressona)...
ao sono das esperas,
ausente de sonhos,
cansado de guerras...
Sua chegada me revela
nada santa, talvez bela
ou apenas a mulher
que só você desperta...
Desperta,
respiro o ar que nos cerca,
bebo beijos, toco pêlos,
mordo lábios, abro pernas,
meu desejo se supera...
O cansaço do prazer me leva
e eu sonho o momento passado,
enquanto o sonho que me ama
dorme a meu lado
(e ressona)...
segunda-feira, abril 10, 2006
Ilusionista
Sob sua luz castanha
me exponho
e transformo,
para sua rendição,
o amor em gesto,
a surpresa em movimento,
a diferença em comunhão...
Íntimo show onde surge,
satisfeita e nua,
da mulher que sou,
a mulher que é sua...
me exponho
e transformo,
para sua rendição,
o amor em gesto,
a surpresa em movimento,
a diferença em comunhão...
Íntimo show onde surge,
satisfeita e nua,
da mulher que sou,
a mulher que é sua...
segunda-feira, abril 03, 2006
Legado
Quero o beijo esfregado
inchando meus lábios
e a mordida que grava
seus dentes no ombro,
vermelho baixo-relevo
que no espelho me assombra...
Depois, venha como se coubesse,
na falsa dor que guarda a promessa
do prazer umedecendo as frestas...
Tire do amor toda a delicadeza
e espalhe marcas na minha pele,
secretas provas de amor que levo
quando, saciado, você me deixa...
inchando meus lábios
e a mordida que grava
seus dentes no ombro,
vermelho baixo-relevo
que no espelho me assombra...
Depois, venha como se coubesse,
na falsa dor que guarda a promessa
do prazer umedecendo as frestas...
Tire do amor toda a delicadeza
e espalhe marcas na minha pele,
secretas provas de amor que levo
quando, saciado, você me deixa...
sexta-feira, março 31, 2006
Vésper
Peço, com a voz que me resta,
que venha mais fundo,
sem precisar
que você já está,
de todas as formas,
em todos os poros,
por dentro e por fora...
Para ser sua 'outra',
misturo as facetas
de todas as outras
em uma...
Horas contadas na tarde
e o que tenho me basta:
seu amor único
(minha vida dupla!)
e meu gozo múltiplo
forçando seu jorro
neste exato, infinito minuto...
que venha mais fundo,
sem precisar
que você já está,
de todas as formas,
em todos os poros,
por dentro e por fora...
Para ser sua 'outra',
misturo as facetas
de todas as outras
em uma...
Horas contadas na tarde
e o que tenho me basta:
seu amor único
(minha vida dupla!)
e meu gozo múltiplo
forçando seu jorro
neste exato, infinito minuto...
quarta-feira, março 22, 2006
Date
Luz de velas, vinho,
um jazz, quem sabe...
A maciez da pele e a dureza desejada,
(calor escorregando pela umidade)...
Seda cobrindo a ânsia de descobrir,
a gota de perfume atrás da orelha...
Lua cheia no céu ou chuva nas telhas...
Infinita espera de vontades,
um coração que dispara,
uma pele que arde...
Não sei como será
e não me importa,
tudo o que sonho é trancar aquela porta...
Não quero mais a perfeição das teorias!
Vamos sorrir dos nossos erros
e realizar as fantasias...
um jazz, quem sabe...
A maciez da pele e a dureza desejada,
(calor escorregando pela umidade)...
Seda cobrindo a ânsia de descobrir,
a gota de perfume atrás da orelha...
Lua cheia no céu ou chuva nas telhas...
Infinita espera de vontades,
um coração que dispara,
uma pele que arde...
Não sei como será
e não me importa,
tudo o que sonho é trancar aquela porta...
Não quero mais a perfeição das teorias!
Vamos sorrir dos nossos erros
e realizar as fantasias...
segunda-feira, março 20, 2006
Oral
A boca nos seios
busca o gosto,
deixa o rastro do beijo
exposto...
A voz na pele
esfrega a palavra
na carne,
tempera a vontade...
A língua nos meios
encontra o caminho
e perde o receio...
Vem...
Respira meu cheiro
e me arrepia:
sopra tua obcena ventania
entre os meus pêlos...
busca o gosto,
deixa o rastro do beijo
exposto...
A voz na pele
esfrega a palavra
na carne,
tempera a vontade...
A língua nos meios
encontra o caminho
e perde o receio...
Vem...
Respira meu cheiro
e me arrepia:
sopra tua obcena ventania
entre os meus pêlos...
segunda-feira, março 13, 2006
Sim
Cada vez que você me aceita,
imperfeita e falha,
nas malhas da sua teia,
eu me vejo inteira
e me reconheço:
mente livre,
pele nua,
descaradamente
sua...
imperfeita e falha,
nas malhas da sua teia,
eu me vejo inteira
e me reconheço:
mente livre,
pele nua,
descaradamente
sua...
quarta-feira, março 08, 2006
Gula
Não me sacia
a insuficiência dos dias...
Para fome de amante,
mil noites de insônia
em lençóis macios...
Antes de não dormir,
agradeço ao deus que não me protegeu
pela cumplicidade do seu corpo,
que se entrega para que eu me farte
do todo
e da parte...
a insuficiência dos dias...
Para fome de amante,
mil noites de insônia
em lençóis macios...
Antes de não dormir,
agradeço ao deus que não me protegeu
pela cumplicidade do seu corpo,
que se entrega para que eu me farte
do todo
e da parte...
quinta-feira, março 02, 2006
Luxúria
Nas costas,
a aspereza da parede;
na boca,
o beijo...
Pelos braços
escorrem as alças,
você enche as palmas...
Entre meus dedos,
sua vontade expressa
e meu corpo arde, sem segredo...
Despertos, os pecados fazem festa,
porque hoje a inocência foi dormir mais cedo...
a aspereza da parede;
na boca,
o beijo...
Pelos braços
escorrem as alças,
você enche as palmas...
Entre meus dedos,
sua vontade expressa
e meu corpo arde, sem segredo...
Despertos, os pecados fazem festa,
porque hoje a inocência foi dormir mais cedo...
Ming
Enquanto guardo no corpo
a brasa que brilha
a memória do fogo,
você me molha
e eu me moldo, argila,
perfeitamente ao seu contorno...
a brasa que brilha
a memória do fogo,
você me molha
e eu me moldo, argila,
perfeitamente ao seu contorno...
terça-feira, fevereiro 21, 2006
Lovers
No calor da minha boca
suas palavras desatam:
você, laço;
eu, nós...
No leito íntimo que o gozo deseja,
flui a sua correnteza:
você, nascente;
eu, foz...
No silêncio do prazer absoluto,
só escuto algum coração
explodindo no escuro:
você lateja,
eu pulso...
Dentro de mim a alma sorri, sem fala,
quando, até nas entrelinhas, você se cala...
suas palavras desatam:
você, laço;
eu, nós...
No leito íntimo que o gozo deseja,
flui a sua correnteza:
você, nascente;
eu, foz...
No silêncio do prazer absoluto,
só escuto algum coração
explodindo no escuro:
você lateja,
eu pulso...
Dentro de mim a alma sorri, sem fala,
quando, até nas entrelinhas, você se cala...
sexta-feira, fevereiro 17, 2006
De dor e tempo
*Porque a sua dor me comove, M.T., muito.
Você me abençoou
com a maldição irresistível da alegria
de ter em minhas mãos as suas horas,
mas não me avisou da partida...
Hoje cada minuto é como um dia
e cada dia brinca de ser eternidade...
Então eu digo que o tempo é o mais feio de todos os deuses*,
por seu silêncio sem ira,
por sua ida sem volta possível...
E descubro, do jeito mais difícil,
que as trindades santíssimas
não perderiam seu tempo comigo:
minha cabeça (re)cria e executa o castigo
e o tempo... o tempo é apenas o carrasco de Deus...
Você me abençoou
com a maldição irresistível da alegria
de ter em minhas mãos as suas horas,
mas não me avisou da partida...
Hoje cada minuto é como um dia
e cada dia brinca de ser eternidade...
Então eu digo que o tempo é o mais feio de todos os deuses*,
por seu silêncio sem ira,
por sua ida sem volta possível...
E descubro, do jeito mais difícil,
que as trindades santíssimas
não perderiam seu tempo comigo:
minha cabeça (re)cria e executa o castigo
e o tempo... o tempo é apenas o carrasco de Deus...
segunda-feira, fevereiro 13, 2006
Affair
Na impossibilidade das mãos dadas,
sozinha,
saltos batendo na calçada,
caminho felina,
no meio da tarde,
parda...
Sei que você virá por outros atalhos,
sou seu destino,
precipício inevitável de todos os seus passos...
Agora que já somos culpados
de crimes ainda não cometidos,
vamos passar as horas que roubamos
saciando nossos vícios...
sozinha,
saltos batendo na calçada,
caminho felina,
no meio da tarde,
parda...
Sei que você virá por outros atalhos,
sou seu destino,
precipício inevitável de todos os seus passos...
Agora que já somos culpados
de crimes ainda não cometidos,
vamos passar as horas que roubamos
saciando nossos vícios...
segunda-feira, fevereiro 06, 2006
New Orleans
Minha nudez desliza,
engole sua fome,
envolve seu desejo
em movimento e calor...
Suor que brilha
sob a falsa brisa do ventilador...
Veneziana respinga neon,
beijos bourbon,
misturados sons...
Jazz... fora...
Jazz... dentro...
Jazz... fundo...
Jazz... sempre...
Jazz...
Jazz...
JAZZ!...
*Sob influência de Márcia Maia (www.tabuademares.blogger.com.br/) e seu almost blue
engole sua fome,
envolve seu desejo
em movimento e calor...
Suor que brilha
sob a falsa brisa do ventilador...
Veneziana respinga neon,
beijos bourbon,
misturados sons...
Jazz... fora...
Jazz... dentro...
Jazz... fundo...
Jazz... sempre...
Jazz...
Jazz...
JAZZ!...
*Sob influência de Márcia Maia (www.tabuademares.blogger.com.br/) e seu almost blue
sábado, fevereiro 04, 2006
terça-feira, janeiro 31, 2006
Obra-prima
A moldura da noite nos faz indistintos,
cegos por escolha sob a lua apagada,
entregues a quatro sentidos vorazes,
a um amor e a várias vontades...
Quando amanhece, o sol que nos revela
aquece suas costas e as minhas...
Na pele que exponho, sua sombra desenha
a promessa alucinante de mais uma vinda...
Assine...
cegos por escolha sob a lua apagada,
entregues a quatro sentidos vorazes,
a um amor e a várias vontades...
Quando amanhece, o sol que nos revela
aquece suas costas e as minhas...
Na pele que exponho, sua sombra desenha
a promessa alucinante de mais uma vinda...
Assine...
terça-feira, janeiro 24, 2006
Indícios
Coração leve e corpo tranqüilo...
Olhos no teto e música nos ouvidos...
Taça vazia...
Cera derretida...
Saciedade plena sob a luz do dia...
Você veio.
Eu brilho!...
Olhos no teto e música nos ouvidos...
Taça vazia...
Cera derretida...
Saciedade plena sob a luz do dia...
Você veio.
Eu brilho!...
quarta-feira, janeiro 18, 2006
Resgate
No meio do caminho
entre o beijo e o infinito,
no momento preciso em que estamos
completamente perdidos,
seus dedos abrem a trilha
e minha mão é a guia...
entre o beijo e o infinito,
no momento preciso em que estamos
completamente perdidos,
seus dedos abrem a trilha
e minha mão é a guia...
sábado, janeiro 14, 2006
Assim
Nas pontas dos pés
alcanço seu beijo,
giro, bailarina,
e ofereço
a rédea dos cabelos,
a cintura fina,
o equilíbrio frágil dos joelhos...
A mordida na nuca
incendeia o pavio da coluna
e eu me dobro em quatro
sobre os travesseiros,
completamente acesa...
Entre gemidos, peço coisas obcenas
e, entre as pernas, sinto seu sorriso,
antes de você atender aos meus pedidos...
alcanço seu beijo,
giro, bailarina,
e ofereço
a rédea dos cabelos,
a cintura fina,
o equilíbrio frágil dos joelhos...
A mordida na nuca
incendeia o pavio da coluna
e eu me dobro em quatro
sobre os travesseiros,
completamente acesa...
Entre gemidos, peço coisas obcenas
e, entre as pernas, sinto seu sorriso,
antes de você atender aos meus pedidos...
sexta-feira, janeiro 13, 2006
Junco
Seu olhar,
castanho absurdo,
fundo de rio
onde não mergulho...
Em silêncio, deito à margem,
iludo a sede, sorrio,
molho as pontas do sonho
e durmo...
castanho absurdo,
fundo de rio
onde não mergulho...
Em silêncio, deito à margem,
iludo a sede, sorrio,
molho as pontas do sonho
e durmo...
Pureza
Em preto e vermelho
a máscara escorre...
Giram, na pia do banheiro,
água,
lágrima
e cor...
No espelho iluminado
vejo apenas o reflexo limpo
que daqui a dois segundos
vai boiar nos seus olhos lindos
e úmidos...
a máscara escorre...
Giram, na pia do banheiro,
água,
lágrima
e cor...
No espelho iluminado
vejo apenas o reflexo limpo
que daqui a dois segundos
vai boiar nos seus olhos lindos
e úmidos...
quinta-feira, janeiro 05, 2006
Lona
Silenciosamente,
você engole a nossa chama
e se deixa arder por dentro
(segredo protegido...),
enquanto eu ignoro o perigo
e, de braços abertos na sua cama,
caminho no fio esticado das palavras que digo...
você engole a nossa chama
e se deixa arder por dentro
(segredo protegido...),
enquanto eu ignoro o perigo
e, de braços abertos na sua cama,
caminho no fio esticado das palavras que digo...
segunda-feira, janeiro 02, 2006
De verão
No céu limpo do quarto
faíscam as nossas vontades...
Sem aviso sua camisa voa,
nuvem clara,
chovendo botões a esmo...
Entre beijos, meu vestido cai,
poça vermelha,
ao redor dos tornozelos...
Depois, é trovão no peito
e você me inunda
mais uma vez...
faíscam as nossas vontades...
Sem aviso sua camisa voa,
nuvem clara,
chovendo botões a esmo...
Entre beijos, meu vestido cai,
poça vermelha,
ao redor dos tornozelos...
Depois, é trovão no peito
e você me inunda
mais uma vez...
sexta-feira, dezembro 30, 2005
Líquida
Não sei mais se te quero rio
atravessando finito
o leito proibido do meu desejo...
Ou se te quero mar,
onda dúbia que me deixa
areia úmida,
expectante gueixa...
Não sei mais se te quero sêmen
(transbordando minha falta de limite...)
ou se te quero suor,
garoa dos teus pêlos
nos meus secos...
Sei apenas que te quero,
em lágrimas...
atravessando finito
o leito proibido do meu desejo...
Ou se te quero mar,
onda dúbia que me deixa
areia úmida,
expectante gueixa...
Não sei mais se te quero sêmen
(transbordando minha falta de limite...)
ou se te quero suor,
garoa dos teus pêlos
nos meus secos...
Sei apenas que te quero,
em lágrimas...
quinta-feira, dezembro 29, 2005
Troca
Existe, além das palavras e do riso,
a comunicação precisa das mãos,
a confusão das pernas e, entre elas,
a indecisa junção
que se repete sem trégua,
até o final, trêmula paz!...
Se é minha a umidade onde termina
a dureza da sua paixão explícita,
seu é o ilícito gemido
(prova fugaz desse delito),
som do meu prazer
no seu ouvido...
a comunicação precisa das mãos,
a confusão das pernas e, entre elas,
a indecisa junção
que se repete sem trégua,
até o final, trêmula paz!...
Se é minha a umidade onde termina
a dureza da sua paixão explícita,
seu é o ilícito gemido
(prova fugaz desse delito),
som do meu prazer
no seu ouvido...
segunda-feira, dezembro 26, 2005
Vontade*
Sua mão segura meu seio,
desliza para a cintura,
escorre pela coxa
e me procura...
Nas minhas costas,
o seu peito roça,
um coração dispara,
não importa qual...
Então, sem aviso,
tenho o que é preciso:
na minha nuca
sua boca vibra,
eu me arrepio
e a vida brilha!...
*para que se faça a sua vontade, Mario...
desliza para a cintura,
escorre pela coxa
e me procura...
Nas minhas costas,
o seu peito roça,
um coração dispara,
não importa qual...
Então, sem aviso,
tenho o que é preciso:
na minha nuca
sua boca vibra,
eu me arrepio
e a vida brilha!...
*para que se faça a sua vontade, Mario...
Crônico
Não existe cura para esse desejo...
Apenas sobrevivo até a próxima gota,
respiro até o próximo beijo,
deliro até que de novo
a febre me queime
infinitas vezes...
Apenas sobrevivo até a próxima gota,
respiro até o próximo beijo,
deliro até que de novo
a febre me queime
infinitas vezes...
sexta-feira, dezembro 23, 2005
Dom
Meu peso mantém preso o seu corpo,
refém do meu desejo,
meu brinquedo,
meu reino,
onde me perco e começo
o interminável passeio
pelos prazeres secretos,
que apenas eu conheço
e, só a você, entrego...
refém do meu desejo,
meu brinquedo,
meu reino,
onde me perco e começo
o interminável passeio
pelos prazeres secretos,
que apenas eu conheço
e, só a você, entrego...
quinta-feira, dezembro 22, 2005
Pax
Depois de todas as loucuras
repetidamente imaginadas
(deliciosamente repetidas...) ,
surge essa desconcertante sanidade
e eu encontro, deitada no seu peito,
tranqüila como quem ama,
a estranha que vive em mim...
repetidamente imaginadas
(deliciosamente repetidas...) ,
surge essa desconcertante sanidade
e eu encontro, deitada no seu peito,
tranqüila como quem ama,
a estranha que vive em mim...
terça-feira, dezembro 20, 2005
Toque
Sua mão esboça
curvas e paralelas
nas minhas costas...
Invisíveis traços
do lado de dentro
dos meus braços...
E, nas coxas que separo,
o risco das unhas e suas digitais
desenham trilhas diferentes
para destinos iguais...
curvas e paralelas
nas minhas costas...
Invisíveis traços
do lado de dentro
dos meus braços...
E, nas coxas que separo,
o risco das unhas e suas digitais
desenham trilhas diferentes
para destinos iguais...
segunda-feira, dezembro 19, 2005
Flora
Não se deixe enganar
por minhas pétalas secretas,
pelo perfume no ar,
a cor exposta
e o mel que escorre...
O mais bonito não se mostra,
no escuro cala e consente,
não é efêmera flor,
é feminina semente...
por minhas pétalas secretas,
pelo perfume no ar,
a cor exposta
e o mel que escorre...
O mais bonito não se mostra,
no escuro cala e consente,
não é efêmera flor,
é feminina semente...
quinta-feira, dezembro 15, 2005
Sede
Além dos nossos sons,
não há mais nada...
Talvez uma música,
mas não identifico...
Nosso quase se estende até o limite,
falso infinito...
Então mordo o lábio, mastigo seu nome
(engasgando com as palavras que não digo)
e só tenho alívio quando bebo o 'eu te amo'
que você diz na minha boca,
quando goza comigo...
não há mais nada...
Talvez uma música,
mas não identifico...
Nosso quase se estende até o limite,
falso infinito...
Então mordo o lábio, mastigo seu nome
(engasgando com as palavras que não digo)
e só tenho alívio quando bebo o 'eu te amo'
que você diz na minha boca,
quando goza comigo...
segunda-feira, dezembro 12, 2005
Festa
Sinto seu chamado e o sangue acelera,
levando seu nome a cada uma das células,
anúncio de alegria
(sonho que me resta!)
e o amor me prepara para nossa festa...
Quando minhas mãos se cravam nos seus ombros
e minha boca na sua só deseja beijos,
as carícias eu espalho pela sua pele
esfregando sem pudor o meu corpo inteiro...
levando seu nome a cada uma das células,
anúncio de alegria
(sonho que me resta!)
e o amor me prepara para nossa festa...
Quando minhas mãos se cravam nos seus ombros
e minha boca na sua só deseja beijos,
as carícias eu espalho pela sua pele
esfregando sem pudor o meu corpo inteiro...
sábado, dezembro 10, 2005
Dalí
Quero, sem a pressa dos segundos
e sem a pressão dos minutos,
tocar você de todas as formas,
recriar nossos mundos...
Demarcar com a língua suas fronteiras,
para depois rompê-las...
Brincar com o impossível eterno a cada hora
e deixar o tempo para a rota circular dos relógios...
e sem a pressão dos minutos,
tocar você de todas as formas,
recriar nossos mundos...
Demarcar com a língua suas fronteiras,
para depois rompê-las...
Brincar com o impossível eterno a cada hora
e deixar o tempo para a rota circular dos relógios...
sexta-feira, dezembro 09, 2005
Outra
Não dá para negar a minha fome
ou a sede que tenho pelo que é teu...
Se te olho como se visse Deus
(em transe como se fosses meu)
sem culpa, eu te procuro...
Não pode ser pecado o que tenho de mais puro!...
ou a sede que tenho pelo que é teu...
Se te olho como se visse Deus
(em transe como se fosses meu)
sem culpa, eu te procuro...
Não pode ser pecado o que tenho de mais puro!...
quarta-feira, dezembro 07, 2005
terça-feira, dezembro 06, 2005
Luz
A calmaria é frágil
e a tempestade, implícita,
mas eu durmo tranqüila
sob o farol da sua vigília....
e a tempestade, implícita,
mas eu durmo tranqüila
sob o farol da sua vigília....
segunda-feira, dezembro 05, 2005
Jam Session
O encontro dos poros,
a combinação do suor,
os gestos sem ensaio
e a conversa dos olhares...
Essa mistura sem medida
coloca em nossa luxúria
a trilha sonora do delírio,
ato e gemido,
a mais (im)pura libido...
Só o diálogo improvisado das nossas peles silencia
a vida surda e seu monólogo sem sentido!...
a combinação do suor,
os gestos sem ensaio
e a conversa dos olhares...
Essa mistura sem medida
coloca em nossa luxúria
a trilha sonora do delírio,
ato e gemido,
a mais (im)pura libido...
Só o diálogo improvisado das nossas peles silencia
a vida surda e seu monólogo sem sentido!...
quinta-feira, dezembro 01, 2005
Flamenco
Meu corpo sobre o seu
é encaixe e movimento,
dança úmida no silêncio...
A música toca por dentro,
vibra no sangue
e ecoa no gozo,
enquanto sorrimos
ensurdecendo...
é encaixe e movimento,
dança úmida no silêncio...
A música toca por dentro,
vibra no sangue
e ecoa no gozo,
enquanto sorrimos
ensurdecendo...
quarta-feira, novembro 30, 2005
Manifeste-se
Em Roraima um policial atirou para o alto. Atingiu e matou um jovem de 16 anos que estava numa pizzaria. Sandro Borges estava no lugar certo e na hora certa. Errado estava quem não sabe exercer sua função e carrega uma arma. Dê seu apoio e registre sua indignação. É o mínimo que podemos fazer.
Crônicas da Fronteira (http://www.edgarb.blogspot.com)
Crônicas da Fronteira (http://www.edgarb.blogspot.com)
terça-feira, novembro 29, 2005
sexta-feira, novembro 25, 2005
Agora
Quero você com o peso
de todos os pecados,
a pureza deixada de lado,
quando a seu lado me deito...
Quero você com a loucura de quem mata
e com a fragilidade de quem vive,
contra todos os avisos,
o impreciso do desejo...
E para que se faça
depressa a nossa vontade,
sobre a pele, o vestido,
sob o vestido, a pele
e mais nada...
de todos os pecados,
a pureza deixada de lado,
quando a seu lado me deito...
Quero você com a loucura de quem mata
e com a fragilidade de quem vive,
contra todos os avisos,
o impreciso do desejo...
E para que se faça
depressa a nossa vontade,
sobre a pele, o vestido,
sob o vestido, a pele
e mais nada...
terça-feira, novembro 22, 2005
A Falta Que Nos Move*
Venha agora,
vá daqui a uma hora,
não importa...
Tranque a porta
(aberta à sua espera)
e me ame durante
essa diária infame...
Deixe comigo o cheiro
que eu preciso
e a falta de mim
disfarçada em seu sorriso...
Bendita é a saudade
que chegou sem convite
e fez você cruzar
todos os meus limites...
*Para Zanny e Edgar, que sentem saudade até quando estão juntos...
vá daqui a uma hora,
não importa...
Tranque a porta
(aberta à sua espera)
e me ame durante
essa diária infame...
Deixe comigo o cheiro
que eu preciso
e a falta de mim
disfarçada em seu sorriso...
Bendita é a saudade
que chegou sem convite
e fez você cruzar
todos os meus limites...
*Para Zanny e Edgar, que sentem saudade até quando estão juntos...
domingo, novembro 20, 2005
Entreatos
O ar que me toca
não traz seu cheiro
nem sua voz...
Veloz, o tempo
(alado na sua presença)
brinca de passar em câmera lenta,
tão devagar quanto desaparecem suas marcas,
sem perceber que eu já sei de cor a sua falta...
não traz seu cheiro
nem sua voz...
Veloz, o tempo
(alado na sua presença)
brinca de passar em câmera lenta,
tão devagar quanto desaparecem suas marcas,
sem perceber que eu já sei de cor a sua falta...
quinta-feira, novembro 17, 2005
Lista
Coloque-se ao meu alcance
e deixe que eu decida
o que vou tocar primeiro,
quanto vou beijar durante,
como vou lamber depois...
Antes que você levante,
quem sabe, mais uma vez,
seu prazer, para nós dois...
e deixe que eu decida
o que vou tocar primeiro,
quanto vou beijar durante,
como vou lamber depois...
Antes que você levante,
quem sabe, mais uma vez,
seu prazer, para nós dois...
quarta-feira, novembro 16, 2005
Depois
No seu corpo adormecido
beijo os caminhos estreitos
que minhas unhas abriram
nas suas costas,
em vermelho,
labirinto sem saída
de todos os meus desejos...
Você acorda e num carinho
banha com a ponta da língua
a pele azulada das ilhas
desenhadas nos meus seios
(mordidas que eu pedi...)
quando nosso prazer veio...
beijo os caminhos estreitos
que minhas unhas abriram
nas suas costas,
em vermelho,
labirinto sem saída
de todos os meus desejos...
Você acorda e num carinho
banha com a ponta da língua
a pele azulada das ilhas
desenhadas nos meus seios
(mordidas que eu pedi...)
quando nosso prazer veio...
sábado, novembro 12, 2005
Insana
Dentro de mim queima
o mesmo desejo
que corta sua fala.
Vencido,
meu pensamento sorri para o instinto
e se cala...
o mesmo desejo
que corta sua fala.
Vencido,
meu pensamento sorri para o instinto
e se cala...
quarta-feira, novembro 09, 2005
Bicho
No ar, farejo sua presença,
a diferença do seu cheiro,
a beira da minha loucura,
a pura vontade de ser sempre,
entre as fêmeas,
a fêmea,
o encaixe,
o par...
Idêntica ânsia de deitar,
abrir,
receber,
gozar...
Na boca, a pele e o leite...
Na pele, o deleite do beijo,
o desejo,
o cio,
a fome que nos consome
e nos mantém além do amor,
além...
a diferença do seu cheiro,
a beira da minha loucura,
a pura vontade de ser sempre,
entre as fêmeas,
a fêmea,
o encaixe,
o par...
Idêntica ânsia de deitar,
abrir,
receber,
gozar...
Na boca, a pele e o leite...
Na pele, o deleite do beijo,
o desejo,
o cio,
a fome que nos consome
e nos mantém além do amor,
além...
terça-feira, novembro 08, 2005
Beijo
Seu sopro morno
cruza o tecido,
atiça a brasa
e eu me dissolvo...
Sinto pelas pernas
o passeio das sedas
e espero seu retorno...
Depois, é sua boca
no meu delírio
e o seu nome
no meu suspiro
de novo...
cruza o tecido,
atiça a brasa
e eu me dissolvo...
Sinto pelas pernas
o passeio das sedas
e espero seu retorno...
Depois, é sua boca
no meu delírio
e o seu nome
no meu suspiro
de novo...
quinta-feira, novembro 03, 2005
Sempre
Se seu corpo esboça
um movimento de partida,
seu nome guilhotino
com a lâmina do gemido...
Mordida,
sua boca treme um sorriso,
engole o meu pedido
e me satisfaz:
mais!
um movimento de partida,
seu nome guilhotino
com a lâmina do gemido...
Mordida,
sua boca treme um sorriso,
engole o meu pedido
e me satisfaz:
mais!
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